terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tarsila do Amaral no RJ depois de 43 anos

O CCBB apresenta, desde o dia 14 de fevereiro até o dia 29 de abril, uma mostra individual de Tarsila do Amaral. A famosa artista por 'O Abaporu', 'Antropofagia', dentre outros, não tinha uma individual sua na cidade há 43 anos. O CCBB-RJ quebra esse jejum carioca absurdo de quem foi uma das artistas modernas mais influentes na arte moderna e contemporânea brasileira e nos traz uma mostra que, apesar de não grande como outras importantes e belas exposições do CCBB, vale a pena ser conferida com muita atenção e admiração.
'Tarsila do Amaral — Percurso Afetivo', exposição que reúne cerca de 85 obras, incluindo diário de viagem, pinceis, espátulas e outros objetos do genêro. Facilmente perceptível, ' O Abaporu' não se encontra exposta. O curador Antônio Carlos Abdalla declarou que o colecionador Eduardo Constantini, dono da tela que é o carro-chefe de seu museu, o Malba (Buenos Aires), não se mostrou muito disposto a um novo empréstimo da tela, que veio ao Brasil em 2008 para uma retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo e em 2011 para uma em Brasília. Se por um lado é um absurdo uma obra genuinamente brasileira encontrar dificuldades de vir ao país a quem devia, por direito, pertencer, por outro lado isso pode gerar a vantagem de fazer uma mostra que dê destaque aos outros lados e obras de Tarsila.
— Se tivesse sido muito fácil, teria vindo. Nunca fui muito a favor de trazer 'Abaporu', porque a gente corre o risco de fazer a exposição do 'Abaporu', e não da Tarsila do Amaral. Estava consciente disso — afirma o curador. — Também não temos o original de 'A Negra' (1923), porque o MAC (Museu de Arte Contemporânea) de São Paulo está em reinauguração e não podia emprestar. A solução foi trazer "Antropofagia" (1929).
Tarsila nasceu no interior do estado de São Paulo em 1° de setembro de 1886 e foi em Barcelona, onde teve a oportunidade de estudar, que pintou seu primeiro quadro: 'Sagrado Coração de Jesus', em 1904. Casou-se, teve uma filha e só quando se separou começou a estudar arte. Desenvolveu-se a partir de esculturas, desenhos e, por fim, pinturas. Foi estudar em Paris por volta de 1920. Tarsila do Amaral não participou da tão famosa Semana de Arte Moderna de 1922, crucial para o que viria a ser desenvolvido artisticamente no país. Soube dela através de Ana Malfatti, de quem havia se tornado amiga alguns anos antes.
Tarsila retornou e foi introduzida pela amiga ao grupo dos 'modernistas'. Namorou Oswald de Andrade e com ele formou o grupo dos cinco, em conjunto com Anita, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Grupo de artistas este que agitou São Paulo culturalmente. Retornou a Paris, Oswald foi até ela. Anita estudou com o cubista Fernand Léger e foi nessa época que pintou 'A Negra'.
Tarsila é também famosa por seu belo rosto que a muitos encantou. Além de bela e de uma grande artista, era também corajosa e ousada. Tarsila disse: "Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Mas depois vinguei-me da opressão, passando-as para as minhas telas: o azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante." De fato, tais corem vieram a se tornar comumente presentes em suas obras, tornando-se uma característica sua. Outra característica de suas obras são as temáticas brasileiras, como as nossas paisagens e nosso folclore. A mistura de significados e representações em suas obras também é muito interessante. A obra 'Carnaval em Madureira', por exemplo, retrata o carnaval de 1924, no qual Tarsila passou no Rio de Janeiro logo após de voltar de Paris. Por isso, na obra, um misto de Torre Eiffel com representações de pessoas não europeias, tipicamente brasileiras; enfim, cariocas.
Tarsila conseguiu obter a anulação de seu primeiro casamento e então se casou com Oswald de Andrade. Teve como padrinhos nomes importantes: Washington Luís, o Presidente do Brasil na época e Júlio Prestes, o Governador de São Paulo na época. Sua primeira exposição individual em Paris foi em 1926 e foi bem recebida pela crítica.
Foi em 1928, querendo dar de presente de aniversário a Oswald, que Tarsila pintou 'O Abaporu'. Oswald, impressionado, mostrou o quadro a outras pessoas, que acharam que parecia uma figura indígena. Tarsila então o denominou de 'O Abaporu', que significa 'o homem que come carne humana', o antropófago. Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico, que tinha como objetivo comer, engolir e deglutir a cultura europeia e adaptá-la, transformá-la em algo de fato brasileiro.

















