domingo, 14 de agosto de 2011

Queremos Miles!


Não deixem de ler devido ao tamanho. Miles Davis é incrível, vale a pena. Confie no que digo e não se arrependerá!


Miles Dewey Davis Jr nasceu em 26 de maio de 1926 nos EUA e em 28 de setembro deste ano sua morte completará 20 anos.
Mais que um trompetista e compositor, Miles foi um artista completo, revolucionou não só o jazz mas sim a música de modo geral.
E é em homenagem a este incrível músico que o CCBB RJ traz a riquíssima exposição “Queremos Miles - Miles Davis”. Exposta desde o último dia primeiro, a exposição segue até o dia 28 de setembro deste ano. São cerca de 300 itens compostos por muitas fotografias, capas de LPs, composições em partituras, instrumentos musicais, declarações familiares, jaquetas, vídeos e até mesmo quadros por ele pintados e outros usados em capas de LPs seus.
Miles iniciou sua carreira logo após o término da Segunda Guerra Mundial e, apesar de ter sido inicialmente considerado sem habilidade e sem chances de obter sucesso, seu talento é comprovado em cada música sua que se ouve e, principalmente, na sua capacidade de criar seu próprio estilo de tocar e perpassar diversos gêneros musicais envolvendo-os ao jazz de uma maneira tão única, tão dele, que ninguém mais conseguiu fazer o mesmo.
A análise geral de sua carreira demonstra sua capacidade de adaptação e criação. Miles não foi conservador, não se manteve no mesmo estilo, pelo contrário. Mudou com cada gênero que se destacou, como um camaleão disfarçou-se em cada situação mas sempre sem deixar de ser camaleão, ou seja, mantendo sempre a sua essência: o jazz e, mais ainda, a paixão pelo que fazia.
Sua mãe desejava que ele tocasse piano mas foi no trompete que Miles se fez, se desenvolveu e se refez inúmeras vezes. Iniciou no bebop; integrou-se a um noneto que se destacou pelo uso de instrumentos não tradicionais na época, como a tuba e a trompa, e da onde saiu sua parceria com Gil Evans; entrou para o mundo das drogas; superou o vício em heroína; integrou seu primeiro grande quinteto com o qual explorou o jazz modal; o quinteto tornou-se um sexteto; gravou música clássica; gravou o álbum Kind of Blue, o qual, de acordo com a RIAA, é o álbum de jazz mais vendido até hoje, recebendo um disco de platina (3 milhões de cópias); foi preso, segundo ele, por motivos raciais; foi parceiro de John Coltrane; voltou ao repertório bebop mas agora com liberdade rítmica, sendo possível observar uma velocidade muito mais rápida em suas músicas; integrou seu segundo grande quinteto; criou o freebop (ou time no changes), como ficou conhecida sua improvisação na qual deixou de lado a progressão de acordes do bebop para uma modal; inseriu baixo e pianos elétricos e ainda uma guitarra, entrando em sua fase fusion; experimentou o rock e, consequentemente, criou o subgênero jazz-rock; influenciou-se pelo funk da década de 60; foi descrito como espacial; seus álbuns dessa época tiveram capas psicodélicas e relação com o movimento Black Power; participou da trilha sonora de um documentário sobre o boxeador Jack Johnson (Miles adorava o boxe); escreveu uma autobiografia; formou novos grupos; acrescentou até mesmo bateria à sua música; passou por um período em que teve osteoartrite, fez várias operações na bacia, teve também anemia, bursite, depressão e úlceras, fatos estes que o levaram a entrar novamente no mundo das drogas e também no do álcool; não se apresentou por alguns anos; relacionou-se com a atriz Cicely Tyson, com quem já havia se relacionado antes e com quem veio a superar seus vícios em drogas; um novo grupo foi formado; misturou soul music e eletrônica; passou pelo pop, tocando baladas de Michael Jackson; gravou comerciais, por exemplo contra o apartheid e até de cachaça; após um acidente vascular cerebral que afetou sua mão, passou a desenhar e fez bonitos quadros; fez trilhas sonoras para filmes; teve uma pequena participação em um filme; recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award em 1990; suas últimas gravações foram influenciadas pelo hip-hop, lançadas postumamente; faleceu em 28 de setembro de 1991 de AVC, pneumonia e insuficiência respiratória, em Santa Mônica, Califórnia, aos 65 anos de idade. Deixou uma herança cultural incrivelmente ampla. Fez seu nome, sua música. Fez história.
Difícil assimilar tanta coisa, não é? Aparentemente grande, o que foi escrito acima é literalmente um pequenino resumo de sua vida. O suficiente para ver o quanto ele fez, o quanto ele se modificou e criou. Muitas formações, substituições, confusões, problemas e também, é claro, alegrias. Mais que tudo isso, música em demasia.
A exposição no CCBB RJ (Rua Primeiro de Março, n° 66 - Centro) é gratuita, encontra-se no primeiro andar e fica aberta de terça à domingo, das 9h às 21h. Importada da França, tendo como curador Vincent Bessiéres, segue para São Paulo em outubro. Apresenta muitos objetos nunca antes expostos e eu afirmo: vale MUITO a pena conferir! Convido a todos para que compareçam, com bastante tempo livre, a ver com calma essa pequena viagem pelo musical mundo do jazz “à moda Miles”.
Em ordem cronológica, a música toca em cada recinto que compõe a exposição, sendo possível observar as diferenças e mudanças de cada momento e admirá-las intensamente. Há uma sala escura na qual é possível sentar e ficar o tempo que se quiser apenas ouvindo e apreciando sua música. A porta desta sala é arquitetada como a de um cofre. Nada mais adequado, não é mesmo? Não porque sua música deva ficar guardada mas porque é realmente de inestimável valor.
Este artigo em tamanho maior que o normal apenas demonstra o quanto tem-se pra falar sobre Miles Davis, ícone do jazz. Parabéns CCBB, por essa lindíssima mostra!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

