quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sobre a Tristeza


A tristeza é irônica.
Ora me faz crescer, ora me faz chorar.
Chega a ser cômica,
Quando por ela me deixo inspirar.

Às vezes choro sorrindo,
Agradecendo por ser capaz de sentir.
Meus ouvidos ouvem sons tinindo,
Sons que não consigo distinguir.

Talvez sejam palavras não ditas,
Que me perturbam o sono noite afora.
Lembranças de atitudes (não) cometidas,
Das quais me arrependo agora.

Talvez seja apenas a música alta no vizinho,
Ou fogos comemorando alguma vitória no futebol.
Talvez tudo que eu precise seja de um cálice de vinho,
E esperar, singelamente, que nasça o sol.

Raia o dia finalmente,
Vejo-me obrigada a largar a caneta e o papel,
Sob meu corpo sinto caindo a água quente,
E olho aliviada para o céu.

Observo gaivotas voando na direção norte,
Lojas abrindo, a cidade despertando;
Some de mim aquela dor forte,
Com a qual, aos poucos, fui me acostumando.

A minha tristeza não é constante,
Aparece de quando em quando,
Da dor ela é amante,
Mas eu não me rendo, continuo andando!

O costume não me faz senti-la em menor intensidade,
Mas dificulta que as lágrimas caiam.
A tristeza também não diminui a felicidade,
Como todo poeta, exploro sentimentos e permito que de mim saiam.

Demonstro-os a todo momento, sem receio.
Sinto que isso é uma coisa boa,
Meus próprios versos eu releio.
E concluo: sou poeta. Diversos sentimentos em pessoa.
Julho de 2009

terça-feira, 19 de julho de 2011

Música é vida, vida é cor, cor é natureza


Bem-te-vi, no reflexo do lago,

Arrisca-se, beija-flor

Retira seu néctar


Cores mil colorindo o céu.

Colibri. Seus miúdos olhos,

Cheios de vida e saber.

Sabiá, seu canto encanta

Como uma lira, uma harpa,

Um canário. Cenário lindo,

A natureza.
Tudo é música.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Nos braços do Cristo

Foto: Rodrigo Shampoo
"Cristo Redentor

Braços abertos sobre a Guanabara"
Tom Jobim, em Samba do Avião

Você sabia que muitos cariocas da gema nunca foram ao Cristo Redentor? Pois é. Inaugurado em 12 de outubro de 1931, o monumento levou cerca de cinco anos para ser construído e é um dos principais pontos turísticos do Brasil.

Mas ao contrário do que muitos pensam, não foi um presente da França. A obra foi concebida no Brasil a partir de doações de paróquias e arquidioceses de todo o país. Do país europeu, vieram apenas uma réplica de quatro metros e o modelo das mãos feito pelo escultor Paul Landowski.


Em 2007, por meio de um concurso que contou com mais de 100 milhões de votos - via internet e telefone -, o Cristo Redentor foi eleito uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Então o que você, carioca ou turista, está esperando? Vá lá nesse final de semana. Uma boa opção de acesso é o trem do Corcovado. Até chegar aos braços do Cristo, você vai ser presenteado com as belezas naturais da maior floresta urbana do mundo, a Floresta da Tijuca.

Vai ser tudo de bom!


Endereço: Parque Nacional da Tijuca
Acesso: Estrada de Ferro Corcovado - Rua Cosme Velho, 513
Mais informações: 
http://www.corcovado.com.br/

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Uma esperança que nasce



Por Carlos Pinho

Confira o diálogo entre um curioso menino e um casal gay. O vídeo mostra o pequeno Calen intrigado com a relação dos dois, tentando entender como era possível existir um casal de “dois maridos”. Acompanhe, na íntegra, a reação da criança que, mesmo surpresa, deu uma lição de civilidade e de respeito ao próximo. 




Será Calen o símbolo de uma nova geração mais tolerante com a diversidade?       



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Por quê em 13 de julho?


Por Carlos Pinho

O Dia Mundial do Rock é uma das datas mais celebradas entre os amantes do som. Mas você sabia por que esse gênero musical, desenvolvido a partir da década de 1950 nos Estados Unidos, é comemorado no dia 13 de julho?

Bob Geldof

O dia 13 de julho de 1985 entrou para a história da música por conta do Live Aid, um festival de rock organizado por Bob Geldof com o intuito de levantar fundos para o combate da fome na Etiópia. Os concertos foram realizados no Wembley Stadium, em Londres e no John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia. Japão, Rússia e Austrália também participaram.