Contou Tarsila que Abaporu tinha a ver com os monstros que comiam gente sobre os quais as negras contavam para ela quando criança. Foi em 1929 sua primeira individual no Brasil, recebendo uma crítica dividida entre os surpresos e admirados e os que não entenderam sua arte, como ocorreu com todos os modernistas.
Em 1929 com a crise econômica nos EUA e a do café no Brasil Tarsila teve de passar a trabalhar. Separou-se de Oswald. Em 1931 estava com novo namorado, o médico comunista Osório Cesar. A artista foi presa por participar de reuniões do Partido Comunista Brasileiro, fato que a fez não mais se envolver com política. Em meados dos anos 30 seu namorado já era o escritor Luís Martins, cerca de vinte anos mais novo que ela. Em 1949, sua única neta morreu afogada em Petrópolis.
Tarsila faleceu em 17 de janeiro de 1973. Antes participou da I Bienal de São Paulo em 1951, teve sala especial na VII Bienal de São Paulo, e participou também da Bienal de Veneza em 1964. Em 1969, a especialista em história da arte e curadora Aracy Amaral realizou a Exposição 'Tarsila 50 anos de pintura'. Sua filha faleceu antes dela, em 1966. Restou sua sobrinha-neta, carinhosamente chamada de Tarsilinha para se diferenciar de sua tia, por cuja obra é hoje responsável e por quem era muito querida.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Esta noite eu sonhei...


I - A Expectativa

Como se eu fosse o mais tentador mel,
Experimenta-me.
Como se eu fosse o mais suave dos vinhos,
Degusta-me.
Como se eu fosse a mais suculenta fruta,
Delicie-se.
Como se eu fosse o perfume da mais bela flor,
Aprecia-me.
Almoça-me. Janta-me.
Coma-me sem deixar migalhas.
Peça tudo a que tem direito e arrisque aquilo a que não tem.
Devora-me.
Sem arrancar pedaços, mas arrancando todo o furacão que só uma mulher pode ser.

II - O Furacão

Roupas pelo chão,
roupas íntimas molhadas pela água do tesão.

Gemidos.
Gemidos não fingidos.

Na mesa. No chão. Na cama.
Furacão na hora H, durante o resto do dia, uma dama.

Suor escorrendo pelo corpo quente.
Pele efervescente.

O gozo final.
Animal.

III - O final

Um pé esquenta o outro,
e abraçados um dá ao outro o carinho de que ambos tanto precisam.
Adormecemos em um sono profundo.
Sono marcado pela satisfação e pelo amor.

E quando os olhos se abrirem
Recomeçaremos outra vez.
Com ternura e paixão, de novo e de novo, mais outra vez... e mais uma... e mais tantas outras!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Por qual motivo?

Maldita hora que inventaram o poder do questionamento! Visite o blog do Dogcão e Sua Turma clicando aqui.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Uma pitada de samba e um bocado de histórias

Episódio de hoje: 

Quando o Arlequim chorou na voz de um sambista


Por Carlos Pinho


Consagrado por sua participação no Show Opinião - que cantou, de 1964 a 1965, a crítica social e política no Brasil que vivenciava o início da repressão do regime militar - o sambista Zé Keti notabilizou-se também compondo marchas de carnaval.

Zé Keti e Nara Leão

Em 1967, quando a nostalgia dos festejos de outrora já fazia parte do imaginário popular e as tradicionais canções carnavalescas saíam de moda, “Máscara Negra”, de autoria dele em parceria com Hildebrando Matos, representou um marco. A marcha, gravada por Dalva de Oliveira, decantava o reencontro do Pierrô com sua amada Colombina. “No meio da multidão”, quem ficou para trás foi o Arlequim, chorando pelo amor daquela que já estava nos braços de outro. Segundo Zé Keti, a ideia surgiu de sua insatisfação com a lógica carnavalesca, que descrevia o Pierrô como um ser triste e desiludido por conta da paixão não correspondida pela Colombina, sempre envolta pelos carinhos do Arlequim.  


Essa obra-prima faturou o 1º lugar no 1º Concurso de Músicas para o Carnaval daquele ano, organizado pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som (MIS). E foi mais longe, alcançando as paradas de sucesso da época, uma façanha em meio a força que a música estrangeira já exercia nos ouvidos tupiniquins.   