E por falar em Claridade



Por Carlos Pinho 

A menina guerreira Clara Nunes faria hoje 69 anos. Dona de uma voz única e de graciosidade digna de uma rainha do samba, Clara nasceu na cidade de Paraopeba, em Minas Gerais. 

Iniciou a carreira aos 16 anos como Clara Francisca, quando participava de programas de rádio e de festivais locais, interpretando boleros. Na década de 1960, já carregando o nome artístico que a consagrou, sua carreira começa a deslanchar, mas só grava o primeiro LP em 1966 com um título bem apropriado: “A voz adorável de Clara Nunes”. 

O ano de 1968 representou um divisor de águas em sua carreira como sambista, quando emplacou seu primeiro sucesso, “Você passa e eu acho graça”, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial. Pesquisadora das danças e tradições afro-brasileiras, Clara consolidou-se de vez na década de 1970, sendo a primeira cantora brasileira a vender mais de 100 mil cópias. A mineira foi também puxadora de samba da sua tão amada Portela, no Carnaval de 1975, defendendo o samba “Macunaíma, herói da nossa gente”. 

Morreu em 4 de abril de 1983, num Sábado de Aleluia, após sofrer um choque anafilático durante cirurgia de varizes. Apesar de ausente há quase três décadas, sua voz ainda ecoa, noite e dia, nos corações brasileiros, principalmente nos dos portelenses.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aos superendividados III


Por Rufino Carmona

Caro amigo que se encontra nessa situação de superendividamento, depois das postagens das últimas duas quartas-feiras (06 e 13 de julho), me restou falar sobre ajuda profissional.

Consultor financeiro – talvez você não tenha condições, sozinho, de pôr em prática algumas das dicas dadas nas postagens anteriores sem ajuda de um profissional que entenda de finanças. Pois bem, as faculdades costumam disponibilizar esse serviço gratuitamente. Você pode buscar ajuda numa faculdade de economia ou mesmo na de matemática. Um estudante, sob orientação sempre de um professor, pegará o seu caso e vai pensar em todas as saídas possíveis junto com você. Vale a pena procurar hoje mesmo uma instituição de ensino superior perto da sua casa e expor o seu problema.

Psicólogo – vou chegar agora a um ponto que talvez seja o mais difícil de ser tocado. Segundo pesquisas, a grande maioria das pessoas que chegam a uma situação de superendividamento precisa de ajuda de um profissional da área de psicologia. Geralmente, não é a falta de dinheiro que causa o problema, mas a compra por impulso. Por isso, depois de fazer um trabalho enorme para sair do endividamento, acaba voltando à mesma situação em pouco tempo novamente.

Não consegue aprender com o erro, porque ela tem uma ânsia muito grande em comprar, adquirir, ter, possuir. Infelizmente, a maioria também sempre acha que não tem esse problema e não procura um profissional. Espero que, se esse for o seu caso, você tenha capacidade de discernimento e reconheça que precisa desse tipo de ajuda.

E o dinheiro para pagá-lo? Da mesma forma que eu falei sobre o consultor financeiro, as faculdades de psicologia também disponibilizam esse serviço gratuitamente. Se eu fosse você, procuraria, hoje mesmo, o consultor financeiro e o psicólogo. Você vai ver como será mais fácil sair dessa situação difícil com a ajuda de especialistas. Dê uma chance a você mesmo para sair dessa e não voltar nunca mais.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Uma pitada de samba e um bocado de histórias



Por Rodrigo Shampoo

A música “Pelo telefone” entrou para a história por ter sido o primeiro samba gravado, no ano de 1919. Mas deu uma senhora confusão. . .

 Tia Ciata

Por ter sido composta em uma roda de samba, no fundo de quintal da casa da Tia Ciata, sempre frequentada por inúmeros sambistas, a música, oficialmente de Donga e de Mauro de Almeida, foi requisitada e disputada por diversos autores, que alegaram participação em sua autoria.

Donga

Temos então diversas versões espalhadas por aí. Cantores consagrados, como Martinho da Vila, por exemplo, já gravaram o samba.


Confira uma das versões do samba “Pelo Telefone”:


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O mundo treme de novo



Por Rufino Carmona 

Tem dias que nós sabemos como começa, mas não fazemos a mínima idéia de como pode terminar. Hoje, é um desses. Com o rebaixamento da nota dos títulos da dívida soberana dos Estados Unidos, o mundo acordou com a sensação de que estamos virados do avesso. 


