Mostrando postagens com marcador Rodrigo Shampoo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rodrigo Shampoo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Uma pitada de samba e um bocado de histórias

Episódio de hoje: 

A propagação do samba antes do rádio

Antes mesmo da chegada do rádio ao Brasil, o samba já era conhecido e admirado, mesmo assim encontrava muita resistência em diversas camadas da sociedade. Então como o samba e outras músicas populares se tornavam conhecidas?

Primeiramente, como capital do Brasil, o Rio de Janeiro era palco de diversas manifestações culturais e assumia o papel de propulsor dos ritmos que vinham de todas as regiões do país e do mundo para se tornarem gêneros musicais quando juntados a outros ritmos ou até mesmo a outros instrumentos. O choro e o maxixe, por exemplo, surgiram quase que na mesma época – na década de 70 do século XIX – nascidos da variedade musical nacional. As reuniões entre os músicos e a elite, também foram importantes para que as músicas populares alcançassem todas as camadas sociais. Outro acontecimento que tornava o samba conhecido era o fato dos nobres morarem em regiões muito próximas dos pobres. A elite vivia no Centro, em Botafogo e em São Cristóvão, já os pobres moravam na Praça Onze, Santo Cristo, Estácio e Lapa. Esta proximidade facilitava políticos, médicos, intelectuais e outros membros da elite a terem acesso à cultura popular que nascia e se propagava nas proximidades humildes.

Outra forma de divulgação da música popular era a venda de músicas com partituras em papel impresso, já que o piano passou a ser integrante das salas da classe média. Esta forma de divulgação se estendeu desde a segunda metade do século XIX até as décadas de 1920 e 1930. O teatro também era uma importante maneira de veiculação da música. Era muito natural integrar uma música com uma peça teatral ou até mesmo nas salas de cinema. Quando uma peça fazia sucesso, a música certamente obtinha êxito.

Partitura do samba Pelo Telefone.

No ano de 1902, quando foi gravado o primeiro disco no Rio, já existia uma música urbana típica, além dos gêneros estrangeiros que eram “abrasileirados” sendo adaptados pelos músicos nacionais, como a valsa, a habanera e a polca. Até então o Brasil não possuía uma identidade nacional e cultural. As músicas ainda eram de alcance regional. Este panorama perdurou por alguns anos, mesmo após a chegada do rádio.

Machado de Assis publicou na Gazeta de Notícias, em janeiro de 1887, quadrinhas sobre o êxito da polca em território nacional e o abrasileiramento do ritmo que viera da Europa.

Mas a polca? A polca veio
De longas terras estranhas
Galgando o que acabou permeio
Mares, cidades, montanhas.
Aqui ficou, aqui mora
Mas de feições mudadas
Que até discute ou memora
Coisas velhas intricadas.


Veja o episódio 1 em Os primeiros passos do Samba

Veja o episódio 2 em Tia Ciata

Veja o episódio 3 em O negro, o mestiço e o mulato

Veja o episódio 4 em O samba e o futebol - a ginga das rodas e os dribles nos campos

Veja o episódio 5 em O samba "foge" para os morros

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Uma pitada de samba e um bocado de histórias

Episódio de hoje: 

O samba "foge" para os morros


O samba já era conhecido e consagrado na década de 1920, ainda sim, sofria perseguições. O gênero musical já havia atravessado o Atlântico diversas vezes, inclusive, Darius Milhaud, que defendia a ideia dos modernistas, compôs diversas obras com ritmos brasileiros, como o chorinho Deux poèmes tupis e o samba Le boeuf sur le toit, lembrado por Donga, amigo de Milhaud, que serviu de trilha sonora para um espetáculo de Jean Cocteau, “usando trechos de dezenas de músicas cariocas que fizeram sucesso nos anos 10” (Vianna, 1995: 104).
"Le boeuf sur le toit", de Darius Milhaud


Ao mesmo tempo em que era tocado em grandes salões, o samba era perseguido nas ruas. Por um lado, o grupo Os Oito Batutas, formado basicamente por negros e mulatos, que tinha como integrantes Pixinguinha, Donga, João Pernambuco entre outros, se apresentava no Cine Odeon, no Theatro Municipal e no exterior. Por outro lado, diversos sambistas como Heitor dos Prazeres eram presos acusados de vagabundagem simplesmente por tocarem violão na rua.