Freddie Mercury regendo o público

Considerada por muitos a melhor apresentação desse festival histórico, separamos, para você, a performance da banda britânica Queen.


13 DE JULHO - DIA MUNDIAL DO ROCK!


Foi no dia 13 de julho de 1985 que um cara chamado Bob Geldof, vocalista da banda Boomtown Rats, organizou aquele que foi sem dúvida o maior show de rock da Terra, o Live Aid, uma combinação perfeita de artistas lendários da história da pop music e do rock mundial.

Além de contar com nomes de peso da música internacional, o Live Aid tinha uma causa maior embutida, que era a tentativa de conseguir fundos para que a miséria e a fome na África pudessem ser pelo menos minimizadas.

Dois shows foram realizados, um no Wembley Stadium, na Inglaterra e outro no JFK Stadium, nos Estados Unidos.

Os shows traziam figuras ilustres da música mundial, como Sir Paul McCartney, The Who, Elton John, Elvis Costello, Black Sabbath, Sting, U2, Dire Straits, David Bowie, The Pretenders, The Who, Santana, Madona, Eric Clapton, Led Zeppelin, Duran Duran, Bob Dylan, Lionel Ritchie, Rolling Stones, Queen, e muitos outros, alcançando uma audiência na televisão de aproximadamente dois bilhões de telespectadores em cerca de 140 países.

Ao contrário do festival Woodstock, o Live Aid conseguiu tocar não somente os bolsos e as mentes das pessoas, mas também os corações.

O show no JFK Stadium marcou a única reunião dos três sobreviventes da banda Led Zeppelin, Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, com a presença ilustre de Phil Collins na bateria, precisa falar mais alguma coisa? Foi sem dúvida um momento único na história da música!

No final do show, uma maravilhosa canja: Mick Jagger e Tina Turner juntos, cantando State of Shock e It's Only Rock and Roll, com os ex-integrantes dos Temptations fazendo os backing vocals.

Em 16 horas de show o Live Aid conseguiu acumular cerca de 100 milhões de dólares, totalmente destinados ao povo faminto e miserável da África. Isso é a cara do rock and roll, ATITUDE!

Desde então, o dia 13 de julho é comemorado como o DIA MUNDIAL DO ROCK!

Mas de onde surgiu a expressão rock and roll?

Embora a tradução literal seja algo como balançar e rolar há uma evidente conotação sexual nessa expressão composta. Porque tanto rock quanto roll, na gíria dos negros americanos, significava trepar. Por outro lado, o clássico Rock me Baby, inverte o sentido do verbo embalar, já que é ela, no caso a garota ou o garoto quem embala o adulto.

A segunda explicação, que completa a primeira, vem de um provérbio inglês que diz: pedra que rola não cria musgo.

Assim a expressão já aparecia em várias letras de blues e rhythm’n’blues como Good Rockin’ Tonight, de Roy Brown, mesmo antes de ser adotada como nome do novo estilo musical, que surgiu nos anos 50, com Bill Halley e Elvis Presley, e consistia basicamente na fusão desses ritmos negros com a música country.

Segundo reza a lenda, o DJ americano Alan Freed, apresentador de um programa de rádio intitulado Moondgo's Rock'n'Roll Party, foi o popularizador do nome do ritmo. Freed acabou cunhando a expressão que fez imediato sucesso junto ao público jovem, de tal forma, que ele próprio organizou o primeiro concerto de rock, em 1953, ocasião em que apareceram mais de 30 mil pessoas num local com capacidade para no máximo 10 mil, o que fez o evento ser cancelado por receio de tumulto.

Meses depois, o concerto foi replanejado e acabou se transformando em um estrondoso sucesso, com a participação de Big Joe Turner, Fats Domino, The Moonglows e The Drifters.

Na plateia mais de dois terços da audiência era formada por jovens brancos, o que provava a atração da juventude dessa década pela música negra.

Em 1956, surgia o primeiro grande fenômeno mundial do Rock: Bill Haley e Seus Cometas. Ele misturava três gêneros musicais distintos da tradição americana: blues, country e jazz. Sucesso imediato.

E na sequência, um cantor americano de igreja do Memphis, no Tennessee, Elvis Presley teve a feliz inspiração de incluir uma quarta vertente: o gospel.