As bolsas asiáticas já fecharam em forte queda. As européias, estão instáveis. A brasileira, opera em forte queda também, namorando os 50 mil pontos, o que não ocorre há três anos. E as bolsas americanas acabaram de abrir em queda fortíssima, tanto a de Nova Iorque quanto a eletrônica Nasdaq. 


Isso me lembra, meu Deus, aquele 16 de setembro de 2008, dia seguinte à queda do banco Lehmon Brothers, que levou o mundo a uma recessão comparada à de 1929.


domingo, 7 de agosto de 2011

Permita-se

Não há fórmula para ser feliz.
O segredo da felicidade está no perigo que se encontra na esquina, no
inesperado.
Não se julgue e nem se culpe pelo que se fez ou se quis.
Pense mais no
melhor e pior pra você, não apenas no certo e errado.

As maiores emoções encontram-se nos acontecimentos não planejados.
Pensar é importante mas
jamais pensar demais.
Não evite por medo. Faça do medo e insegurança seus aliados.
Use-os para provar a si mesmo que é capaz.

Não há fórmula para o desejo.
O grande segredo está na
imaginação. Aquilo que você não conhece, apenas imagina.
O ardor e gosto do tão esperado beijo.
O que há por baixo das roupas da bela menina.

Faça dos seus sonhos suas maiores
armas contra a própria realidade.
Faça dos defeitos
motivação para se desenvolver e melhorar.
Com a vida
faça amizade.
Queira menos ser amado e queira mais amar.

As maiores verdades
São os sentimentos sinceros.
Faça deles amor.
As maiores beldades
Encontram-se no brilho dos olhos.
Faça com eles amor.

As maiores dificuldades
São as palavras não ditas mas jamais esquecidas.
As maiores maldades
São as mentiras contadas em cima de coisas que se gostaria de serem vividas.

As maiores mágoas
Estão nas oportunidades perdidas
Que no rio de claras águas
Feito de lágrimas, transpassam-se para outras vidas.

Os momentos mais intensos são aqueles em que se esquece do mundo.
Esqueça. Não se prive do prazer imenso de viver.
Não há nada no mundo que valha isso. Esqueça de tudo.
Viva ilimitadamente. Basta querer.

Deseje de olhos fechados.
Deixe-se querer e sentir.
A magia de amar a vida e fazer dela sua maior felicidade.
Permita-se. Permita-se existir.
Não se deixe levar pelos maliciosos e profundos olhos da maldade.

Que tudo julga, tudo fala, mas pouco faz.
Não há nada melhor que liberdade.
Não se prive.
Permita-se ser livre.
Você é capaz.
Não seja uma pessoa que muito pensa mas pouco vive.


Escrita em meados de 2009

sábado, 6 de agosto de 2011

Da série “Vale a pena conferir”: Exposição “Warhol TV”


Por Carlos Pinho

O pop art é um movimento artístico surgido no Reino Unido e nos Estados Unidos durante a década de 1950, no momento em que a Europa se reerguia da Segunda Guerra Mundial. Trabalhava com a ideia de que a arte passava por uma grave crise e, por meio de suas obras, criticava de maneira irônica a sociedade capitalista.



Um dos mais famosos e polêmicos expoentes desse movimento foi Andy Warhol. Seus quadros, retratando, com cores fortes, celebridades como Marilyn Monroe e produtos, como garrafas de Coca-Cola, representam o vazio e a impessoalidade da produção em massa para o consumo. Poucos sabem, mas o jargão “quinze minutos de fama” foi inspirada numa de suas frases.



Para conhecer um pouco mais da vida e obra de Warhol, uma boa pedida é a exposição “Warhol TV”, que está em cartaz no SESC Pinheiros até o dia 25 de setembro. A mostra revela outra faceta do artista, que também era cineasta. Parte de sua extensa filmografia estará à disposição dos visitantes, além de trechos de programas em que participou, como “Saturday Night Live” e “Andy Warhol Fifteen Minutes”. A entrada é gratuita.

Serviço                                          
Warhol TV
Data: 29/7 a 25/9
Horário: terça-feira a sábado, das 10h30 às 21h30; domingo e feriado, das 10h30 às 17h30
Local: SESC Pinheiros
End.: Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros
Entrada gratuita
Tel.: (11) 3095-9400/(11) 3095-9400      
Site: www.sescsp.org.br

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Aos superendividados II


Por Rufino Carmona

Um número enorme de pessoas acessou a matéria da semana passada sobre os superendividados. Agradeço a todos. Só que mãos a obra que a situação de quem está superendividado não pode esperar!

Vou partir do pressuposto, conforme combinamos na semana passada, que você já saiba o total da sua dívida e que já tenha eleito aquelas contas prioritárias para sua sobrevivência.

Vou dar então três sugestões agora para lhe ajudar a sair desse quadro de superendividamento. Veja a que melhor se encaixa.

1)Se você possui algum bem com valor superior ou equivalente à sua dívida, não pense duas vezes: venda e quite tudo. Não adianta ficar desesperado e rolar dívidas a juros altíssimos, quando pode resolver tudo se desfazendo de um bem. É um bem de família? É um automóvel? É uma casa de praia? Pensa bem: De que vale qualquer um desses bens ou o que eles podem lhe proporcionar se você não consegue dormir? Em relação ao automóvel, só não venda se ele for usado como ferramenta de trabalho, porque, nesse caso, você paga a dívida e fica sem trabalhar depois.