Com a aclamação, veio também a polêmica. Deusdedith Pereira Matos, irmão de Hildebrando, entrou com processo judicial reivindicando a autoria da primeira parte da música. Com a morte de Hildebrando, Zé Keti teve de voltar aos tribunais, já que a família do co-autor alegava que a composição seria apenas dele. Além do sucesso e das brigas na Justiça, “Máscara Negra” também rendeu à Zé Keti um contrato como garoto propaganda da General Electric, que lançava um aparelho de TV “xará” da canção.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O fundamento da futilidade em nossas vidas


Há 12 anos estamos acostumados a, no mínimo, ouvir falar sobre Big Brother Brasil durante os primeiros meses do ano. Já há algum tempo que muitos dizem que este programa já deu o que tinha que dar e desde o início que muitos gostam de criticá-lo. E eu fico me perguntando porque tantos de nós sentimos prazer em crucificar as pessoas que confessam assistir a este reality show. Ele merece muitas críticas negativas, sem dúvidas. Mas quer saber? na minha opinião nossa crítica deve ir além de só falar mal do programa, temos mesmo é de ser críticos com tudo. E acho que taxar as pessoas como 'ignorantes' só por assistir ao BBB é, no mínimo, arrogância. Concordo que não é exatamente um programa inteligente. Não acrescenta muita coisa a ninguém, ou pior, acrescenta mais besteirol à mente do povo. É, pelo menos, facilmente possível observar bastantes coisas em relação ao comportamento humano assistindo a essa tentativa de assassinato do bom-senso (na minha opinião, o recente "caso Daniel" é uma polêmica e consistente prova de que o ser humano anda realmente carente de bom-senso, se é que um dia o teve). Percebemos com isso o quanto podemos ser tolos e quase enojantes por criarmos um programa como esse e também por aceitarmos participar disso (mas, tenho de confessar, eu ainda nos acho infinitamente mais tolos e repugnantes por cada guerra, cada estupro, cada injustiça).
Provavelmente muitos discordarão do que estou escrevendo, mas para eu expor minha opinião eu tenho que estar pronta para isso. E apesar de, com toda a sinceridade possível, eu realmente ter essa opinião sobre o tal do Big Brother Brasil, ora e meia eu me pego assistindo o tal. Não vou fazer pose de mega intelectual e empinar o nariz, eu confesso sim que eu acabo vendo nos dias de "paredão". Claro que me sinto mais satisfeita quando vejo as pessoas ao meu redor tendo mais o que fazer do que assisti-lo, como ler um livro, ver um filme ou namorar um pouco. Assim como eu concordo que uma pessoa é bastante tola se gasta o pouco tempo de sua vida apenas assistindo a programas como BBB, vendo filmes comerciais como comédias repetitivas e besteirois americanos, não lendo nem livros nem jornais, não estudando, simplesmente não se interessando por nada que realmente possa lhe fazer bem, intelectualmente falando. Mas eu me pergunto, será que uma pessoa que faz dos estudos algo rotineiro, e que ainda o faz com gosto, que devore livros, que leia o jornal todos os dias, que seja um cidadão atuante e consciente e que seja um ótimo profissional, mas que cometa o pequeno deslize de à noite sentar à frente da TV e assistir ao tão mal falado BBB, então essa pessoa deixa de ser inteligente?
Futilidade. BBB é uma futilidade. Mas me diga, quem não vive sem pelo menos uma futilidade? Será mesmo que assistir ao BBB é pior do que dar tanto valor às marcas das roupas? E você que tem dinheiro pra levar seus filhos pros cantos mais interessantes do planeta e ainda assim insiste em levá-los todo ano pra Disney e apenas para lá? E você que coleciona besteirinhas sem nenhuma utilidade? E a criança que mora em uma casa com um jardim enorme, cachorros tão amigos no quintal e com uma piscina de águas azuis à sua espera em um dia lindo de sol e prefere ficar trancada dentro de casa jogando videogames? E mais, e os pais dessas crianças que acham isso normal? E você que não assiste BBB, mas assiste a todas às novelas possíveis? E você que é viciado em joguinhos de computador (ok, alguns podem até ser inteligentes, mas acho que nada é tão bom quanto jogar ou brincar com uma outra pessoa em vez de com uma máquina; portanto, tudo bem jogar, mas sem tornar isso um vício, sem ser horas por dia, certo?)? E você que muda de carro todo ano, tem TV à cabo e compra eletrônicos mil por mês, mas que mantém seus filhos na rede pública, mesmo sabendo que poderia dar melhores condições de estudo a eles se não fossem tantos gastos com coisas desnecessárias? E você que sai pra balada e fica com dez na mesma noite? E você que bebe todas pra esquecer de algo ruim que aconteceu? E você que não assiste ao BBB, mas todo sábado gasta mil reais em novas roupas?
Futilidade. Cada um com a sua. No singular ou no plural, não existe um ser humano sequer que se livre delas. E pra quem acha isso ruim, eu digo que acho isso até bom. É mais, é fundamental. Ser intelectual deve mesmo ser muito bacana (eu, pessoalmente, busco isso pra mim), mas alguém nesse mundo vive só de intelectualismo? Precisamos mesmo ter algo que distraia sem o compromisso de termos que aprender com esse algo. O importante é não perder o bom-humor. É claro, aconselho a trocarem o BBB por "Os Simpsons", "The Big Bang Theory", "Friends" ou "Two and a half men", mas se a pessoa quer ver BBB, e daí? eu não tenho nada com isso, você tem? e, sinceramente? do mesmo modo, não são programas que nos ensinem algo inteligente, são apenas programas que nos divertem, que são bons por serem engraçados.
Existe um abismo entre só assistir e só se interessar por futilidades ou ser uma pessoa que se interesse por coisas como o verdadeiro cinema, literatura, artes plásticas, ou por arquitetura, por filosofia, poesia, pelas leis, por música, teatro, engenharia, física, química, pela escrita (...) e que desenvolva em si mesmo tudo aquilo pelo que se interessa e se dar ao "luxo" de descansar com uma futilidade. A vida não é feita só de seriedade, ela também precisa de um besteirol. O problema não está em assistir BBB, o problema está em vivermos em uma sociedade que faz da ignorância algo predominante. Fato este que faz com que um BBB não seja uma futilidade apenas na vida das pessoas, e sim mais uma dentre tantas outras que se tornam parte da rotina. Repito, o problema não é assistir ao BBB, o problema é só assistir a programas fúteis com o BBB. Assistir a um, será mesmo que faz tanto mal? já assistir a vários desse calão, creio eu que seja pior do que assistir a nenhum inteligente. Assim como o problema não é jogar videogame nem joguinhos no computador, e sim fazer dessa sua única atividade de lazer em casa. O problema também não é viajar para a Disney, o problema é só ir para lá podendo conhecer um mundo imenso de cultura e beleza. O problema é a falta de discernimento pra distinguir as futilidades das coisas que realmente têm valor.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Os 50 anos da morte de Cândido Portinari