Em pouco, Elvis se tornou o símbolo máximo dessa ruptura com a melodia bem comportada dos negros das pequenas cidades do sul, para fundi-la num ritmo alucinante potencializado por uma coreografia quase erótica de se apresentar.

Na década de 60, o rótulo foi abreviado para rock, para abranger as mudanças provocadas por artistas como Bob Dylan e Beatles, abrindo um leque de infinitas variações: rock progressivo, folk rock, hard rock, heavy metal etc.

A partir de então, o termo rock’n’roll passou a significar exclusivamente o estilo original, característico da década de 50.

Então aproveite, balance, role! Viva o Rock and Roll!

terça-feira, 12 de julho de 2011

E NO FUTURO NOSSAS CIDADES SERÃO AQUÁTICAS!


Com o aumento do aquecimento global e a intensificação do degelo polar, o nível da água do mar está crescendo e em pouco tempo, segundo os especialistas, a terra será engolida pelos oceanos e aqueles que quiserem sobreviver terão que se adaptar e viver em cidades aquáticas, que ficam vagando pelos mares dia e noite.

Parece coisa de filme, né? tipo, Waterworld - O segredo das águas. Mas não, para o arquiteto francês Vincent Callebaut, que pensando nisso, já projetou sua própria cidade aquática auto-sustentável: a Lilypad, cujo design é inspirado em uma vitória régia da Amazônia.

A cidade ecológica flutuante possui três setores e cada um deles será destinado a uma atividade: trabalho, entretenimento e moradia. No centro da cidade, interligando todos eles, há um lago, abastecido pela chuva, de onde os moradores obterão água potável, a partir de um sistema próprio de purificação.

A alimentação é obtida através de hortas, localizadas ao redor do lago, e toda a cidade será coberta por jardins suspensos, que promoverão a integração do homem com a natureza.

A Lilypad também será equipada para produzir energia eólica, hidráulica, solar, térmica e, também, a partir de biomassa e do movimento das ondas.

E não é só isso, a cidade aquática será construída com fibras de poliéster e receberá camadas de dióxido de titânio, que, segundo o designer, absorvem a poluição atmosférica quando entram em contato com os raios ultravioleta, ou seja, além de tudo, a Lilypad ainda ajudaria a reduzir a poluição do planeta.

Outra ação em relação ao tema é um projeto holandês do escritório de arquitetura WHIM, chamado Recycled Island, que consiste em construir uma enorme ilha capaz de abrigar as pessoas que poderão perder suas casas por causa de fenômenos provocados pelas mudanças climáticas.

Ela seria construída juntando todo o plástico que hoje está flutuando sobre as águas da região oceânica que é considerada o maior depósito de lixo do planeta, o Giro Pacífico Norte, e usando esses resíduos para construir a ilha com as mesmas proporções territoriais da cidade de Manaus. A meta é formar um território insular flutuante onde existam casas, comércio, lazer e plantações.

"- Queremos propor um habitat confortável, mas que não precise depender de recursos oferecidos por outros países", diz Ramon Knoester, um dos criadores da ideia, que está sendo viabilizada.

Talvez seja mesmo a solução para os problemas do mundo como o conhecemos, mas no momento, não passa de imaginação de seus criadores.

Enquanto isso a matéria-prima de nossas futuras moradias continua por aí, boiando e poluindo nossos mares!