2) Você pode trocar dívidas caras por outras mais baratas: nem todo mundo tem essa chance, ainda mais quando está muito endividado. Mesmo assim, vale consultar o banco ou uma financeira e saber dos créditos disponíveis. Por exemplo: se você está no rotativo do seu cartão de crédito, pagando juros de 13% a 15% por mês, que tal pegar um empréstimo pessoal de 5% a 7%? Ou até penhorar suas jóias a juros bem mais baixos ainda? Nesse caso, você pega esse novo empréstimo e quita o anterior. A dívida vai continuar, só que a juros bem menores do que antes. Outra opção é o empréstimo consignado, se você é servidor público ou aposentado.

3) Renegocie com cada um dos seus credores: como é impossível fabricar dinheiro e como você não pode deixar de comer nem de pagar as contas básicas de água, de luz e a da casa própria, as outras que estiverem em atraso, você deve procurar o credor. Não finja que as cartas de cobrança não chegaram. Vá até à loja ou ao banco e renegocie sua dívida de um modo que seja possível pagá-la. Mostre sua situação de momento e diga claramente que deseja quitar o débito, mas que precisa ser de uma maneira que não volte a comprometer suas finanças no futuro. Se você quer pagar, tenha certeza de que seu credor deseja receber também. E ele sabe que se não fizer um acordo que seja realmente possível para você, ele não vai ver um único centavo. Ou seja, a renegociação é boa para todo mundo.

Na semana que vem, vou dar mais algumas dicas. Mas veja se, com essas, não é possível resolver, pelo menos, parte do problema.

E antes de terminar, preciso ressaltar dois pontos: nunca deixe seu nome “sujo” no SPC. Procure, de toda maneira, resolver suas pendências para “limpá-lo”. Seu nome é o seu maior patrimônio.

E o outro: quando você sair dessa situação de superendividamento, não volte a comprar sem antes pensar muito nas suas aquisições: se são possíveis dentro do seu orçamento e se até são realmente necessárias. Aprenda com os seus erros!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Adeus, Ítalo querido!

O ator Ítalo Rossi nos deixou no último dia 2. Nascido em 1931 no estado de São Paulo, morreu devido à complicações respiratórias, aos 80 anos.
Sua estréia no teatro profissional foi em 1956, na peça A casa de chá do luar de agosto, de John Patrick. Paulo Francis escreveu sobre Ítalo Rossi: “Nasce um ator e não se deve tocar nele.“ Ítalo foi um dos fundadores da Companhia Teatro dos Sete, em 1959, ao lado de nomes como Fernanda Montenegro, Fernando Torres e Sérgio Britto, dentre outros, que formam o grupo que conseguiu dar ao teatro nacional um status de grande arte. Dentre grandes obras das quais participou encontra-se o Grande Teatro Tupi, programa que, ao vivo, adaptava grandes clássicos teatrais; e que ficou no ar durante seis anos na TV Tupi, depois transferiu-se para a TV Rio e depois para a TV Globo. O teleteatro é uma referência na história da TV e do teatro brasileiro. A montagem O Mambembe, de Artur Azevedo, da qual Ítalo fez parte, é considerada um marco no teatro nacional.
Sua carreira é composta por 20 produções cinematográficas e quase 30 programas de TV, dentre novelas, minisséries e séries, além das inúmeras peças de teatro. Inclusive sendo diretor de várias peças. Foi diretor de novela apenas uma vez, na TV Tupi, chamada Um gosto amargo de festa, novela esta que definiu a estréia de Renata Sorrah na televisão. Nos anos 1980 ganhou 3 prêmios Moliére, o mais importante das artes cênicas no país.
Definido por Fernanda Montenegro como “a alegria do teatro”, seu último papel da TV foi em Toma Lá da Cá, da Rede Globo, em que interpretou o Seu Ladir, dando sucesso ao bordão “É Mara!”.
Em janeiro deste ano o ator teve uma biografia lançada: “Ítalo Rossi: Isso é tudo”, de Antônio Gilberto e Éster Jablonski.
Na noite de terça-feira, pouco após o seu falecimento, o ator recebeu uma homenagem pela atriz Débora Duboc, na peça “O Homem, a besta e a virtude”, que só tinha sido apresentada uma vez, em 1964, justamente no Teatro dos Sete.
Ítalo Rossi geralmente interpretava papéis coadjuvantes, mas apesar disso em todos eles pôde mostrar seu talento e conquistar seu espaço como um bom ator, cujo falecimento lamentamos. Sempre demonstrou técnica e domínio de cena; seu carisma e sua voz sempre conquistaram o público.
Ainda assim era no teatro que realmente se destacava. Dizia: “Teatro para mim é como andar de bicicleta. Se parar, eu caio. É a minha vida. Por isso eu tenho que estar sempre na ribalta. Seja como ator, seja como diretor, preciso respirar teatro.”
Um apaixonado pelo que fazia só podia realmente ser tão bom e competente. Adeus, Ítalo querido! Veremo-nos nas reprises.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Políticos americanos piores que os brasileiros?


Por Rufino Carmona

A crise americana teve um desfecho favorável ontem. Os EUA não vão dar calote no mundo. Mas esse foi somente o primeiro capítulo de muitos que prometem levar às últimas conseqüências uma briga interminável, e totalmente polarizada, entre democratas e republicanos, que só pensam nas eleições do ano que vem.