Os Oito Batutas


No início da década de 1920 até meados dos anos 30, o samba ainda era coisa de malandros e cantoria de vagabundos. Os sambistas estavam sujeitos à prisão por tocar violão. A polícia pregava a ordem e não dava trégua. Mas como Jota Efegê descreveu, o samba era valente e não se deixava intimidar pela repressão, apesar de espancados e presos por vagabundagem, os sambistas persistiam em tocar onde quer que fosse. A solução encontrada por eles para fugir da repressão foi subir para tocar samba nos morros, pois lá não eram incomodados.


Os morros da Mangueira, do Estácio e do Salgueiro eram os principais pontos de encontro dos sambistas que fugiam da violência policial. Nas favelas o “samba do asfalto” se encontrava com o “samba do morro”, e assim nasceria uma nova forma de tocar samba, que será visto no capítulo mais adiante. 


Nas andanças pelos bairros do Rio de Janeiro, Heitor dos Prazeres foi o principal responsável por espalhar os sambas pelos bairros de Madureira, Oswaldo Cruz, Olaria, Lapa, Estácio e Vila Isabel, onde conheceria Noel Rosa, o maior sambista de todos os tempos e um dos principais responsáveis pela volta do samba para os asfaltos.

Veja o episódio 1 em Os primeiros passos do Samba

Veja o episódio 2 em Tia Ciata

Veja o episódio 3 em O negro, o mestiço e o mulato

Veja o episódio 4 em O samba e o futebol - a ginga das rodas e os dribles nos campos

 



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Uma pitada de samba e um bocado de histórias

Episódio de hoje: 

O samba e o futebol - a ginga das rodas e os dribles nos campos

As perseguições aos negros, aos mestiços e aos mulatos, não eram restritas somente no meio musical e social, o preconceito se estendia também nos esportes, como é relatado no livro O Negro no futebol brasileiro, de Mário Filho. A obra conta que no início, o esporte bretão era praticado somente pela elite branca e os negros eram proibidos de atuarem nas equipes.

Mario Filho
  

Mario Filho relata que negros e mulatos povoavam os locais de concentração da elite brasileira e, aos poucos, foram conquistando espaço nos grandes clubes, entretanto, não eram igualmente tratados, pois não podiam encostar-se aos brancos durante as partidas, além de receberem a culpa em caso de derrota e serem severamente punidos. Assim nascia a habilidade incomum que conquistaria o mundo. Os negros, mulatos e mestiços levavam para o futebol de rua e de várzea, a ginga dos terreiros de samba, os movimentos de capoeira, e reproduziam nos campos para evitar os contatos com os brancos. As rígidas regras direcionadas aos negros, mestiços e mulatos deram origem aos dribles que transformariam o Brasil no País do Futebol.

Foi no Campeonato Sul-Americano de 1919 que nasceu o primeiro herói do futebol brasileiro, o mulato Friedenreich1, filho de um alemão com uma negra. Ele se tornou herói ao marcar o gol do título brasileiro contra os uruguaios, que o apelidaram de “El Tigre”, pela sua valentia demonstrada em campo. Mas foi somente em 1923, que um clube com negros no time foi campeão, abrindo as portas para que o futebol se tornasse multirracial. Na ocasião, o Vasco da Gama foi campeão carioca com um time formado, em sua maioria, por negros, mulatos e mestiços pobres e analfabetos. Em 1926 seria a vez do São Cristóvão repetir o feito do Vasco e sagrou-se campeão com um time miscigenado.

