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domingo, 18 de setembro de 2011

Gasto mais do que ganho!


Por Rufino Carmona
Você já ouviu aquela história de que não importa quanto uma pessoa ganhe, ela sempre gasta mais? Claro que não são todos que agem assim, mas, infelizmente, isso é mais comum do que imaginamos.

É evidente que quem recebe um salário mínimo por mês não consegue satisfazer todas as suas necessidades básicas. E então precisa complementar a renda de alguma outra forma.

Mas chega-se a um patamar salarial em que as necessidades básicas já estão satisfeitas, mas, mesmo assim, outros complementos salariais continuam sendo necessários, porque novas necessidades “não tão básicas assim” acabam se tornando básicas. Isso mesmo! Quem ganha R$ 1.000,00 gasta, pelo menos, R$ 1.200,00 por mês. Quem ganha R$ 5.000,00 gasta uns R$ 6.000,00 e quem ganha R$ 100.000,00 gasta por volta de R$ 120.000,00.

Talvez possamos pensar essa questão por diversos ângulos. Mas o primeiro que me vem à cabeça é o financeiro. Hoje em dia, fazer um orçamento tornou-se algo bastante simples. E é aquela velha história: você deve gastar sempre, no máximo, o que ganha mensalmente. E o ideal mesmo é gastar menos do que ganha e poupar o restante.

Mas talvez você esteja tentando essa façanha há muito tempo sem atingir seu objetivo. Então, certamente, deve haver algum outro jeito além do 2 mais 2 igual a 4. Gostaria de receber sugestões. Na semana que vem, pretendo sair desse trivial financeiro e tocar um pouco mais fundo nessa ferida.

domingo, 11 de setembro de 2011

À vista ou a prazo?



Por Rufino Carmona

Conheço muita gente que diz o seguinte: “Compro tudo à vista. Nunca fiz uma prestação na vida e nem tenho cartão de crédito”. Quem sou eu para discordar dessas pessoas. Se conseguem viver bem dessa maneira devem seguir nesse mesmo rumo. Mas a questão não é dizer quem está certo ou errado, até porque, nessa história, não existe nada que seja absolutamente certo nem absolutamente errado.

A grande questão é tentarmos visualizar a situação por diferentes ângulos e chegarmos à conclusão sobre qual o melhor caminho para percorrermos. Em primeiro lugar, é indiscutível que, ao parcelar uma compra, o estabelecimento embute juros, apesar de afirmar o contrário.

Como é possível se pagar uma mercadoria à vista pelo mesmo preço do que em dez vezes? Então, gente, quando optar pelo pagamento à vista, você deve pedir um bom desconto. Geralmente, as lojas oferecem entre 3% e 5%, se você pedir, é claro. Se não pedir, vai pagar o mesmo que a prazo.

Mas, no meu entender, o desconto deveria ser de, no mínimo, 10%. Os juros brasileiros são tão altos que a perda desse lojista quando vende em prestações certamente é muito superior a 10%. E quem disse que ele perde?

Então já sabemos que o pagamento à vista precisa ser bem recompensado. Agora, se você sabe controlar suas despesas e trabalha bem com o cartão de crédito e com o cheque especial, as parcelas são muito bem vindas sim. Você pode adquirir um bem, que não teria como pagar à vista, parcelando por vários meses.

Como eu já ressaltei em outras colunas, ter crédito é muito bom e muito saudável para a economia como um todo. Quando compramos, ainda mais a crédito, isso impulsiona os empresários a investirem mais, o que gera mais empregos e mais vendas e novamente mais empregos e mais vendas e assim por diante. É um circulo virtuoso. O crédito alavanca a economia, gera riqueza, renda e, em conseqüência, empregos.