Nem por um momento, pensam no seu povo. São parecidos com seus pares brasileiros. Mas parece que os daqui, por incrível que pareça, têm um pouco mais de juízo. E quem sofre, nessa história, não são só os americanos. Todo o mundo vai acompanhar, com atenção e medo, o desenrolar dessa crise, ainda muito mais política do que econômica, que assola o Tio Sam.


domingo, 31 de julho de 2011

Mortal Kombat

Mais engraçado do que A Praça é Nossa, mais legal do que programa da Xuxa, mais divertido do que BBB... ele é o Dogcão e sua turma.

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Educação no Brasil

Na sala de aula a professora respira fundo. Ainda não chegaram seus alunos. Neide ( esse era o nome da professora) tenta imaginar um plano para ensinar a matéria do dia, que foi a mesma de algum dia do ano passado, e que ela não sabe, mas vai ser a mesma nos próximos 10 anos.
“Invento musiquinha? Faço uma atividade em classe? Ah quem me dera promover um debate!”
Ela queria poder falar e ouvir seus alunos. Sendo professora de história poderia colocar em discussão todos os conceitos sobre o passado, e estimular seus alunos a construir a própria história. O que a impedia? Um grande bicho papão chamado: livro didático. O livro didático propõe questões tolas, decorebas, do jeito que os pais gostam. Como ficaria feliz se pudesse usar trechos dos autores que lera na faculdade (com devida moderação)!Ao invés disso fica presa à confusa narrativa que mistura correntes de opinião contrárias, e ensinam de maneira arbitrária. E assim insatisfeita fica a reproduzir em classe com monotonia e decepção.
Quando a turma começa a chegar e a ocupar seus lugares, o personagem principal deixa de ser Neide e passa a ser Édson. Aos quatorze anos Édson tinha maiores preocupações além da queda da Bastilha e sua nota de História. Estava a fim da Laurinha mas namorava a Clarinha. Estava mandando ver na guitarra e montou a própria banda de rock. Estava na dúvida se deixava o cabelo crescer e colocava piercing, ou se devia fazer uma tatuagem escondido. Queria em formato de dragão no braço todo. Ele nem cogitava que a Revolução Francesa pudesse ser um assunto interessante. “Nem é sobre meu país!”, mas nem pra História do Brasil ligava, achava tudo muito chato, e afinal de que aquilo lhe serviria? Era melhor fazer uma escola técnica pelo menos seu ensino teria alguma utilidade, e quem sabe ele não precisaria voar tanto.
Quando a professora mandou fazerem o exercício, ele copiou praticamente os trechos do livro que respondiam as questões. Coitada de Neide, teria que aceitar mesmo assim aquela resposta sem vergonha, a narrativa do livro não é um apoio é uma norma. A professora porém não perde as esperanças deseja passar alguns filmes aos alunos. Coitada dela! Adolescentes de 14 anos só querem fazer algazarra e só prestam atenção nas aulas de biologia quando falam de sistema reprodutor!


Esta pequena narrativa é uma mostra do que eu presenciei nos meus anos de colégio e o que ouço dos professores da faculdade. Um dia serei professora, mas morro de medo de cair na mesmice que apontei em Neide.
A questão do livro didático é essencial. Os livros didáticos demoram a serem atualizados,e não servem para problematizar e discutir, só servem para reduzir e facilitar o acúmulo de informações. E por que? Porque o ensino é voltado para o vestibular, que segue a lógica do que o mais importante é o acúmulo de informação. Que tipo de cidadãos ele fabrica? Aquele que está acostumado a assimilar, decorar e ingenuamente reproduzir sem raciocinar. De que serve um cidadão que nunca inova contribuindo para a melhoria das condições de vida do resto da sociedade? Para muito pouco eu creio.
Eu sou partidária da opinião que cada um pode fazer a sua parte. Eu sei que não é uma idéia muito política, mas se não fazem por mim, acredito que eu deva correr atrás então. O importante é não desistir e investir em novas idéias. O que não se pode deixar acontecer é que continuemos produzindo mão de obra desqualificada, e acabar usando gente de fora.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Aos superendividados



Por Rufino Carmona

Sabe quando você está diante de alguém desesperado e não sabe o quê dizer à essa pessoa? É dessa forma que eu me sinto agora ao iniciar esse texto. Minha intenção é dar algumas dicas para quem está todo enrolado com dívidas em cartões de crédito, cheque especial, consignados ou mesmo com contas atrasadas. Mas ao me transportar, um único instante que seja, para o íntimo desse alguém, é como se eu sentisse também o mesmo desespero.

Mas tem uma explicação: eu já fui um superendividado. Então, eu guardo, no meu inconsciente, essa sensação ainda, apesar de não vivê-la mais hoje. Vou parar por alguns minutos para me estabilizar, porque ninguém ajuda quem quer que seja estando angustiado.

Ok. Parei por cinco minutos, relaxei, pensei um pouco e resolvi dar apenas duas dicas hoje, até porque não adianta fazer uma lista. Quem está nessa condição não agüenta mais ver listas na frente.