Friedenreich

Os heróis com a cara do povo brasileiro foram surgindo, popularizando o futebol e encantando o mundo com a forma envolvente de jogar. O negro Leônidas da Silva, o inventor da bicicleta, também conhecido como Diamante Negro, se tornou o maior ídolo do futebol dos anos de 1930 e 40, atuando por grandes clubes como o Flamengo, São Paulo e Bonsucesso.


Leônidas da Silva


A forma original de jogar futebol dos negros, mestiços e mulatos brasileiros, cheios de ginga e de malícia, rendeu um artigo jornalístico elaborado por Gilberto Freyre, chamado “Foot-ball mulato”. Feito após a boa participação do Brasil na Copa do Mundo de 1938, realizada na França.



Um repórter me perguntou anteontem, o que eu achava das admiráveis performances brasileiras nos campos de Strasburgo e Bordeaux.

Respondi ao repórter que uma das condições de nosso triunfo, este ano, me parecia á coragem, que afinal tivéramos completa, de mandar à Europa um time fortemente afro-brasileiro. Brancos, alguns, é certo; mas grande número, pretalhões bem brasileiros e mulatos ainda mais brasileiros.

O nosso estilo de jogar futebol me parece contrastar com o dos europeus por um conjunto de qualidades de surpresa, de manha, de astúcia, de ligeireza e ao mesmo tempo de espontaneidade individual em que se exprime o mesmo mulatismo de Nilo Peçanha, que foi até hoje a melhor afirmação na arte política.

Os nossos passes, os nossos pitu’s, os nossos despistamentos, os nossos floreios com a bola, há alguma coisa de dança ou de capoeiragem que marca o estilo brasileiro de jogar futebol, que arredonda e adoça o jogo inventado pelos ingleses e por outros europeus jogado tão angulosamente, tudo isso parece exprimir de modo interessantíssimo para psicólogos e sociólogos o mulatismo flamboyant e ao mesmo tempo o malandro que está hoje em tudo que é afirmação verdadeira do Brasil. (Diário de Pernambuco, 17 de junho de 1938).



Os negros, os mulatos e os mestiços passaram a ser figuras normais no futebol e, até mesmo, idolatradas pelo povo e pela elite, que parecia se esquecer do preconceito que tinham de suas raças. Aquele preconceito de outrora não existia mais no mundo futebolístico, pelo menos não declarados. Com a Segunda Guerra Mundial, houve anos sem carnavais, mas os sambas e marchas eram produzidos com críticas à Hitler e ao Nazismo. Nesta década o samba já estava consolidado (entrarei neste ponto nos capítulos mais à frente). No futebol, a Copa do Mundo foi interrompida em 1938, quando o Brasil teve uma bela participação.

No ano de 1950, a Copa do Mundo foi realizada no Brasil, e a seleção, bem miscigenada venceu o México, empatou com a Suíça e venceu a Iugoslávia pela primeira fase. Na segunda fase venceu a Suécia e venceu a Espanha, jogo marcado pelo fato de 200 mil pessoas cantarem a marchinha Touradas em Madri, de João de Barro.
Touradas em Madri, de João de Barro, na voz de Carmen Miranda

Na final desta Copa, o Brasil foi derrotado, e novamente, a culpa recaiu em cima dos três negros do time, o goleiro Barbosa, Bigode e Juvenal. A derrota para o Uruguai trouxe de volta o racismo adormecido durante anos. Mesmo sem acusá-los por causa da raça, o povo brasileiro escolhera seus culpados, assim como o Jornal dos Sports publicou em suas páginas de 22/07/1950.



Para vencer o Uruguai, foi isto que o match da decisão mostrou, bastaria que Bigode não falhasse duas vezes. Bastaria inclusive, que Bigode só falhasse num dos goals ou que Barbosa, mesmo Bigode falhando, não falhasse num dos goals.

Bigode e Barbosa não falharam por falta de fibra. Falharam porque sentiram demasiadamente a carga da responsabilidade de dar ao Brasil o título de campeão do mundo. (Jornal dos Sports, 22/07/1950: p. 5).