Mas se você, apesar de não saber usar muito bem o crédito, mesmo assim não consegue guardar dinheiro para comprar à vista? Uma boa solução é pedir a orientação de um membro da família que tenha mais familiaridade com o assunto ou mesmo o seu gerente do banco. Mas se for ao gerente, cuidado para ele não vender para você seguros, títulos de capitalização e um montão de outros produtos e serviços de que você não esteja precisando no momento.

Enfim, não existe uma resposta certa para a pergunta proposta no título dessa postagem “À vista ou a prazo?”. Quem decide é você. Então, já que é assim, decida bem!

domingo, 4 de setembro de 2011

Crédito mais caro


Por Rufino Carmona

Prometi eleger um tema de finança pessoal e discorrer sobre ele a cada semana aqui nesse espaço. Mas como a fragilidade da economia global ficou tão marcante após o rebaixamento da nota da dívida dos Estados Unidos, não tenho como falar de qualquer outro assunto.

Antes que você estremeça aí do outro lado, não vou entrar em detalhes sobre o rebaixamento da nota americana. Minha intenção é me ater somente a um único e importante ponto: sempre quando o mundo passa por alguma crise, como essa, começa a existir a chamada aversão a risco. Traduzindo: os capitais começam a procuram portos mais seguros pelo mundo e desistem de correr riscos, pelo menos por algum tempo.

A tendência então é que o crédito fique mais escasso e sobretudo mais caro. Ou seja, a hora não é das melhores para você pegar um empréstimo, porque os juros estarão mais altos. E nem é hora também para fazer grandes compras, ainda mais com muitas parcelas. A indefinição por que passa o mundo dá ao empresário uma sensação de desconforto e ele fica com receio de investir. Com isso, mesmo que por pouco tempo, a economia dá uma certa parada. Conclusão: o risco de se perder o emprego aumenta.

Tudo bem que o Brasil, como já ressaltou a presidenta Dilma, está mais preparado do que na crise de 2008. E olha que até passamos muito bem por ela em vista de outros grandes países que, até hoje, nem conseguiram se firmam novamente. Mas como gato escaldado tem medo de água fria, é melhor não corrermos risco, não acha?

O melhor mesmo é segurar um pouco o consumo e não fazer nenhum empréstimo, pelo menos nessas duas primeiras semanas, só para sentir como vai se desenrolar a crise, principalmente aqui dentro do nosso país.

E torçamos para que os Estados Unidos e a Europa resolvam, com agilidade e de forma adequada, seus graves problemas fiscais.

Gente, na semana que vem eu volto a falar sobre um tema mais relacionado ao seu dia a dia financeiro. Até lá!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Armadilhas do crédito pessoal



Por Rufino Carmona

O assunto de hoje é crédito pessoal. Das modalidades de empréstimos existentes, essa é a que mais tem adeptos. É preciso ressaltar inicialmente que muitos escritórios, que põem até anúncios em jornais, concedem crédito sem autorização do Banco Central. Eles são tão agiotas quanto qualquer pessoa física que empresta dinheiro a juros. Por isso, muito cuidado para não entrar numa furada. Tem vezes em que pedem para você depositar uma quantia como garantia. E, no final, nem o empréstimo e muito menos o dinheiro de volta. Ou seja, roubo explícito.

Mas sobre agiotas, eu vou falar em uma coluna específica. Quero me ater aos bancos e financeiras que concedem crédito pessoal. Se você é correntista de um banco há algum tempo sempre vai conseguir uma taxa de juros melhor. Então, antes de pegar um crédito fácil por aí, consulte o seu gerente.

Mas, mesmo sendo um ótimo cliente do banco, não se iluda: dificilmente, os juros cobrados serão menores do que 4% ao mês, o que é uma distorção, se lembrarmos que a taxa Selic, fixada a cada 45 pelo Banco Central é de 12,5% ao ano. Enfim, pegar crédito no Brasil é coisa de maluco. O melhor mesmo é juntar dinheiro e comprar à vista. Crédito, gente, só em último caso.