A primeira dica pode parecer meio boba. Mas não é. Você já somou tudo o que deve? Por exemplo: se um gênio da lâmpada lhe perguntasse: “Fulano, de quanto você precisa para pagar tudo o que deve?” Você saberia responder ao gênio? Claro que não estou contando com uma hipótese redentora para você pôr fim às dívidas. Mas é de extrema importância saber o total dela.

Vamos lá: para fazer essa conta não considere, por exemplo, as prestações que ainda estão por vencer. Apesar de serem dívidas que você contraiu, elas ainda não estão atrasadas. Você deve, por exemplo, a quantia que está rolando, há meses, no rotativo do cartão de crédito, os meses de atraso da luz, da água, do telefone, aquelas prestações da escola do seu filho que já venceram, enfim, tudo o que já era para ter sido pago e não foi.

Bem, o segundo passo é eleger o que é prioritário para a sua sobrevivência. Apesar de estar superendividado, você precisa comer e ter água e luz em casa. Essas contas precisam ser quitadas ou, pelo menos, o atraso não pode nunca ultrapassar 60 dias. Senão, você já sabe, não é? Ah! A prestação da casa própria também é prioridade. Senão, você perde o imóvel e tudo o que já pagou.

Na semana que vem, vou seguir com você, passo a passo, sabedores já do montante devido e tendo eleito todas as prioridades para você não correr riscos iminentes de saúde nem de perda de bens.

Que você tenha frieza e paciência para administrar esse momento tão difícil. Mas acredite sobretudo que tem saída. E não falo isso da boca para fora. Como já disse, eu falo por experiência própria.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Amigo íntimo ou uma pessoa amiga!? O ideal são os dois.

Eu entendo porque os pensadores sempre defenderam a idéia de que é a emoção que faz dos seres humanos tão tolos em tantos momentos e aspectos. Quantas vezes ficamos mais preocupados e nos abalamos muito mais com um relacionamento amoroso (se é que havia mesmo amor) que não deu certo do que com outros problemas racionalmente mais sérios!? Quantas vezes a nossa tristeza por motivos pessoais afetam nosso trabalho, horários, estudos, nosso profissionalismo? Quantas vezes o término de um namoro faz com que a pessoa desanime a sair pra qualquer atividade, com quaisquer amigos? Quem não percebe isso, com todo o respeito, está na hora de aguçar a auto análise e a conseqüente compreensão de si mesmo.
Sinceramente, nós agimos sempre, irrefutavelmente sempre, como se fosse certo que amanhã todas as pessoas à nossa volta continuarão ao nosso redor. A verdade é que isso nunca é e jamais será garantido. É a lei da vida. Ou melhor (ou pior?), a da morte. Pois quando falo na possibilidade de acordar no dia seguinte e existir alguém que não está mais perto, não me refiro a só se separar, acabar com a comunicação. Há algo muito maior: o irremediável. Imutável. Nós nos acostumamos com isso. Acordamos, dormimos e acordamos com as mesmas pessoas por perto e, de repente, quebramos a cara e perdemos alguém. Um dia eu não estarei aqui. Haverá o dia em que eu não mais saírei pras noitadas, outro em que eu não mais publicarei e outro ainda, ou o mesmo, em que eu não mais estarei presente fisicamente na vida de ninguém, nem online no MSN, viu?
Eu tento tanto aproveitar ao máximo não só os momentos que vivo, mas muito além disso, muito acima, aproveitar as pessoas que por mim passam. E eu sempre me pergunto: como e porque as demais pessoas não fazem o mesmo? Ou pelo menos, eu não percebo. Todos falam sobre a importância de vivermos ao máximo cada momento. Pois eu altero essa frase e falo sobre a importância de vivermos, sentirmos, aproveitarmos ao máximo cada PESSOA. Seja um pai, uma mãe, um irmão ou outro familiar, um amigo, uma amiga, um homem, uma mulher, um amor, uma paixão, um colega, um (des)conhecido, um passageiro. Seja um beijo adolescente na noitada, seja um beijo de amor. A questão não é, e não deve ser jamais, beijar sempre com muito desejo. Deve ser beijar sempre com muito desejo àquela pessoa. Não é gargalhar com um prazer absurdo. É gargalhar com aquela pessoa. Não é conversar sobre assuntos interessantes e produtivos. É conversar com aquela pessoa, seja quem for!
Costumamos dizer que amigos de verdade são poucos, são sim. São muito poucos, muitas vezes contados nos dedos, devido justamente ao fato de que o homem não aprendeu o quanto é bom cultivar a amizade com qualquer pessoa. Impossível mesmo falar diariamente e ver constantemente cada pessoa que conhecemos, ainda mais nesses tempos atuais de Internet e demais tecnologias, mas por que não manter sempre a simpatia, a possibilidade de quando encontrar com a pessoa, mesmo que isso ocorra raramente, realizar-se uma boa conversa? Por que não cultivar o carinho, mesmo com aqueles que não são os primeiros na lista a quem pedir socorro quando precisamos? É inegável o fato de que o carinho será mais (muito mais, até) intenso com aqueles sempre presentes. Mas isso não anula a possibilidade de alimentar um bom sentimento por “todos“.
Não sei como era exatamente no colégio com os meus pais, meus avós, com vocês. Mas eu, em meus 18 anos, observo o absurdo que é a quantidade de pessoas que falam uns com os outros no colégio mas quando passam um pelo outro na rua simplesmente não se dizem “oi”. Quantos são os adolescentes que se conhecem, sabem quem são, às vezes em outra época até se falavam constantemente, mas que ainda assim fingem na rua que não conhecem um ao outro!?
Devo admitir que sou carente; é muito fácil chamar ao outro de carente como se isso fosse um rótulo, mas eu me pergunto, sinceramente, que ser humano não é sob nenhum aspecto. Às vezes tudo de que precisamos é de um abraço, ou quando dizemos que vamos sair do MSN porque não estamos muito bem, que alguém diga “fica!”, como um simples sinal de importância. Na verdade mesmo, queria de verdade que pelo menos por um dia e uma noite todos nós agíssemos como se tivéssemos total consciência de que corremos o risco de acordarmos e não termos mais as mesmas pessoas ao nosso redor. É clarividente que isso é sonho. Utopia. Eu mesma digo isso, reflito quase diariamente sobre esse assunto, mas não consigo pôr isso em prática durante todo o tempo. Acho que é algo superior demais pra mente humana.
Talvez esse texto, uma crônica, nem sei, tenha passagens mais direcionadas à atuais adolescentes. Eu realmente não sei. Só sei que tenho carinho verdadeiro por aqueles que estudaram comigo desde pequenina, por aqueles que em alguma época conversavam comigo mas que hoje nem se lembram de que eu existo, por cada um que teve comigo pelo menos uma boa conversa, um bom momento, que pelo menos uma vez me direcionou um sorriso sincero, uma palavra simpática. Podemos não ter intimidade, talvez se eu conhecesse melhor diversas dessas pessoas, viéssemos a descobrir que não nos daríamos bem, que não temos afinidade. Não há amor entre nós, e pode não haver uma relação de amizade. Mas manter uma relação de amizade com uma pessoa é diferente de ser uma pessoa amiga. Uma relação é algo fechado às duas pessoas, que realmente exige dedicação, tempo e certa presença. Mas ser uma pessoa amiga independe disso. É ter atitudes amigas a qualquer instante com qualquer pessoa.
E aí, você é uma pessoa amiga ou se limita a ser um amigo íntimo de alguns? Se for, entre em contato, estou precisando conhecer pessoas que tenham essa qualidade tão rara e de tanto valor.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os 68 anos de Mick Jagger