Deus da Carnificina: teatro e realidade

Completando um ano em cartaz, “Deus da Carnificina” gira em torno de dois casais que se encontram para conversar sobre uma briga ocorrida entre seus respectivos filhos. E a conversa, à medida em que se desenvolve, acaba por deixar vir à tona sutis problemas presentes na vida dos dois casais. A demora para se resolver algo sobre o assunto proposto acaba por estressar os personagens, fazendo com que, com o decorrer do tempo, a inicial cordialidade perca espaço para atitudes impulsivas e que, por um lado, são mais sinceras, deixando para trás a hipocrisia do “fingir simpatia“. Com perspicácia é possível perceber fatos comuns às pessoas e casais de modo geral e que, na peça, são transmitidos aparentemente em segundo plano mas de modo fundamental para que a mesma se desenvolva. Chega um ponto em que cada um dos personagens reflete sobre si mesmo e de modo quase escondido temas como crises conjugais e liberdade aparecem. Ou seja, a peça aparentemente singela acaba por rasgar a falsa polidez social.
Com um diálogo muito bem-humorado, “Deus da Carnificina” (Le Dieu Du Carnage, originalmente) foi escrita pela dramaturga argelina radicada francesa Yasmina Reza, que se baseou no comportamento da classe média francesa com muitos toques de ironia.
Encenada primeiramente em Zurique, em 2006, “Deus da Carnificina” recebeu diversas sucessivas montagens. A versão londrina, de 2008, teve o consagrado ator Ralph Fiennes no elenco e ganhou o prêmio Laurence Olivier de melhor comédia. O texto alcançou a Broadway em 2009 e conquistou o prêmio Tony nas categorias melhor peça, melhor diretor (Matthew Warchus) e melhor atriz (Marcia Gay Harden). Há projetos de transformá-la em filme em 2012. A produção brasileira é dirigida por Emílio de Mello e possui tradução de Eloisa Ribeiro e seu excelente elenco é formado por Julia Lemmertz, Paulo Betti, Deborah Evelyn e Orã Figueiredo; e já rendeu diversos prêmios, como o QUEM 2010 e o merecido APTR a atriz Julia Lemmertz, na categoria melhor atriz de teatro.
Com um cenário simples e um elenco de apenas quatro atores e personagens que se mantém quase o tempo todo em cena, a peça prende a atenção da plateia de uma maneira que, com essas características, é difícil acontecer. Fato que pode levar à conclusão de que a produção é realmente muito boa.
Até o último dia 3 em temporada no Rio, “Deus da Carnificina” participou do Festival de Inverno do Sesc em Petrópolis e em Teresópolis e de 22 de julho a 28 de agosto segue em temporada em São Paulo. Para quem estiver na capital paulista e tiver oportunidade, vale a pena assistir!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Crônicas sobre o meu tempo

Muitas vezes pedimos para o tempo passar mais rápido, outras vezes caímos em contradição e gostaríamos de ter o poder de pará-lo. Seria fácil! Bastava quebrar o relógio! Mas o tempo lá fora não pararia, e tempo seria perdido, este bem precioso que não queremos abrir mão, nem que seja para não fazer nada e reclamar depois que não temos tempo para nada.

Tique taque dia e noite, noite e dia, neste ritmo frenético minha mãe dizia o que eu tinha que fazer nas primeiras horas do dia: “hora de acordar, hora de ir para a escola”... Já na escola, quem ditava o ritmo era o sinal que estava sempre cinco minutos atrasado do relógio de parede da sala de aula. Mas a hora era sempre mais devagar quando estava perto da hora do recreio. Só que depois do recreio passava rápido e logo era hora de ir embora.

Ah, meu relógio de parede! Marcava sempre 13 horas quando o almoço estava na mesa. O meu relógio nunca errava. Mas logo depois ele dava uma de dedo duro e avisava para a minha mãe que era hora do banho, e, depois do banho, o dever de casa. Sentia raiva do meu relógio redondo pendurado na parede da cozinha, preto e branco com grandes números de um a doze e três ponteiros que não paravam de rodar, às vezes faziam um tique taque insuportável.

Mas o meu relógio se redimia quando falava para minha mãe que eu já podia brincar, e brincando eu esquecia do tempo, até ser chamado para tomar banho e jantar. Como eu odiava o tempo que parecia andar mais rápido enquanto eu brincava do que enquanto eu estudava.

Que relação de amor e ódio é essa que eu tenho com o tempo? Será que todos têm? Por que eu tinha que ir dormir sem sono? Esse tal tempo é poderoso, ele não para nunca, e ainda põe todos ao seu dispor. Menos eu, que enquanto estava sem sono olhava para a janela e o via passar na maior tranquilidade, pensando no novo dia que o sol traria na manhã seguinte.

Hoje eu sou escravo do meu tempo, sempre olho para as paredes à procura de um relógio. Mas ainda guardo o velho hábito da infância de olhar para janela sem sono antes de dormir. Então eu olho para o meu velho relógio de parede e penso “estou livre de você, pelo menos até acordar”.

Neste momento, eu queria ser um gato, que recebe carinho e não se preocupa com o tempo. Mas esse felino come ração: “eca!”. Prefiro ver a hora e olhar para o meu relógio de parede. Já estou atrasado!


domingo, 10 de julho de 2011

Nostalgia em rosto de menina



Vai mais uma dica esta semana. Gizelle Smith, cantora pouco conhecida no Brasil, é um dos novos talentos da música negra americana. Combinando influências do Soul e do R&B, Gizelle dá um tom nostálgico a suas músicas. Siga com "Working Woman".