E quanto às financeiras? Bem, esse é um capítulo à parte. Eu fico para morrer quando vejo alguém entrando numa daquelas lojas de rua que “vendem” dinheiro. Pegam, por exemplo, R$ 1000 para pagar em 12 meses. No final desse tempo, pagam cerca de R$ 2500.  É ou não é um absurdo? As financeiras até explicam razoavelmente bem o motivo de o crédito ser tão caro. Mas, mesmo que elas falem toda a verdade, acaba sendo uma grande armadilha para o consumidor. Normalmente, vira a famosa bola de neve.

Entre a melhor taxa do crédito pessoal, quando você é correntista de um banco e a mais cara, a das financeiras, existem muitas outras com todos os tipos de nomes. Mas volto a insistir: ter crédito é muito bom, mas saber usá-lo é que é o problema. O melhor é se organizar financeiramente e levar a vida com o que se tem. Não é legal trocar as noites de sono por nada nesse mundo!  

domingo, 21 de agosto de 2011

Cheque especial



Por Rufino Carmona

Vou começar hoje a falar sobre alguns nomes conhecidos do nosso dia a dia financeiro, mas que ainda nos causam muita dor de cabeça. Como estreia, o cheque especial. Vou fazer uma pergunta a você que pode parecer meio estranha, mas que é muito importante ser respondida: “você sabia que não é obrigado, por nenhuma lei, a ter um limite ou um cheque especial em sua conta corrente?”.

Não sei qual foi a sua resposta, mas tenho algo a dizer sobre isso. Na maioria das vezes, apenas por ter um limite financeiro de que pode dispor, a qualquer momento, você paga uma taxa mensal ao banco. Ou seja, se você nunca usou e nunca pretende usar para quê continuar tendo?

Mas tem uma questão que acho bem mais importante que essa que citei acima. Fico indignado ao ver os bancos concederem aleatoriamente limites de crédito a aposentados e a pessoas que recebem somente seu salário através de contas corrente, por exemplo, sem nenhuma orientação. Gente: ter um limite disponível para uma emergência é muito bom, mas você precisa saber usar. Muitos, por desconhecimento, usam esse dinheiro como se fosse de sua propriedade.

Olha, eu já vi casos estarrecedores de pessoas que estavam endividadas até não poderem mais simplesmente porque não sabiam que esse dinheiro não era delas e usava tudo, todos os meses. O último caso que soube foi há dois dias. Um amigo meu me disse que o pai tinha R$ 3 mil de especial na conta salário e que havia gasto todo o dinheiro. Já havia um ano que, todos os meses, ao entrar o salário na conta, quase metade ia embora só para pagar os juros e repor parte do especial.

Ao saber da história, eu o recomendei que, se fosse possível, quitasse essa dívida, ou seja, repusesse esses R$ 3 mil e retirasse o cheque especial da conta do pai. Ele me contou então que possuía uma reserva em poupança. O problema foi então resolvido rapidamente. Orientei a ele que retirasse o dinheiro, cobrisse a conta do pai e retirasse, todo mês, R$ 300 do salário dele até chegar aos R$ 3mil, já que os juros da poupança que ele recebia eram muitíssimo inferiores ao juros que o pai pagava no especial. Mas fui categórico: de nada vai adiantar você fazer isso, senão for ao banco e retirar esse benefício da conta salário dele. E isso vai ser feito.

Fiquei feliz de ter ajudado a esse meu amigo. Mas se ele não tivesse o dinheiro na poupança seria mais complicado. Mesmo assim, ainda poderia renegociar a dívida com o banco, pagar em algumas prestações e retirar o especial da mesma forma. Seria mais dispendioso, porque os juros que o banco cobraria seriam bem maiores do que o juro zero que ele vai cobrar do pai. Mas, pelo menos, acabaria essa ciranda nada engraçada.

Se você tem cheque especial e não sabe usar ou se você conhece alguém nessa mesma situação do pai desse meu amigo, conversa com a pessoa sobre a possibilidade de renegociar a dívida e retirar o limite da conta. Só quem ganha, num caso como esse, é o banco.