A Copa de 1958 revelou para o mundo o negro que se tornaria Rei. O time com Zagallo, Bellini, Nilton Santos e Vavá, contava também com os negros Pelé e Didi e o mulato Garrincha. Estes nomes deram outra cara ao futebol brasileiro. O negro havia se consolidado no futebol nacional e não havia mais nada a se provar.

Seleção brasileira campeã da Copa do Mundo de 1958.



1 Pixinguinha e Benedito Lacerda compuseram uma música chamada Um a zero, em homenagem ao gol marcado por Friedenreich no Sul-Americano de 1919. Foi a primeira obra que envolvia música e futebol.

Veja o episódio 1 em Os primeiros passos do Samba

Veja o episódio 2 em Tia Ciata

Veja o episódio 3 em O negro, o mestiço e o mulato

 



quarta-feira, 3 de abril de 2013

O super herói está ocupado

No caso de alguma ameaça nuclear é melhor chamar o Batman, o Super Homem, o Homem Aranha, Os Vingadores... eles não gostam de desenhar
Visite o blog do Dogcão!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cidade das Flores

Foto Rodrigo Shampoo

Vou contar a história de um lugar
Onde todos os habitantes
Tinham motivo para se orgulhar
Em seus campos lindas flores
Era um parque de amores
Onde as pessoas só sorriam
E as crianças se divertiam
Imponentes florestas o cercavam
Suas faunas e floras ricas brilhavam
Era um lugar belo
Com mais de cem castelos
Todos lá se conheciam
Cristalinos riachos nele nasciam
Os ventos apenas arejavam
Enquanto ao seu ritmo
As folhas dançavam
Os pássaros coloridos gorjeavam
E seus tenros habitantes
Sorriam a cada instante
As montanhas encantavam
Àqueles que a olhavam
Mas chegou certo dia
Junto com uma nuvem fria
Um nobre forasteiro
Em seu cavalo prata
Que corria pela mata
Logo ele criou asas
E as pessoas se inquietaram
Ali na praça elas pararam
Era um misto de pavor e admiração
Ficaram paralisadas com o coração na mão
Logo o visitante se apresentou
"Sou um mágico trovador!"
Desceu de seu cavalo pulcro
E disse palavras calmas
Que purificavam a alma
Ele só queria lucro
Das suas mãos nascia a magia
Transformou uma rocha cinza em uma Bouvardia
Os olhos das pessoas transbordavam alegria
Com cinestesia
O mágico prosseguia seduzindo
Provocando um misto de entorpecimento e euforia
Se sentindo o dono de todos
O mágico continuava agindo
Logo ele fez um pedido
"Preciso de suas flores meus amigos!"
Todos da praça corriam
Para o visitante eles traziam
Quantas flores em suas mãos cabiam
As flores foram arrancadas dos canteiros
E quando acabaram as flores do campo inteiro
O mágico lhes pediu dinheiro
Os habitantes cativados
Entregou-lhe suas riquezas
Totalmente maravilhados
Uma orquídea foi erguida
E a cidade agradecida
Pela suntuosa exibição
Mas o mago insatisfeito
Achou-se no direito
De mandar na multidão
Exigiu o maior dos castelos
Construído em pedras preciosas
Pintado com as cores: verde e amarelo
Com duas torres esplendorosas
O mágico voltou-se para as mulheres
E escolhera a mais formosa
Para lavar os seus talheres
O lugar que era o paraíso
Ficou feio e destruído
Toda aquela qualidade
Se tornou iniquidade
As pessoas amarguradas
Estavam todas condenadas
Agora eram todos detentos
Homens fedidos e lazarentos
Sem voz para gritar
Não sobraram flores para contar
Toda aquela rica beleza
Virou história demudada em tristeza
A água límpida e cristalina
Era um poço de esgoto, carne podre e naftalina
Os habitantes se revoltaram
E o mágico eles expulsaram
Junto dele a inocente mulher
Que não teve culpa alguma
Mas foi tratada como uma vadia qualquer
O lugar belo renasceu
O campo seco e cinza floresceu
Assim como uma página de livro
O tempo passou
E certo dia
Aquele mágico voltou
As pessoas ignorantes se esqueceram do acontecido
E com os mesmos artifícios
Os habitantes ele conquistou
E, novamente...
Aquele campo florido acabou