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O poeta está vivo!


Por Carlos Pinho

Cazuza nos deixou órfãos há exatos 21 anos. O menino que queria mudar o mundo buscou todo o amor que houvesse na vida para ver seu dia nascer feliz. 


De tão exagerado em sua vida louca, fez parte do seu show enfrentar o tempo, que teima em não parar, nesse mundo, que, segundo Cartola, é um moinho. 


O poeta está vivo em cada verso que compôs, em cada canção eternizada, que nos arrebata com ideologia e nos emociona como segredos de liquidificador. 


Viva Cazuza!     

A Revolta dos Bueiros

"Não tem mais bala perdida, agora é bueiro perdido", diz uma moradora da cidade do Rio de Janeiro e diversos jornais, impressos e virtuais, repetem o dito. Já foram mais de 10 os registros de bueiros com problemas, grande parte causando explosões e até mesmo fazendo com que alguns voassem pelos ares. E aí Light, qual é a sua? exterminar parte da população que usufrui da energia elétrica para viver? olha, elas pagam as contas de luz de suas respectivas casas... são delas que vêm o dinheiro que mantém a empresa, viu?
Só rindo para não chorar. É preciso debochar bastante porque, meu povo, não dá pra levar isso a sério demais. É isso o que fazem conosco, debocham descaradamente de nós. Pagar 100 mil reais de multa é pouco. Reformar quatro mil câmaras subterrâneas nos próximos dois anos pode ser muito: muito tempo! É claro que o número de câmaras é absurdo para que seja possível reformá-las em menos tempo, mas isso só deixa mais claro ainda o quanto riem de nós. Afinal, deixar acumular essa quantidade toda de câmaras com problemas, mesmo quando pequenos, é simplesmente demonstrar o quanto desejam apenas o dinheiro em suas contas no fim de cada mês (e que quantias devem ganhar os donos de uma empresa como essa, hein?) mas o bem-estar da população, ah! isso não importa.
Está na hora de desenvolvermos um pouco nossas paranóias e o T.O.C que há em cada um de nós (Transtorno Obsessivo Compulsivo), mesmo que minimamente: vamos andar pelas ruas olhando desesperadamente para os bueiros e nos esforçando para passarmos longe daqueles que pertencem à Light (se é que as empresas de gás não estão envolvidas nisso). Afinal, melhor parecer meio louco do que correr o risco de sofrer graves queimaduras ou até morrer (ou não?).
Conclusão: no nosso país, como é de conhecimento de todos, política e medidas de infra-estrutura são sinônimos de descaso, e povo é sinônimo de conformismo (cadê as revoltas???). Aliás, para os integrantes do alto escalão nacional (financeiramente, porque nos quesitos 'honestidade' e 'compromisso' estão no último patamar possível da hierarquia da sociedade), povo é sinônimo de 'NADA'.
Vamos continuar acompanhando as notícias e, é claro, tendo muito cuidado ao andar na rua. Seria legal se inventassem um aparelho detector de perigos. Que tal? enquanto isso continuamos no nosso dia-a-dia, de olho nos acontecimentos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Aprenda com as minas, Mano!


Por Carlos Pinho

Quem para por mais de uma hora assistindo aos jogos dos rapazes de nossa seleção – que, infelizmente, não é mais nossa e sim da CBF – está perdendo um tempo precioso de vida. Um velho amigo me dizia: “quer ver espetáculo? Vá ao show da Madonna. Eu quero vencer e ser campeão”. Obviamente que todos querem ver seu time vencedor, mas, quando acompanhado de um belo futebol, melhor ainda. Belo futebol que as feras da NOSSA (agora sim) seleção feminina vêm mostrando em gramados alemãs. E, minina, essa seleção tá um arraso! (Ops, desculpe a exaltação) 


Para quem não sabe, pois só vê a Globo, as meninas vão muito bem e obrigado na Copa do Mundo disputada na terra do chucrute. Marta e cia. alcançaram a classificação no último domingo com a vitória sobre a Noruega por 3 a 0 e joga neste momento (agorinha, agorinha mesmo) contra a Guiné Equatorial praticamente em ritmo de treino.