Datas redondas ganham destaque. E se há um lado triste de se comemorar a quantidade de anos da morte de um artista, há também um lado muito feliz de se perceber que mesmo após décadas o artista e sua obra se mantêm vivos o suficiente pra serem lembrados, comemorados e homenageados.
Cândido Torquato Portinari nasceu em Brodowski, no estado de São Paulo, em 1903 e no último dia 6, uma segunda-feira, 50 anos de sua morte foram completados. Artista plástico, pintou quase cinco mil obras, desde pequenos esboços a grandes pinturas e enormes murais como os painéis "Guerra e Paz", os quais, por sinal, talvez constituam sua principal obra. Painéis estes que foram dados à sede da ONU em Nova Iorque em 1956.
Filho de italianos imigrantes, Portinari não completou nem o ensino primário. Desde pequeno sua vocação para as artes se tornou perceptível. Aos 14 anos de idade, um grupo de pintores e escultores que restaurava igrejas passou pela região de Brodowski e o recrutou como ajudante. Foi aí que se iniciou o que viria a ser uma grande carreira artística.
Aos 15 anos Portinari deixou São Paulo e seguiu para o Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Aos 20 anos já participava de exposições. Foi nessa época que Portinari se interessou pelo Modernismo, até então um movimento marginal. Esforçou-se até conquistar um dos prêmios que mais desejava: a medalha de ouro do Salão da ENBA. Nos primeiros anos obteve reconhecimento, mas não venceu. Mais tarde chegou a afirmar que os elementos modernistas de suas telas chocavam e desagravam os juízes do concurso. Em 1928 preparou uma tela tradicional e então finalmente ganhou a medalha de ouro e uma viagem para a Europa.
Viveu durante dois anos em Paris, obtendo um estilo que o consagrou. Teve contato com outros artistas e conheceu aquela que viria a ser a mulher de toda a sua vida: a uruguaia Maria Martinelli, com 19 anos na época. E foi justamente a distância do Brasil que criou nele um interesse social maior e que o aproximou mais de sua pátria, fazendo com que retornasse em 1946 com uma estética diferente e inovadora, com mais cores, sem compromisso com o volume do que retratava. Aos poucos experimentou os murais e afrescos, deixando um pouco de lado as pinturas a óleo.
Seu novo modo de pintar ganhou destaque na imprensa, o que o fez expor três telas no Pavilhão Brasil da Feira Mundial em Nova Iorque, no ano de 1939. Através disso Alfred Barr, na época, diretor geral do Musei de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), compra a tela "Morro do Rio" e a expõe no MoMa. Barr interessa-se tanto por Portinari que prepara uma exposição individual para ele. É já no final da década de 40, quando Portinari conhece "Guernica", obra de Pablo Picasso, que seu estilo muda novamente.
Em 1951 Portinari retornou ao Brasil. Neste mesmo ano, a I Bienal de São Paulo expôs obras suas. Porém, infelizmente, a década de 50 foi marcada por diversos problemas de saúde. Portinari sofreu de uma séria intoxicação pelo chumbo das tintas que utilizava. Ainda assim, contrariando as indicações do médico, continuou pintando e viajando com frequência, expondo em diversos países pela Europa, além de EUA e Israel.
A desobediência de Portinari fez com que a morte chegasse mais cedo. Com alma de artista, sua escolha fez com que ele continuasse vivendo sua arte intensamente em vez de abrir mão dela para viver durante mais tempo. No início de 1962 a prefeitura de Milão o convidou para uma exposição de 200 telas. Isto fez com que ele aumentasse bastante seu ritmo de trabalho, o que causou o envenanamento fatal de Portinari. No dia 6 de fevereiro de 1962, no Rio de Janeiro, o grande artista Cândido Portinari morreu vítima das tintas que paralelamente fizeram dele eterno.
Para quem mora na cidade de São Paulo ou para quem tem facilidade em visitar a cidade, desde o dia 6 deste mês, um conjunto inédito de obras do artista está exposto no Memorial da América Latina, prédio de Oscar Niemeyer na Zona Oeste de São Paulo. Aberta até o dia 21 de abril, a exposição apresenta diversos dos estudos de Portinari para os painéis "Guerra e Paz" junto das duas pinturas, guaches, desenhos e grafites. É uma ótima oportunidade para ver os famosos painéis "Guerra e Paz" de Portinari. Uma oportunidade rara e histórica: é a primeira vez que os painéis são reunidos com estes estudos desde que foram entregues à ONU. Esta exposição está ocorrendo graças ao filho de Portinari, João Cãndido Portinari, responsável por cuidar dos direitos autorais das obras do pai. João Cândido deu também aos cariocas a oportunidade de ver os painéis, quando ficaram expostos no Teatro Municial em dezembro de 2010.
Cândiro Portinari é mesmo um artista que merece ser prestigiado em todo o mundo. E escrevo 'é', verbo conjugado no tempo presente, porque o corpo pode até morrer, mas a alma de um artista é eterna.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