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Do meu jeito

 
Quero cometer os meus erros
Ser apenas eu mesmo
Sem olhar para trás
Ignorando a sociedade
Quero andar sem rumo
Molhar-me na tempestade
Não quero explicar meus atos
Deixe-me tentar atravessar a parede
E quebrar a minha cara
Quero cometer os meus erros
Andar com as minhas próprias pernas
Questionar meus pensamentos
Sem lei e sem Deus
Para me julgar
Ou dizer o que é certo
Eu trilho meu caminho
Eu enfrento as consequências
Eu julgo meus atos
Quero cometer os meus erros
Aprendo a minha vida
Ensino a mim mesmo
Quero me queimar com o fogo que eu fiz
O meu céu é o seu inferno
O meu inferno é a sua casa
Nosso quintal é o universo
Eu quero começar pelo fim
Pintando os muros com o verde que não enxergo
Quero cometer os meus erros
As minhas limitações são sempre antes do meu fim
Quero sambar e ser feliz
Brincar de ser louco
Sonhar em ser eu mesmo
Diferente dos robôs à minha volta
Não sou mais uma peça na engrenagem
Sou a mola mestra
Do meu mundo
Quero cometer os meus erros
Faço minhas regras
Conquisto os meus objetivos
Enfrento tudo e todos
Liberto meu sorriso
Vou atrás das minhas respostas
Quero dormir acordado
Quero não dormir
E assistir o Sol nascer
Enquanto a Lua se esconde na sua escuridão
Quero cometer os meus erros
Quero fazer minhas perguntas
Entender porque a rosa é rosa
Assim ela é chamada
Vou mudar a cor do céu
Quero ver as minhas cores
E quebrar as suas regras
Pagar pelo que eu fiz
Fazer o que eu sempre quis
Quero cometer os meus erros
Assim eu sou feliz
Um eterno aprendiz
Um poeta sem chão
Eu vôo na minha imaginação
Quero comemorar todo dia dois
Amar várias vezes a mesma pessoa
Ser amado por uma pessoa
Sentir saudade de quem está ao meu lado
Quero cometer os meus erros

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Uma pitada de samba e um bocado de histórias

Episódio de hoje:

O negro, o mestiço e o mulato – Os primeiros passos da identidade brasileira.

A Semana de Arte Moderna de 1922 reuniu  escritores, pintores, músicos e intelectuais em defesa da cultura brasileira



No final do século XIX, intelectuais brasileiros debatiam sobre a identidade nacional e o atraso brasileiro com relação à Europa. A pergunta era: O que fazia o Brasil ser pior do que a Europa? A resposta mais sensata pareceu ser a mestiçagem, que foi usada como bode expiatório. Os intelectuais da virada do século XIX para o século XX olhavam com desprezo para as manifestações culturais. Essa desvalorização daquilo que era brasileiro perdurou por muito tempo, até surgirem os modernistas que defendiam o mulato e o mestiço como a raça genuinamente brasileira.

A valorização do que é nacional foi a principal pauta da Semana de Arte Moderna de 1922, ocorrida em São Paulo. Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Plínio Salgado, Heitor Villa-Lobos, Menotti Del Pichia, entre outros modernistas, participaram do movimento que visava romper com a vanguarda europeia, valorizando a cultura brasileira.