Guiné Equatorial que protagonizou uma cena das mais dantescas da história do esporte no último domingo. Enquanto se defendia do ataque australiano, a jogadora africana agarrou a bola dentro da sua área, passeou com a pelota por alguns instantes e nada da juíza marcar pênalti, para o desespero das lindas atletas oceâniacas (quem nasce na Oceania).


Voltando às seleções brasileiras, os “manos” do Mano precisam ver o que essas moças estão fazendo. Contra a “fortíssima” Chavezuela, digo, Venezuela, país do baseball e das estatizações inesperadas, foi um martírio. . . para o torcedor. Foi a prova de que nem sempre uma equipe que entra em campo com três atacantes é ofensiva. Rapazes, senão repetirem todas as jogadas feitas pelas “minas”, pelo menos tentem atuar com objetividade e com sandálias rasteiras, pois salto alto prejudica na hora de correr atrás da bola.  

terça-feira, 5 de julho de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A literatura de Monteiro Lobato


Por Carlos Pinho

Autor de obras que marcaram o imaginário de jovens de muitas gerações, Monteiro Lobato nasceu na cidade de Taubaté, no dia 18 de abril de 1882. Criado num sítio, foi alfabetizado pela própria mãe e tomou gosto pela leitura ao descobrir a biblioteca do seu avô, o Visconde de Tremembé. Desde os primeiros anos de estudante, já escrevia contos para os pequenos jornais escolares. 

Seu sonho era ingressar na Faculdade de Belas Artes, porém, por imposição do avô, acabou cursando Direito na antiga Faculdade do Largo do São Francisco. Além da paixão pela escrita, Monteiro Lobato também era desenhista e caricaturista.

Monteiro Lobato também escrevia para o público adulto. Escreveu textos criticando o governo da época de Getúlio Vargas e chegou até a ser preso por conta das suas declarações.




Mas, de fato, o grande sucesso do escritor deu-se pela literatura infantil. E a série de livros Sítio do Picapau Amarelo foi a sua maior façanha, levada, anos mais tarde, à tela da televisão, nas emissoras Tupi, Cultura, Bandeirantes e Globo. Personagens como Pedrinho, Narizinho, Emília, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Cuca, entre outros, permanecem vivos na lembrança dos jovens de ontem e de hoje.

Monteiro Lobato, de Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e Picapau Amarelo (1939), morreu em São Paulo, em 4 de julho de 1948, devido a um espasmo cerebral. Desde 2002, empresta a data de seu aniversário para a comemoração do Dia Nacional do Livro Infantil.

Para homenagear esse ícone da literatura infantil, selecionei algumas de suas frases:

"– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e, por fim, pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"

“Loucura? Sonho? Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira, mas tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum”.

“Um governo deve sair do povo como a fumaça de uma fogueira”.

"Um país se faz com homens e livros".

domingo, 3 de julho de 2011

Paulinho da Viola no programa "Andante"

Um bocado da história do samba através da descoberta da trajetória de Paulinho da Viola enquanto músico profissional. O programa, além da entrevista com o próprio Paulinho, traz depoimentos de grandes nomes do samba, como o grande Elton Medeiros, uma de suas maiores influências. Vale a pena conferir.