E lá se vai a diva Whitney Houston...


Whitney Elizabeth Houston nasceu em 9 de agosto de 1963 e faleceu no último sábado, 11 de fevereiro de 2012. Dentre suas facetas de atriz, modelo e cantora é, sem dúvidas, na última que Whitney Houston mais se destacou e encantou. Cantou blues, pop, R&B e também gospel. O modo como muitas vezes é chamada, "The Voice" (A Voz), demonstra o quanto sua voz era de uma beleza ímpar e de um valor inestimável.
Muitas vezes comparada a artistas como Frank Sinatra e Aretha Franklin (sua madrinha, por sinal), está entre os 500 maiores artistas de todos os tempos da revista Rolling Stones. Mais que isso, segundo o Guinness Word Records, Whitney Houston foi a artista mais premiada de toda a história: 415 prêmios até 2010, dentre os quais 2 Emmy Awards, 6 Grammy Awards, 30 Billboard Music Awards e 22 American Music Awards. Whitney chegou 30 vezes ao topo das paradas da Billboard.
Whitney começou a cantar com 11 anos em uma igreja e depois passou também a se apresentar junto de sua mãe, Cissy Houston, quando foi descoberta pelo empresário da Arista Records Clive Davis (fato este sobre o qual há divergências). Desde então lançou dez álbuns: sete de estudio e três de trilha sonora, todos certificados como no mínimo ouro pela Recording Industry Association of America (RIAA). Houston iria lançar mais um álbum de estúdio e mais um de trilha sonora este ano; também iria participar de mais um filme.
Seu álbum de estreia (1985) demorou um pouco, mas até que emplacou e foi o álbum mais vendido no ano. Já o segundo foi o primeiro álbum de uma cantora a estrear em primeiro lugar na Billboard 200. Seu primeiro single, "I Will Always Love You", se tornou o mais vendido por uma cantora.
Seu primeiro papel no cinema foi em "O Guarda-Costas" (1992), fazendo muito sucesso como protagonista. Contribuiu também com a trilha sonora do filme, álbum este que se tornou o mais vendido por uma artista feminina. Atuou em outros filmes como "Waiting to Exhale" (Falando de Amor) e "The Preacher's Wife" (Um Anjo em Minha Vida), contribuindo na trilha sonora de todos. A trilha-sonora de "The Preacher's Wife", por sinal, foi lançada um mês antes do filme; foi uma oportunidade que Houston teve de realizar uma vontade sua: um álbum gospel. Álbum este que se tornou o álbum gospel mais vendido da história da música, fazendo com o que o filme fosse indicado, inclusive, ao Oscar de melhor trilha-sonora original.
Em meados de 1992 Whitney se casou com o cantor Bobby Brown. Em 1993 deu à luz sua filha, Bobbi Kristina. Em 1994 Houston fez seus primeiros e únicos shows no Brasil: participou do festival Hollywood Rock no Rio de Janeiro e se apresentou no estádio do Morumbi em São Paulo. Em paralelo à sua carreira, Whitney desenvolveu também um trabalho junto à instituição filantrópica que criou em 1989, a Fundação Whitney Houston for Children, sem fins lucrativos e voltada às crianças carentes e vítimas de AIDS e de câncer.
No final de 2002 a cantora confessou que consumia drogas como cocaína e crack. Durante as duas últimas décadas consta-se que ela foi internada em clínicas de reabilitação diversas vezes. Por causa do vício em drogas, a diva sofreu grandes dificuldades financeiras. Endividada, em 2006, a estrela colocou em leilão sua casa avaliada em muitos milhões. Pouco tempo depois Whitney pediu o divórcio após um casamento de 14 anos envolto em polêmicas, brigas e envolvimento com drogas. Pouco tempo depois aparece feliz e recuperada. Depois de tanta espera, em meados de 2009 foi finalmente lançado o álbum de retorno da maravilhosa Whitney Houston: "I Look to You". O álbum estreou já na primeira posição dos mais vendidos nos EUA.
Whitney Houston se eternizou. Será sempre uma das maiores cantoras já conhecidas. Foi encontrada morta no sábado em uma banheira de hotel em Los Angeles, aos 48 anos. O resultado final da autópsia tem de aguardar o boletim toxicológico. A causa da morte ainda é indeterminada, mas se suspeita que ela tenha usado o ansiolítico Xanax, para o qual ela tinha receita e que tenha adormecido e, com isso, se afogado. O resultado final deve ser divulgado dentro de um mês.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Incompreensível (ou O Insolucionável)


