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sábado, 11 de junho de 2011

Coincidência ou uma mera semelhança?















"Não acredito em coincidências" (V)

Por Aline Marques Gomes

Vamos articular dois dos meus assuntos preferidos. Cinema e política. Um filme um tanto antigo, V de Vingança, e o contexto político: reflexos da política neoliberal, implementada no Brasil, durante os anos 90.


A história do filme é baseada em um graphic novel escrito por Alan Moore. O enredo da conta de uma Inglaterra futurista, onde um governante totalitarista mantém o controle e a ordem na sociedade, através da repressão política, opressão religiosa e sexual, controle da mídia e enquadramento comportamental da população. V é um personagem culto, com o objetivo único de derrubar o Estado, através do ato simbólico de explosão do parlamento. Ele consegue mobilizar a população para que eles se atentem para o poder do povo.


A história foi escrita por Alan Moore em um contexto político de implementação do Estado Neoliberal, na Inglaterra, pela primeira ministra Margareth Thatcher. Este modelo econômico prevê, superficialmente, a não interferência estatal nas atividades econômicas do país, com isso, acarretando o desmantelamento das políticas sociais, que “garantem” a legitimação social do Estado. Todos sabem que, na sociedade capitalista, existe um constante conflito de classes, alimentado pela contradição entre capital e trabalho. O trabalhador vende a sua força de trabalho por determinado salário, que não corresponde ao valor de seu trabalho, mas a uma pequena parcela, tendo em vista a necessidade de grande parcela alimentar o lucro do capitalista, que não trabalha, pela condição de detentor dos meios de produção. Tal salário não é suficiente para a reprodução do trabalhador, ou seja, não garante a obtenção de alimentação adequada, vestimenta, condições de saúde, lazer, educação, etc. Em determinado momento histórico, o Estado se da conta que precisa efetivar determinados direitos básicos do trabalhador, tendo em vista a sua necessidade de legitimação. Basicamente, é assim que surgem as políticas sociais, garantidas constitucionalmente no Brasil. O neoliberalismo prevê o desmantelamento dessas políticas em razão do livre mercado. Com isso, o SUS é precarizado, enquanto surgem os planos de saúde privados, iniciativas de incentivo de ensino privado em detrimento de investimento e ampliação de vagas de ensino público, sob a falácia do défict da previdência, surgem os planos de previdência privados, contribuindo para uma maior exploração do trabalhador.


Mal comparando podemos trazer para a nossa realidade os eventos constatados por V e que, segundo ele, mereceram intervenção. O ex presidente Lula, em seus dois mandatos investiu em planos emergenciais de redução da pobreza, que servem basicamente, para migrar a parcela da população que vive abaixo da linha da pobreza para a pobreza, os tornando consumidores para engordar o saco da instituição mercado. Para driblar a crise econômica incentivou o consumo, e hoje experimentamos a inflação para frear o consumo, e proteger para que o mercado não entre em colapso.


No Rio de Janeiro, Sergio Cabral declarou guerra aos pobres e favelados, sob o discurso de enfrentamento ao tráfico de drogas. Quantos inocentes morreram sob a Era Cabral? E o tráfico de drogas acabou? Bope, caveirão, milícia... a polícia da cidade do Rio de Janeiro é responsável por mais homicídios, os chamados autos de resistência, que a policia de determinados países. Hoje temos instauradas as UPP’s, o Estado entrando nas comunidades para levar políticas publicas para a população desses territórios. Será? Muitas denúncias, ignoradas pela mídia e pelo governo do Estado, afirmam que o tráfico de drogas e a cracolândia convive com as UPP’s, e que a política é de controle, toque de recolher, proibição do funk, autoridade sobre a realização de eventos e arbitrariedades, moradores são feridos, presos e mortos pela Unidade de Policia PACIFICADORA. E quais são as políticas públicas que essas unidades fornecem? Conta de luz, conta de água, títulos de propriedade. Quem é favorecido? O mercado.