Ter crédito, gente, é muito bom. Mas é preciso saber usar.  

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Faxina na política



Por Rufino Carmona

Jânio Quadros, nosso saudoso e hilariante ex-presidente da República, tentou usar sua “vassourinha” no Planalto, mas as “forças ocultas” não só o impediram como o tiraram do poder. Isso em 1961. 


Hoje, vemos Dilma Rousseff pondo suas manguinhas de fora.  Independentemente de sua opção política, você acha que é possível um governante diminuir consideravelmente a corrupção no nosso pais?


A base de sustentação da presidenta já faz inúmeras chantagens e, até mesmo, o ex-presidente Fernando Collor teria dito que, se fosse ela, agiria de outra forma, pois ele próprio foi vítima desse mesmo veneno ao não dar a mínima para o Congresso quando governou o Brasil. Pois bem, Dilma consegue ir adiante nesse processo de faxina? Um governante do PSDB, por exemplo, conseguiria? Ou teria que ser de um outro partido?


Uma boa questão para pensarmos e repensarmos o nosso voto e o modo como se governa esse país, à base de troca de favores. É assim desde que eu me conheço por gente, mesmo na época dos chamados “governos fortes” da ditadura.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aos superendividados III


Por Rufino Carmona

Caro amigo que se encontra nessa situação de superendividamento, depois das postagens das últimas duas quartas-feiras (06 e 13 de julho), me restou falar sobre ajuda profissional.

Consultor financeiro – talvez você não tenha condições, sozinho, de pôr em prática algumas das dicas dadas nas postagens anteriores sem ajuda de um profissional que entenda de finanças. Pois bem, as faculdades costumam disponibilizar esse serviço gratuitamente. Você pode buscar ajuda numa faculdade de economia ou mesmo na de matemática. Um estudante, sob orientação sempre de um professor, pegará o seu caso e vai pensar em todas as saídas possíveis junto com você. Vale a pena procurar hoje mesmo uma instituição de ensino superior perto da sua casa e expor o seu problema.

Psicólogo – vou chegar agora a um ponto que talvez seja o mais difícil de ser tocado. Segundo pesquisas, a grande maioria das pessoas que chegam a uma situação de superendividamento precisa de ajuda de um profissional da área de psicologia. Geralmente, não é a falta de dinheiro que causa o problema, mas a compra por impulso. Por isso, depois de fazer um trabalho enorme para sair do endividamento, acaba voltando à mesma situação em pouco tempo novamente.

Não consegue aprender com o erro, porque ela tem uma ânsia muito grande em comprar, adquirir, ter, possuir. Infelizmente, a maioria também sempre acha que não tem esse problema e não procura um profissional. Espero que, se esse for o seu caso, você tenha capacidade de discernimento e reconheça que precisa desse tipo de ajuda.

E o dinheiro para pagá-lo? Da mesma forma que eu falei sobre o consultor financeiro, as faculdades de psicologia também disponibilizam esse serviço gratuitamente. Se eu fosse você, procuraria, hoje mesmo, o consultor financeiro e o psicólogo. Você vai ver como será mais fácil sair dessa situação difícil com a ajuda de especialistas. Dê uma chance a você mesmo para sair dessa e não voltar nunca mais.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O mundo treme de novo



Por Rufino Carmona 

Tem dias que nós sabemos como começa, mas não fazemos a mínima idéia de como pode terminar. Hoje, é um desses. Com o rebaixamento da nota dos títulos da dívida soberana dos Estados Unidos, o mundo acordou com a sensação de que estamos virados do avesso. 


As bolsas asiáticas já fecharam em forte queda. As européias, estão instáveis. A brasileira, opera em forte queda também, namorando os 50 mil pontos, o que não ocorre há três anos. E as bolsas americanas acabaram de abrir em queda fortíssima, tanto a de Nova Iorque quanto a eletrônica Nasdaq. 