Eu compreendo os suicidas
Toda vez que não consigo enxergar um futuro
Andando a esmo, sem esperanças, crenças esquecidas.
Abismo sombrio, de breu puro.

Eu compreendo os misantrópicos
A cada minuto de duração dos telejornais
O homem é mau e como mudar isso são os tópicos
da questão 'como fazer dos homens seres normais'.

Eu compreendo os sonhadores
Toda vez que encontro positivismo nos olhos de uma criança.
Paz, amor, um mundo sem guerras, sem dores.
É bom acreditar que a tempestade não é eterna e ainda virá a bonança.

Eu compreendo os loucos e também os iludidos.
Deve ser formidável a possibilidade de se viver num mundo paralelo.
Acreditar na mentira que são muitos dos momentos vividos,
Deixar-se fugir das atitudes humanas aparentemente sem elo.

Eu compreendo os depressivos
Toda vez que me deparo com o desamparo.
A solidão que fere, o egoísmo e o egocentrismo tão agressivos.
A falta de amor, cujo preço no final das contas sai bem caro.

Eu compreendo os apaixonados
A cada nova certidão de nascimento emitida.
Amor, companheirismo, desejo, sexo, beijos roubados.
A fé na possibilidade da felicidade garantida.

Eu compreendo os românticos e os poetas
A cada vez que me emociono com as artes,
Com atitudes humanas ou animais, mesmo quando indiretas.
E quando escrevo, tentando espalhar poesia por todas as partes.

Eu só não compreendo os ignorantes
que assim o são por mera escolha e não por falta de opção.
Dispensam conhecimento e amizades. Estátuas andantes,
permanecem intactos, estáticos, apenas porque querem. Sem explicação.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Não chame o ladrão, não chame o ladrão!

Foto: Carolina Lauriano/ G1

Por Carlos Pinho

Primeiramente, que fique bem claro àqueles que gostam de atribuir a sujeira na polícia ao baixo salário concedido à categoria: corrupção não é um ato inerente à condição de trabalho. É uma falha moral. Até porque quem entrou para a corporação já sabia como a banda tocava por lá. Ademais, nossa classe política ganha muito bem, entretanto, goza de uma reputação tão limpa quanto o rio Tietê em dia de enchente.