"O medo se tornou a arma principal desse governo." (V)


A situação é agravada na eminência de eventos esportivos na cidade. Agora presenciamos o Choque de Ordem de pessoas. A prefeitura do rio, com apoio do governo do estado recolhe a população de rua, crianças e adolescentes, idosos e mulheres, para abrigamento compulsório, obrigatório, com o discurso de tratamento para vicio em drogas. Mas será esse o tratamento? Sem apoio de profissionais especializados, com a conhecida precariedade das instituições públicas abrigadoras? Ou será esse um modelo de prisão? Quando a população se mobiliza e manifesta indignação, será que recebe o tratamento adequado? Vide os 439 bombeiros que foram presos e serão processados. E a mídia, como se coloca diante dessas arbitrariedades? É interessante como o comentarista de segurança pública Rodrigo Pimentel, se torna comentarista de política governamental, concordando com Sergio Cabral e respaldando todas as suas ações. Será a reivindicação por melhores salários, não só da categoria dos bombeiros, mas de toda a população, justa? A política de Sergio Cabral prevê legitimação social, pois não é uma ditadura oficial, portanto nós somos culpados, pois nós o elegemos. Agora, nós temos que frear as arbitrariedades e a violência.


“O povo não deve temer seu estado. O estado deve temer seu povo.” (V)





"Por quê? Por que enquanto o cassetete é usado no lugar da conversa, as palavras sempre manterão seu poder. As palavras expressam um significado e são para aqueles que aceitam ouvir a revelação da verdade. E a verdade é que há algo terrivelmente errado com este país, não é? Crueldade e injustiça, intolerância e opressão. E enquanto que antes vocês tinham a liberdade de objetar, de pensar e falar o que quisessem, hoje vocês tem a censura e sistemas de vigilância, coagindo vocês a conformidade e a submissão. Como isso aconteceu? De quem é a culpa? Certamente uns são mais culpados que outros, mas serão responsabilizados. Mas o certo é que se quiserem achar um culpado, basta olharem-se no espelho. Sei por que fizeram isso. Sei que estavam com medo. Quem não estaria? Guerra, terror, doenças. Milhões de problemas conspiraram para corromper sua razão e roubar seu sentido comum. O medo os dominou. E em seu pânico, recorreram ao alto chanceler Adam Sutler. Ele lhes prometeu ordem e paz. E a única coisa que pediu em troca foi seu consentimento calado e obediente."


Título original: (V for Vendetta)
Lançamento: 2006 (Alemanha, EUA)
Direção: James McTeigue
Duração: 132 min
Gênero: Ficção Científica

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ataque ao Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro



Por Aline Marques Gomes

Na manhã de 04 de abril de 2011, bombeiros aquartelados foram surpreendidos com a invasão do Quartel Central dos Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, pela Tropa de Elite da Policia Militar. Os militares que efetivavam seu direito à manifestação, lutavam pela melhoria dos salários e por melhores condições de trabalho. Os bombeiros aquartelados foram expulsos de seu quartel, presos e, segundo promessas do governo do estado, serão processados administrativa e criminalmente por seus atos, ironicamente, garantidos por direito. Portanto, será uma crise no Corpo de Bombeiros ou um ataque à Instituição?

Recorrendo à Maquiavel, este nos ensina que um governo deve se legitimar de duas maneiras, através do consenso ou da coerção. Em entrevista com um membro do Corpo de Bombeiros, foi-me explicado que, de acordo com as leis militares, a manifestação se dará por caminhada pacífica ou pelo ato de aquartelamento, qualquer outro modo de manifestação será considerado motim. A perspectiva pela qual é encarado os atos praticados pelos militares, revela muito de uma política estatal. Nosso governador prometeu processar administrativa e criminalmente os bombeiros manifestantes, no entanto, antes de manifestar-se na coletiva de imprensa, permaneceu reunido com secretários por toda a manhã. Durante este período a mídia noticiava imagens da violência disseminada durante a invasão do Bope ao QG dos Bombeiros, culpabilizando os militares por levarem consigo, à manifestação esposas e filhos, com isso, legitimando a atitude violenta e arbitrária da PM do RJ; e respaldando sua posição política em comentaristas embasados e conceituados, que partilhavam da opinião, ainda não divulgada, do governador. Portanto, caro leitor, será coincidência? De fato, temos efetivado nosso direito à informação? Ainda acredita que a mídia é neutra?