                                                   Gilberto Freyre



Mas a reviravolta começou mesmo com Gilberto Freyre, que valorizava o caráter positivo do negro e do mestiço, definindo o povo brasileiro como uma combinação harmoniosa e conflituosa de traços africanos, indígenas e portugueses. Freyre mostrou que a cultura mestiça não era a causa do atraso do país, mas sim algo que deveria ser cuidadosamente preservado, pois era a identidade e a especificidade do país diante das outras nações.
Os modernistas que valorizavam a cultura nacional, eram os mesmos presentes nas reuniões, como as citadas no capítulo anterior, que ocorriam desde o século XVIII. Eram membros da elite, políticos, intelectuais e músicos. Eles discutiam temas culturais e, faziam inclusive, saraus musicais. Uma dessas reuniões está relatada no livro O Mistério do Samba, de Hermano Vianna, no qual ele descreve o encontro de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Prudente de Moraes Neto, Heitor Villa-Lobos e outros intelectuais da época com Pixinguinha, Donga e Patrício Teixeira, no ano de 1926. Gilberto Freyre publicou em seu diário, que mais tarde seria parte do livro Tempo morto e outros tempos, um trecho no qual se refere a este encontro.

Sérgio e Prudente conhecem de fato literatura inglesa e moderna, além da francesa. Ótimos. Com estes saí de noite boemiamente. Também com Villa-Lobos e Gallet. Fomos juntos a uma noitada de violão, com alguma cachaça com os brasileiríssimos Pixinguinha, Patrício, Donga (Vianna, 1995: 19).


Encontros como estes não eram novidades, mas foram destas reuniões que partiram os primeiros passos para a valorização das coisas brasileiras, a começar pela nossa raça e nossa música, ou seja, aquilo que nasceu nas terras tupiniquins: o mestiço e o samba. Outros personagens importantes como Afonso Arinos, Lima Barreto e Graça Aranha participaram do movimento de valorização daquilo que era brasileiro, inclusive nomes internacionais tiveram importante participação, caso do poeta francês Blaise Cendrars e do compositor suíço Darius Milhaud.


Veja o episódio 1 em Os primeiros passos do Samba

Veja o episódio 2 em Tia Ciata



 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Quem, eu?


Mais divertido do que "A Praça é Nossa", mais engraçado do que "Zorra Total", mais comovente do que "Criança Esperança", mais dinâmico do que "Domingão do Faustão", mais legal do que "Programa do Gugu", mais carismático do que a "Xuxa", mais polêmico do que "Big Brother Brasil", ele é o... Dogcão

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Uma pitada de samba e um bocado de histórias

Episódio de hoje: 

Tia Ciata

                                                                   Tia Ciata



Para detalhar um pouco mais sobre o surgimento do samba como um ritmo próprio, é necessário citar talvez a figura mais importante deste “nascimento”: a casa da Tia Ciata.
Frequentada por Donga, Pixinguinha, João da Baiana, Sinhô, Heitor dos Prazeres, Hilário Jovino, Catulo da Paixão Cearense, entre tantos outros, a casa da mãe-de-santo baiana, Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, situada na Praça Onze, foi de suma importância para o surgimento do samba. Foi neste endereço que ocorriam inúmeros saraus, nos quais diversos ritmos musicais de todas as partes do país se juntavam. A união destes ritmos daria vida ao gênero musical que mais tarde se tornaria símbolo da cultura brasileira.

                          Donga, Pixinguinha e João da Baiana
 
Nas reuniões nas casas das tias baianas, os ritmos brasileiros como maxixe, modinha, cateretê, choro, lundu, jongo e marcha, se juntariam aos cânticos e batucadas do candomblé para dar origem ao samba – que era uma palavra já conhecida para definir uma reunião musical ou para identificar um tipo de música e dança dos negros. Mas este “samba” ganhou um ritmo próprio, característico, que o destacou de outros gêneros brasileiros.
Em novembro de 1916, o cantor Baiano, o mesmo que gravou o primeiro disco nacional em 1902, gravou o samba Pelo telefone[1], de Donga e Mauro de Almeida. Somente a partir da gravação deste samba, que se deu início a uma série de gravações de outras músicas denominadas como samba.


[1] O samba Pelo Telefone possui diversas versões, pois muitos compositores exigiram a autoria desta música. Antes da gravação desta música, houve outras gravações de samba, mas foram registradas como outro ritmo.


Veja o epsódio 1 em Os primeiros passos do Samba