Isso me lembra, meu Deus, aquele 16 de setembro de 2008, dia seguinte à queda do banco Lehmon Brothers, que levou o mundo a uma recessão comparada à de 1929.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Aos superendividados II


Por Rufino Carmona

Um número enorme de pessoas acessou a matéria da semana passada sobre os superendividados. Agradeço a todos. Só que mãos a obra que a situação de quem está superendividado não pode esperar!

Vou partir do pressuposto, conforme combinamos na semana passada, que você já saiba o total da sua dívida e que já tenha eleito aquelas contas prioritárias para sua sobrevivência.

Vou dar então três sugestões agora para lhe ajudar a sair desse quadro de superendividamento. Veja a que melhor se encaixa.

1)Se você possui algum bem com valor superior ou equivalente à sua dívida, não pense duas vezes: venda e quite tudo. Não adianta ficar desesperado e rolar dívidas a juros altíssimos, quando pode resolver tudo se desfazendo de um bem. É um bem de família? É um automóvel? É uma casa de praia? Pensa bem: De que vale qualquer um desses bens ou o que eles podem lhe proporcionar se você não consegue dormir? Em relação ao automóvel, só não venda se ele for usado como ferramenta de trabalho, porque, nesse caso, você paga a dívida e fica sem trabalhar depois.

2) Você pode trocar dívidas caras por outras mais baratas: nem todo mundo tem essa chance, ainda mais quando está muito endividado. Mesmo assim, vale consultar o banco ou uma financeira e saber dos créditos disponíveis. Por exemplo: se você está no rotativo do seu cartão de crédito, pagando juros de 13% a 15% por mês, que tal pegar um empréstimo pessoal de 5% a 7%? Ou até penhorar suas jóias a juros bem mais baixos ainda? Nesse caso, você pega esse novo empréstimo e quita o anterior. A dívida vai continuar, só que a juros bem menores do que antes. Outra opção é o empréstimo consignado, se você é servidor público ou aposentado.

3) Renegocie com cada um dos seus credores: como é impossível fabricar dinheiro e como você não pode deixar de comer nem de pagar as contas básicas de água, de luz e a da casa própria, as outras que estiverem em atraso, você deve procurar o credor. Não finja que as cartas de cobrança não chegaram. Vá até à loja ou ao banco e renegocie sua dívida de um modo que seja possível pagá-la. Mostre sua situação de momento e diga claramente que deseja quitar o débito, mas que precisa ser de uma maneira que não volte a comprometer suas finanças no futuro. Se você quer pagar, tenha certeza de que seu credor deseja receber também. E ele sabe que se não fizer um acordo que seja realmente possível para você, ele não vai ver um único centavo. Ou seja, a renegociação é boa para todo mundo.

Na semana que vem, vou dar mais algumas dicas. Mas veja se, com essas, não é possível resolver, pelo menos, parte do problema.

E antes de terminar, preciso ressaltar dois pontos: nunca deixe seu nome “sujo” no SPC. Procure, de toda maneira, resolver suas pendências para “limpá-lo”. Seu nome é o seu maior patrimônio.

E o outro: quando você sair dessa situação de superendividamento, não volte a comprar sem antes pensar muito nas suas aquisições: se são possíveis dentro do seu orçamento e se até são realmente necessárias. Aprenda com os seus erros!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Políticos americanos piores que os brasileiros?


Por Rufino Carmona

A crise americana teve um desfecho favorável ontem. Os EUA não vão dar calote no mundo. Mas esse foi somente o primeiro capítulo de muitos que prometem levar às últimas conseqüências uma briga interminável, e totalmente polarizada, entre democratas e republicanos, que só pensam nas eleições do ano que vem.