sábado, 2 de julho de 2011

Carta a um amor falecido, porém vivo

Meu amor, onde você está? Tenho virado de um lado para o outro todas estas noites, procurando pelo seu corpo, pelo seu toque, sua simples presença. As últimas noites têm sido tão profundamente frias. Cadê o calor de sua pele pra me aquecer? Quero seu corpo no meu me fazendo transpirar. Transpirar de amor.
Meu amor, onde você está? A carência do meu corpo está me enlouquecendo. A carência de minha alma está me deprimindo. Quero suas mãos dentro de mim, sua língua em meu ouvido e seu cheiro em meu lençol. No nosso lençol.
Esta cama sem você me parece mais um deserto árido e sem vida. É grande demais só pra mim, um vazio. Não é mais um ninho de carinhos, é apenas uma cama. Eu quero sentir o seu cheiro. Perfume de homem. Eu quero sentir o seu gosto salgado de pele suada. Ah, como eu quero! Quero dormir cansada depois de nos amarmos. Sua respiração em sono profundo é uma melodia bela e aconchegante, na qual me perco em devaneios mil.
Vem, meu amor. Eu tiro minha roupa pra você. Eu visto o espartilho de que você mais gosta. Eu me entrego aos prazeres da carne. E se for pecado ser feliz assim, então que eu peque. Que eu peque, mas com você e só com você!
Seria quase fácil superar sua ida se nesse momento você estivesse dormindo em algum outro lugar, em qualquer outra casa ou em um hotel. Se o seu sono fosse o diário e comum, e não o eterno. Meu amor, por que você se foi? Eu não consigo me convencer de que naquele caixão mórbido e preto encontra-se você. Oh, meu querido, por que isto foi nos acontecer? As pessoas me dizem: “você tem de superar”. Eu tenho, eu sei. Mas por mais que eu me esforce tem sido mais difícil do que eu jamais poderia imaginar! Meu grande homem, você é essa estrela no céu que vejo tão bem através da janela de nosso eterno quarto? Você é. É também a flor que exala seu perfume no vaso que está em minha cabeceira. Você levou um pouco de mim consigo, mas deixou também um pouco de si comigo.
Meu amor, onde você está? No céu, sem dúvidas. Ou em outro lugar tão belo quanto. Está comigo, sempre estará. Eu vou superar, mas você e eu sabemos, jamais irei lhe esquecer. Querido, ainda hei de lhe reencontrar. E o nosso amor reviverá, reencarnado ou não.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Luto, sofro, venço

Eu poderia escrever um poema sobre minha luta contra questões sociais,
A favor dos oprimidos, desfavorecidos, àqueles que sofrem preconceito
Por aqueles que passam fome, por aqueles que dizem não aguentar mais.
Por os outros tantos que sofrem de alguma doença séria, pra qual nem há jeito.

Poderia escrever também pela minha batalha contra os estúpidos,
Aqueles que são grosseiros de graça, que nada enxergam além do próprio nariz.
Ou por aqueles que se deixam levar pela ganância, extremamente cúpidos.
Pessoas que passam por cima de outras pra conseguir o que pensam que é ser feliz.

Ou talvez sobre minhas guerras e consequentes fracassos ou vitórias totalmente pessoais,
Aquelas que envolvem questões familiares, comuns e, no entanto, tão únicas.
Pessoas inconvenientes, ingratas, estilo "tudo fala e nada faz",
Questões financeiras. Lembranças sem utilidade, nem ao menos lúdicas.

Com um pouco mais de perseverança eu escreveria um poema inteiro sobre a política,
E é claro, minha, e creio que nossa, árdua luta contra a corrupção nela presente.
Políticos embriagados pelo mau-caratismo, como se este fosse uma bebida etílica.
Escândalos, roubos. Estão em seus postos por e para si mesmos, não pra fazer pela gente.

Sem me importar em ser 'quase-um-pouco-talvez' polêmica,
Posso falar da minha luta contra esse "povo-gado", que se deixa dominar.
É persuadido pela mídia, pelas falsas promessas. Gente isquêmica.
Sangue não corre, cérebro não funciona. Pensamento próprio não mais há.

Poderia me dar ao luxo de ser um pouco infantil, quase até convém com minha idade;
E dizer que luto contra os falsos amores adolescentes,
Os quais eu julgo tão tolos. Vivo só os verdadeiros. Desprezo esses sem vida, sem seriedade.
Sem amor, afinal. Há quem diga que ele não exista, mas eu e muitos mais continuaremos crentes.

No final das contas escrevi um poema sobre diversos aspectos que me causam tristeza,
E afirmo, sem sombra de dúvida, eu consigo ser feliz e continuar lutando apesar de tudo.
Sofro, choro, quase entro em desatino. Mas enxergo em meio a isso até mesmo beleza.
E admiro quem de algum modo não se mantém alheio: cego, surdo e mudo.

Então tento fazer a minha parte, da meneira que me for possível,
E vou lutando contra as injustiças, tão erradas e tão reais. Não sou guerreira.
Mas sou humana e não estou disposta a perder minha humanidade. O ruim não é invisível.
Só não vê quem não quer, e quem não quer já não é mais humano. Não sou freira.

Porém não sou má. Pequena, mas com sonhos e planos grandes.
E por conseguir ser feliz e, embora com muita dor, continuar nessa batalha,
Eu digo e afirmo: Sou vencedora. À medida que posso, corto mazelas com frandes,
E sei que a justiça dos homens é torta, porém a de Deus não falha.