Retornando à Maquiavel, percebo, pela atitude arbitrária, violenta e punitiva do governador, que este efetiva seu poder de Estado através da coerção, todavia, todo o governante deve temer seu povo, portanto utiliza a mídia para legitimar suas decisões. Assim, o povo, detentor de todo o poder para mudar os rumos da sua história, passa a acusar o vizinho, o amigo, o colega de trabalho, pois ele é o inimigo. Dialéticamente, o povo é o inimigo e a vítima, de acordo com a vontade política dos governantes.

Sérgio Cabral iniciou seu primeiro mandato com o número recorde de autos de resistência, revelando o inimigo e a sua disposição para eliminá-lo. Na busca por um segundo mandato, lançou-se no projeto UPA’s/UPP’s, parcos em termos de política pública, mas efetivados no referido mandato. Agora, unidos governos municipais, estaduais e federais, possuem um único horizonte, preparar o país, em especial a cidade do Rio de Janeiro, para os eventos esportivos que virão. As forças militares são parte essencial deste processo e precisam de limites para exercer o controle. Mais arbitrariedades estão por vir e precisamos estar atentos. É dever da sociedade civil controlar o Estado! Está na hora de exercermos o nosso dever!

domingo, 20 de março de 2011

Brasil em novo Estado de Exceção

Por Aline Marques Gomes


Todos nós acompanhamos a grande expectativa, por parte da Presidência e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, pela visita do Presidente norte-americano Barack Obama.
O que poucos sabem ou dão atenção, é para a maneira arbitrária como o governador Sergio Cabral, com o apoio da policia militar e civil do Rio de Janeiro, tratou manifestantes pacíficos que discordam da supracitada visita.
O ato estava programado para a noite de sexta-feira (19), e foi organizado pela CSP-Conlutas e pela Assembléia Nacional dos Estudantes-Livre – ANEL, que contaram com o apoio participativo de diversos sindicatos e partidos políticos, como o PSTU. Houve veemente denúncia acerca da arbitrariedade das forças policiais, que tentavam conter os manifestantes com cassetetes, balas de borracha e gás lacrimogêneo. Dezenas de pessoas ficaram feridas e 13 manifestantes foram detidos, sob diversas acusações.
Segundo o comunicado à imprensa do PSTU, o objetivo do ato era passar pela Embaixada dos EUA e, em seguida, ocupar a Praça da Cinelândia, considerada símbolo de resistência à ditatura militar (64-85). No momento em que passavam pela Embaixada, os manifestantes se reuniram e começaram a proferir palavras de ordem, assim como jogar sapatos na bandeira dos EUA, fazendo menção ao gesto comum nas revoltas árabes. No entanto, após ouvirem uma explosão, presenciaram os ataques.
De acordo com a Polícia civil do estado, a principal acusação que justifica o ataque e a prisão dos manifestantes é o lançamento de um coquetel molotov na Embaixada. Os detidos passaram a noite de sábado (19) na 5º DP, de Gomes Freire. Ainda de acordo com o site do PSTU, na manhã de sábado, os homens foram encaminhados ao presídio de Água Santa e as mulheres ao presídio de Bangu 8. Entre os presos, há um estudante menor de idade e uma senhora que passava pelo local e resolveu se unir a multidão.
Na grande imprensa, pequenas notas são publicadas acerca do ato, enfatizando a versão da polícia. No entanto, ressalto que não houve uma comprovação da culpabilidade dos presos políticos, no caso do coquetel molotov. Bandeiras, faixas e cartazes foram apreendidos como provas.
A grande critica ao evento se refere a algo que acontece freqüentemente nas periferias do estado, mas que atingiu a elite intelectual - o desrespeito a democracia e à presunção de inocência. Com presos políticos, ruas e praças interditadas e proibição de panfletagem, podemos afirmar que, com a visita de Barack Obama, passamos a viver em Estado de exceção.