O movimento grevista dos bombeiros e das polícias civil e militar do Rio de Janeiro está recebendo muitas críticas, mas a reivindicação deles é legítima. Por mais que esse ato configure crime militar. Na Revolta da Chibata (guardadas as devidas proporções, contextos e reivindicações), os marinheiros, liderados por João Cândido, também cometeram um crime para tornar público os seus anseios.­

Como os policiais tocariam na ferida de sua desvalorização se ficassem esperando, acompanhados de Tinkiwinki, Dipsy, Lala, Po e do solzinho com rosto de criança, pela benevolência do poder público?­

A priori, o governo deve buscar outras propostas - logicamente que inferiores - para, além de contornar a situação, ganhar dos manifestantes pela paciência. Nesse ínterim, também vai criar, através dos meios de comunicação, mecanismos para jogar a opinião pública contra o movimento. Será necessária muita sagacidade aos grevistas para que estes não coloquem os pés pelas mãos, como fizeram os baianos. ­ A máquina estatal de manipulação das massas é pujante. Os manifestantes não ignoram esse fato. Sabem que já estão expostos a uma enxurrada de censuras. Mas as suas necessidades falam mais alto nesse momento. Quanto ao que acontecer nesse período de paralisação, os grevistas vão botar no colo do governador todos os acontecimentos que não encontrarem amparo policial. E a contrapartida virá, independentemente do descaso de Sérgio Cabral com a situação salarial que, por sinal, não é exclusividade dos atuais manifestantes, já que os médicos e, especialmente, os professores são profundamente afetados pelo desprezo do governo.

É notório que os policiais civis e militares tomaram as rédeas como protagonistas nesse episódio. Em 2011, os bombeiros se amotinaram por melhores salários e condições de trabalho e receberam amplo apoio popular. Será que a polícia desfruta desse mesmo prestígio para acender na população um suporte desse quilate?

Particularmente, considero esse estilo de greve improdutivo em termos práticos. Só serve para criar um desgaste e pender para as frentes políticas oportunistas que estão fomentando os setores envolvidos (afinal, vivemos em ano eleitoral). Precisamos repensar as formas convencionais de luta pelos nossos direitos. Esse movimento está fadado a ser vencido pelo cansaço e pela insatisfação de um povo acuado e já tão acossado por pilantras de terno e gravata que, com os seus sorrisos farsantes estampados em seus rostos besuntados de óleo de peroba, jogam o progresso de nossa sociedade nas costas de eventos que duram pouco mais de um mês e que dão lucro apenas para os seus patrocinadores privados. Seria mais válido se aqueles que são responsáveis pela segurança da população negassem-se a dar qualquer auxílio aos ocupantes de cargos ligados ao alto escalão dos três poderes. Não há maneira mais eficaz do que afetar diretamente aqueles que se consideram os donos do poder.

No entanto, é muito complicado quando, para tentarem valer os seus direitos, os grevistas montam estratégias de manifestação que acabam prejudicando quem mais necessita da ajuda deles. Ainda mais quando temos uma ligeira impressão de como essa história­ pode terminar.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Show FOCUS e RIO PROG FESTIVAL



Show da banda FOCUS


No dia 14 de março a banda holandesa FOCUS de rock progressivo pisa em solos cariocas para um show imperdível no Teatro Rival (Cinelândia): estarão comemorando o aniversário de 40 anos de lançamento de seu maior clássico: o álbum "Moving Waves" e também o lançamento de seu mais novo CD: "Focus X - Crossroads".
Um dos maiores expoentes do Rock Progressivo mundial, o banda foi fundada em, 1969 pelo flautista e organista Thijs van Leer. Tendo como característica composições instrumentais, tiveram algumas influências eruditas.