Nem por um momento, pensam no seu povo. São parecidos com seus pares brasileiros. Mas parece que os daqui, por incrível que pareça, têm um pouco mais de juízo. E quem sofre, nessa história, não são só os americanos. Todo o mundo vai acompanhar, com atenção e medo, o desenrolar dessa crise, ainda muito mais política do que econômica, que assola o Tio Sam.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Aos superendividados



Por Rufino Carmona

Sabe quando você está diante de alguém desesperado e não sabe o quê dizer à essa pessoa? É dessa forma que eu me sinto agora ao iniciar esse texto. Minha intenção é dar algumas dicas para quem está todo enrolado com dívidas em cartões de crédito, cheque especial, consignados ou mesmo com contas atrasadas. Mas ao me transportar, um único instante que seja, para o íntimo desse alguém, é como se eu sentisse também o mesmo desespero.

Mas tem uma explicação: eu já fui um superendividado. Então, eu guardo, no meu inconsciente, essa sensação ainda, apesar de não vivê-la mais hoje. Vou parar por alguns minutos para me estabilizar, porque ninguém ajuda quem quer que seja estando angustiado.

Ok. Parei por cinco minutos, relaxei, pensei um pouco e resolvi dar apenas duas dicas hoje, até porque não adianta fazer uma lista. Quem está nessa condição não agüenta mais ver listas na frente.

A primeira dica pode parecer meio boba. Mas não é. Você já somou tudo o que deve? Por exemplo: se um gênio da lâmpada lhe perguntasse: “Fulano, de quanto você precisa para pagar tudo o que deve?” Você saberia responder ao gênio? Claro que não estou contando com uma hipótese redentora para você pôr fim às dívidas. Mas é de extrema importância saber o total dela.

Vamos lá: para fazer essa conta não considere, por exemplo, as prestações que ainda estão por vencer. Apesar de serem dívidas que você contraiu, elas ainda não estão atrasadas. Você deve, por exemplo, a quantia que está rolando, há meses, no rotativo do cartão de crédito, os meses de atraso da luz, da água, do telefone, aquelas prestações da escola do seu filho que já venceram, enfim, tudo o que já era para ter sido pago e não foi.

Bem, o segundo passo é eleger o que é prioritário para a sua sobrevivência. Apesar de estar superendividado, você precisa comer e ter água e luz em casa. Essas contas precisam ser quitadas ou, pelo menos, o atraso não pode nunca ultrapassar 60 dias. Senão, você já sabe, não é? Ah! A prestação da casa própria também é prioridade. Senão, você perde o imóvel e tudo o que já pagou.

Na semana que vem, vou seguir com você, passo a passo, sabedores já do montante devido e tendo eleito todas as prioridades para você não correr riscos iminentes de saúde nem de perda de bens.

Que você tenha frieza e paciência para administrar esse momento tão difícil. Mas acredite sobretudo que tem saída. E não falo isso da boca para fora. Como já disse, eu falo por experiência própria.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Toma jeito Tio Sam!


Por Rufino Carmona

Hoje é dia 22 de julho. Se até 2 de agosto, o Congresso dos Estados Unidos não resolver o impasse sobre a elevação do teto de endividamento do país, estará decretado o primeiro calote do grande império do norte. E, por ironia do destino, um dos países que deixará de receber seus trocados será o Brasil. Sim, o nosso Brasil que, alguns anos atrás, assustava o mundo, como em 1987, quando deixamos de pagar, por um tempo, a dívida externa.

Mas nossa dívida externa já não existe. Ninguém mais se assusta com o Brasil. Pelo contrário. Temos problemas hoje é com a enxurrada de dólares que não para de entrar pelos quatro cantos do país. Fico pensando se, por um instante, num momento transcendental, esse meu texto fosse lido pelos economistas brasileiros que lutavam bravamente para dar alguma credibilidade ao país, lá pelos anos 80, 90. Eles certamente não acreditariam no quê escrevo hoje. Ririam da minha cara.