Ontem, 26 de julho de 2011, Mick Jagger completou seus 68 anos de idade e já possui quase 50 de carreira.Vocalista dos Rolling Stones, seu sucesso veio gradativamente, à medida em que ganhava espaço na banda e que criava e desenvolvia seu estilo pessoal. Os Rolling Stones são uma das maiores bandas de rock’n roll do mundo e Mick Jagger chegou a ser chamado de ídolo de uma geração (anos 60).
Ficou famoso também pelos seus relacionamentos amorosos e extra-conjugais, incluindo a brasileira Luciana Gimenez. Possui sete filhos e já disse diversas vezes que não crê em monogamia e que “nunca saiu com donas de casa, e nunca sairá”.
Famoso também pela polêmica sobre o futebol durante a última Copa do Mundo: todo time para o qual ele torcia, perdia!
Em 2003 foi condecorado com o título de Cavaleiro do Império Britânico.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Quem domina é o Bonsucesso


Por Carlos Pinho

Após 18 anos amargando a segunda divisão e, até mesmo, a terceirona do campeonato carioca, o Bonsucesso garantiu, no último sábado, o acesso para a série A de 2012 com uma rodada de antecedência ao vencer o Estácio por 2 a 1 em seu estádio, o Leônidas da Silva.



Mas o jogo não foi fácil. Apesar de não ter mais nenhuma pretensão na competição, o Estácio assustou os cerca de 3 mil torcedores que lotavam o estádio da Rua Teixeira de Castro ao abrir o placar no início do jogo. O Bonsuça só empatou na segunda etapa com Sassá, de cabeça. E o atacante João Rodrigo virou o marcador, logo em seguida, levando às lágrimas torcedores do rubro-anil da Leopoldina de todas as gerações.



Fundado em 12 de outubro de 1913, o clube, que revelou tantos valores do futebol brasileiro e que teve a honra de ver Leônidas da Silva, o Diamante Negro, debutar pelos gramados ostentando o seu uniforme, passou por maus bocados durante o período em que ficou afastado da elite do estadual. Mas renasceu das cinzas e montou um elenco equilibrado sob a batuta do experiente treinador Manoel Neto. 

Parabéns, Cesso!
Seja bem-vindo, novamente, à elite futebol carioca!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Amy



Por Ribamar Filho
O dia 23 de julho de 2011 fica marcado na história da música. Voz forte e melancólica. Amy Winehouse, em sua passagem meteórica, foi umas das cantoras mais influentes deste início de século. Ou a mais influente?

Dois álbuns somente. E só no segundo, “Back to Black”, de 2006, alça o status de estrela mundial da música. Prêmios aos montes, fãs aos milhões, um visual grunge e original que impactou o planeta.

Amy e sua mãe na noite em que recebeu 5 prêmios Grammy

Esperava sua volta aos palcos agora, numa turnê pela Europa. E às paradas de sucesso, com músicas inéditas, mas com as letras viscerais de sempre.