sexta-feira, 18 de março de 2011

127 Horas (127 Hours)

Por Aline Marques Gomes

Trata-se da história real de Aron Ralston, um alpinista acostumado a escalar as montanhas de Utah, Estados Unidos. Em meio à escalada do Bluejohn Canyon, um acidente deixa Aron (James Franco) com seu antebraço preso em uma pedra. A partir daí, inicia-se uma luta pela sobrevivência, com duração de 127 horas.
Particularmente, considero genial a maneira como Danny Boyle, expressa a narrativa. A câmera de vídeo levada por Aron, com o intuito de registrar a aventura, se torna o elo de comunicação com o espectador, em consonância com as lembranças e premonições, caracterizam uma aproximação com o personagem e a história. Apesar da notória objetividade do cineasta, os detalhes, muito estimados por Aron, são enfatizados, como o contato com a família, o canivete esquecido em casa e o Gatorade deixado no carro.
Com uma ótima direção, o elenco, centrado em James Franco, não fica atrás, assim como o roteiro, “127 horas” recebeu indicações para: melhor canção original, melhor trilha sonora, melhor montagem, melhor roteiro adaptado, melhor ator (James Franco) e melhor filme.

Título original: (127 Hours)
Lançamento: 2010 (Reino Unido, EUA)
Direção:Danny Boyle
Atores:James Franco, Lizzy Caplan, Treat Williams, Kate Burton.
Duração: 93 min
Gênero: Drama

sábado, 12 de março de 2011

O Discurso do Rei (The kings speech)

Por Aline Marques Gomes


O Academy Awards é a premiação de cinema mais conceituada e de mais credibilidade no mundo atual. Particularmente considero a premiação do Oscar um termômetro que mede o que há de melhor no mundo da sétima arte.
No caso da 83º cerimônia de entrega dos prêmios do Oscar, ocorrida no dia 27 de fevereiro de 2011, foram 10 indicados ao prêmio principal, de melhor filme. E como leiga, mas admiradora da arte, postarei meu pitaco acerca dos indicados. A começar pelo grande vencedor da noite.
Filho do monarca George V, Bertie/George VI (Colin Firth), busca ajuda para curar sua gagueira nervosa. Após passar por diversos tratamentos, sem sucesso, sua esposa Elizabeth Bowes-Lyon (Helena Bonham Carter) procura ajuda de um fonoaudiólogo, que possui técnicas de tratamento não ortodoxas.
A história é marcante. De um lado, trata da dificuldade de falar em público, o que seria um problema relativamente comum, se não fosse vivenciado por um líder, as vésperas da Segunda Guerra Mundial, que precisa comunicar-se com seu povo aflito. De outro, aborda um relacionamento incomum entre médico e paciente, cheio de altos e baixos, mas que resulta num exemplo de superação.
A narrativa conta com os diálogos, como base para expressar os sentimentos, as angústias e o sucesso de George VI. No entanto, também conta com as técnicas de Tom Hooper para materializar tais sentimentos, este foi o vencedor do Oscar de melhor direção. Colin Firth também venceu merecidamente o prêmio de melhor ator. O filme acrescenta à conta o prêmio de melhor roteiro original, e saiu como o grande vencedor da noite, levando a estatueta de melhor filme. Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter receberam indicações para melhor ator e atriz coadjuvante, mas não saíram com a estatueta.
Título original: (The King's Speech)
Lançamento: 2010 (Inglaterra)
Direção: Tom Hooper
Atores: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush, Michael Gambon.
Duração: 118 min
Gênero: Drama