Mas voltemos a 2011. Para ninguém se alardear, é evidente que os Estados Unidos vão resolver isso antes do fatídico 2 de agosto. É que, pelo menos por enquanto, o problema ainda é mais político do que econômico propriamente. O partido Republicano está esticando a corda até não poder mais para desgastar o presidente Obama e assim conseguir emplacar alguns de seus projetos e ainda se fortalecer um pouco para concorrer contra o próprio numa eleição em que terá pouquíssimas chances de vitória.

Só que, apesar de a crise ser mais política, a economia dos Estados Unidos já dá sinais, há um bom tempo, que não tem a mesma pujança de outrora. Eles ainda vão ser, por muitos anos, o país mais rico do mundo, mas o distanciamento em relação principalmente aos emergentes tende a ser cada vez menor.

A dívida americana é simplesmente igual à soma de tudo que produzem anualmente. Se isso acontecesse aqui no Brasil, o mundo já teria nos dado às costas há tempos. Mas o Tio Sam é o Tio Sam. Eles ainda gozam da vantagem de não terem, em toda a história, um só momento em que não tivessem honrado seus compromissos. São o porto seguro do capital do mundo.

Mas que não tomem tenência! Se continuarem a se afundar em guerras intermináveis e não contiverem os gastos públicos, esse império acaba muito antes do que qualquer historiador pudesse esperar.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Poupar é preciso

Por Rufino Carmona

Em quase 20 anos de jornalismo, já entrevistei tantos economistas que até perdi a conta. E o assunto mais recorrente foi finanças pessoais. Tenho uma grande coletânea de informações sobre o tema e vou dividir com você, leitor, todas às quartas-feiras aqui nesse espaço.

Hoje, vou falar sobre poupança. Todo mundo sabe da importância de se criar um “pé de meia”, mas poucos conseguem.

Pois bem, a teoria que vou passar para você agora me foi explicada por vários economistas. Mas a primeira vez que escutei sobre ela foi através de um professor meu lá do ensino médio. Nunca me esqueci. Disse ele para a turma: “Nós temos muitas contas para pagar todos os meses. Que tal criarmos mais uma?”

A turma olhou com espanto para o mestre, que logo explicou: “Não estou falando para comprarmos mais não, gente. Essa conta nova é o dinheiro que devemos colocar na caderneta de poupança assim que recebermos o nosso salário. Eu faço isso há muitos anos. Sempre tenho uma boa reserva em caixa e, o que é melhor, rendendo 6% ao ano além da inflação”.

“Quando eu recebo o meu salário, separo 20%, vou ao banco e deposito na caderneta de poupança. Depois, pago as minhas contas, faço as compras do mês e vejo o que sobra. Com esse restante, passo o mês normalmente sem aperto”.

Esse meu professor era muito sábio. E nem era de matemática. Era de OSPB. Sim, essa matéria fazia parte do currículo escolar na época: Organização Social e Política Brasileira. Ele tocou nesse assunto durante uma discussão sobre política. Nem me lembro por qual motivo.

Tenho certeza que todos nós que estávamos nessa aula nunca esquecemos dessa grande lição. Esse dinheiro que ele guardava e que ainda rendia servia como um colchão no qual podia dormir tranqüilo. Sempre tinha uma reserva para os imprevistos da vida. E é assim que eu tento agir até hoje. Nem sempre é possível ser tão objetivo como o meu professor dizia ser. Mas lembro disso quase que diariamente.

Tem muita gente que gasta dinheiro, às vezes, comprando itens totalmente desnecessários e que acabam, em algum momento, tendo que recorrer a empréstimos bancários, quando podia ter construído esse colchão e não pagar os juros estratosféricos cobrados pelos bancos na concessão de crédito.  

E aí: você já age dessa forma? Se não, acha que pode conseguir?

Na semana que vem, vou dar algumas dicas para os superendividados. Espero que não seja mais preciso apelar para a Santa Edwiges nem para Santo Expedito!