Ainda ecoa, em minha mente, sua voz, que me remete a uma profunda tristeza, mas que, ao mesmo tempo, expõe, de forma clara, a sua raiz: o jazz, envolto a ótimas batidas de blues.

Mas vidas assim dificilmente passam dos 27.

Descanse, Amy!

Fique com "Rehab":



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Toma jeito Tio Sam!


Por Rufino Carmona

Hoje é dia 22 de julho. Se até 2 de agosto, o Congresso dos Estados Unidos não resolver o impasse sobre a elevação do teto de endividamento do país, estará decretado o primeiro calote do grande império do norte. E, por ironia do destino, um dos países que deixará de receber seus trocados será o Brasil. Sim, o nosso Brasil que, alguns anos atrás, assustava o mundo, como em 1987, quando deixamos de pagar, por um tempo, a dívida externa.

Mas nossa dívida externa já não existe. Ninguém mais se assusta com o Brasil. Pelo contrário. Temos problemas hoje é com a enxurrada de dólares que não para de entrar pelos quatro cantos do país. Fico pensando se, por um instante, num momento transcendental, esse meu texto fosse lido pelos economistas brasileiros que lutavam bravamente para dar alguma credibilidade ao país, lá pelos anos 80, 90. Eles certamente não acreditariam no quê escrevo hoje. Ririam da minha cara.

Mas voltemos a 2011. Para ninguém se alardear, é evidente que os Estados Unidos vão resolver isso antes do fatídico 2 de agosto. É que, pelo menos por enquanto, o problema ainda é mais político do que econômico propriamente. O partido Republicano está esticando a corda até não poder mais para desgastar o presidente Obama e assim conseguir emplacar alguns de seus projetos e ainda se fortalecer um pouco para concorrer contra o próprio numa eleição em que terá pouquíssimas chances de vitória.

Só que, apesar de a crise ser mais política, a economia dos Estados Unidos já dá sinais, há um bom tempo, que não tem a mesma pujança de outrora. Eles ainda vão ser, por muitos anos, o país mais rico do mundo, mas o distanciamento em relação principalmente aos emergentes tende a ser cada vez menor.

A dívida americana é simplesmente igual à soma de tudo que produzem anualmente. Se isso acontecesse aqui no Brasil, o mundo já teria nos dado às costas há tempos. Mas o Tio Sam é o Tio Sam. Eles ainda gozam da vantagem de não terem, em toda a história, um só momento em que não tivessem honrado seus compromissos. São o porto seguro do capital do mundo.

Mas que não tomem tenência! Se continuarem a se afundar em guerras intermináveis e não contiverem os gastos públicos, esse império acaba muito antes do que qualquer historiador pudesse esperar.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Poupar é preciso

Por Rufino Carmona

Em quase 20 anos de jornalismo, já entrevistei tantos economistas que até perdi a conta. E o assunto mais recorrente foi finanças pessoais. Tenho uma grande coletânea de informações sobre o tema e vou dividir com você, leitor, todas às quartas-feiras aqui nesse espaço.

Hoje, vou falar sobre poupança. Todo mundo sabe da importância de se criar um “pé de meia”, mas poucos conseguem.

Pois bem, a teoria que vou passar para você agora me foi explicada por vários economistas. Mas a primeira vez que escutei sobre ela foi através de um professor meu lá do ensino médio. Nunca me esqueci. Disse ele para a turma: “Nós temos muitas contas para pagar todos os meses. Que tal criarmos mais uma?”

A turma olhou com espanto para o mestre, que logo explicou: “Não estou falando para comprarmos mais não, gente. Essa conta nova é o dinheiro que devemos colocar na caderneta de poupança assim que recebermos o nosso salário. Eu faço isso há muitos anos. Sempre tenho uma boa reserva em caixa e, o que é melhor, rendendo 6% ao ano além da inflação”.

“Quando eu recebo o meu salário, separo 20%, vou ao banco e deposito na caderneta de poupança. Depois, pago as minhas contas, faço as compras do mês e vejo o que sobra. Com esse restante, passo o mês normalmente sem aperto”.

Esse meu professor era muito sábio. E nem era de matemática. Era de OSPB. Sim, essa matéria fazia parte do currículo escolar na época: Organização Social e Política Brasileira. Ele tocou nesse assunto durante uma discussão sobre política. Nem me lembro por qual motivo.

Tenho certeza que todos nós que estávamos nessa aula nunca esquecemos dessa grande lição. Esse dinheiro que ele guardava e que ainda rendia servia como um colchão no qual podia dormir tranqüilo. Sempre tinha uma reserva para os imprevistos da vida. E é assim que eu tento agir até hoje. Nem sempre é possível ser tão objetivo como o meu professor dizia ser. Mas lembro disso quase que diariamente.

Tem muita gente que gasta dinheiro, às vezes, comprando itens totalmente desnecessários e que acabam, em algum momento, tendo que recorrer a empréstimos bancários, quando podia ter construído esse colchão e não pagar os juros estratosféricos cobrados pelos bancos na concessão de crédito.  

E aí: você já age dessa forma? Se não, acha que pode conseguir?

Na semana que vem, vou dar algumas dicas para os superendividados. Espero que não seja mais preciso apelar para a Santa Edwiges nem para Santo Expedito!