RIO PROG FESTIVAL
Devido ao sucesso da 1ª edição, está aí a 2ª! Este é o mais novo festival de Rock Progressivo do Brasil, trazendo ao Rio de Janeiro o melhor do Progressivo brasileiro e mundial. Vale a pena conferir!
DIA 10 de Março
- SUB ROSA (MG)
Brilhante banda autoral com vocais femininos e masculinos e grande trabalho instrumental. Criada em 2006, lançou o excelente CD "The Gigsaw" em 2009.
Já tendo obtido a muito expressiva venda de 5 mil CDs, em 2010 venceu o Festival de Música Independente da web rádio WULP (Lágrima Psicodélica), com a música Equinox, concorrendo com mais de 100 bandas.
Seguindo uma linha estilística belamente melódica, influenciada por ícones como Pink Floyd e Genesis, chamam a atenção pela inclusão de artes cênicas juntamente ao espetáculo musical, transformando o evento em uma experiência marcante e inusitada para o público.
Entre inúmeros shows no decorrer desses anos, fizeram em 2011 importante turnê nos EUA. Preparam agora seu 2º disco, o álbum duplo “11:11”.
- BANDA TRUCCO (RJ)
Melhor banda de covers progressivos que já surgiu no Rio!! Formada em 1998 por músicos com grande experiência na noite e uma extensa bagagem musical, a banda Trucco Classic Rock executa versões excelentes de músicas de bandas como KING CRIMSON, ELP, RENAISSANCE, PINK FLOYD, JETHRO TULL, GENTLE GIANT, URIAH HEEP, CAMEL, RUSH etc
DIA 11 de Março
- MAHTRAK (SP):
Formada em São Paulo em 2001, a banda Mahtrak segue uma mescla de jazz-rock e rock progressivo recheado de referências aos anos 70, fortemente influenciados por bandas seminais como Soft Machine, Return to Forever, Mahavishnu Orchestra, Jean Luc Ponty e Camel.
Em seu CD de estréia, intitulado "Panorama", distribuído em 12 países, exploram de forma surpreendente os timbres de instrumentos clássicos do estilo, como o órgão Hammond, o Mellotron e o piano Rhodes. Este album tem recebido excelentes críticas e reviews pelo mundo e graças à sua ótima repercussão, a banda foi convidada a participar da coletânea "The Haiti Project", juntamente com artistas renomados do Progressivo mundial como Roine Stolt, Neal Morse e The Tangent, ajudando as vitimas das tragédias ocorridas naquele país.
Além do excelente repertório autoral presente em "Panorama", a banda prepara seu segundo disco do qual executarão músicas inéditas e trarão também surpresas ao palco, tocando músicas de grandes medalhões do estilo.
- BY THE POUND (MG)
Maravilhosa banda cover do grupo inglês Genesis na sua fase com Peter Gabriel. Seu repertório engloba várias das mais longas e complexas obras genesianas, tais como "Supper´s Ready", "Cinema Show", "Watcher of the Skies", "The Knife" e "Musical Box".
Alem de fidelidade tímbrica máxima, possuem extremo talento e bom gosto na inclusão de detalhes inéditos por eles criados. Sua produção técnica é igualmente impecável, apresentando rica produção cênica o que torna o espetáculo em algo absolutamente inesquecível.

INFORMAÇÕES

Show FOCUS
LOCAL: Teatro Rival Petrobras - Rua Álvaro Alvim, 33 / 37- subsolo - Cinelândia
ENTRADAS: Inteira antecipada - R$100,00 / Inteira na porta - R$160,00 e Meia-entrada para estudantes e idosos - R$80,00
HORÁRIO: 20hs (Portas serão abertas às 19:30)
INFORMAÇÕES E AQUISIÇÃO DE INGRESSOS PARA SHOW FOCUS
RENAISSANCE DISCOS - A/c Claudio Fonzi
Rua Alcindo Guanabara, 17, Sala 1508 - Edifício Teatro Regina
Cinelândia - Rio de Janeiro (RJ)

RIO PROG FESTIVAL
LOCAL: Rio Rock & Blues Club (Rua Riachuelo, 20, Lapa)
ENTRADAS: Antecipadas - R$30,00/ na data - R$50,00
HORÁRIOS: 10 de Março - 20hs
11 de Março: 18hs
Aquisição de ingressos antecipados: da mesma forma que para o show da banda FOCUS.

Escrito por Elis Bondim e Claudio Fonzi

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Janela poética


"Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada. (...)"
(Mário Quintana)


A poesia de tão inspiradora e bela
Passando emoções, expressando sentimentos
Desabafa a alma; a alma desabafa através dela.
Amortece a dor; enriquece momentos.

Para alguns ela entra pela porta da frente
Sem precisar avisar, sem bater antes.
Há vezes em que não há remédio mais eficiente.
A poesia enaltece e alivia com seus versos apaixonantes.

Para outros ela entra pela janela.
Às vezes meio sem jeito, meio despercebida.
Uns cegos pensam ser ela bagatela.
Mas quando a enxergam tornam-a querida.

A poesia entra pela janela de sua casa
Toda vez que você a abre e deixa o sol entrar
A cada vez que você rega seu jardim, uma planta envasa
Ou deixa o perfume de um insenso se espalhar pelo lugar.

A poesia entra pela janela de seu coração
Toda vez que você expressa seu amor.
Toda vez que você ri ou chora de emoção.
Ou que urra sem vergonha de mostrar sua dor.

A poesia entra pela janela de sua alma
Toda vez que você ganha experiência e maturidade.
Que age serenamente em situações que exigem calma.
E que não desiste da luta diária pela felicidade.

A poesia entra cortante pela janela da dor e do pranto.
Também entra irradiante pela janela da amizade e do sorriso.
E, no momento em que se é rendido pelo seu encanto,
Ela entra pela porta da frente de modo preciso!

E nesse momento mesmo que não se tenha o dom das palavras
Mesmo que não se escreva, passa a ser de fácil percepção:
A poesia está até na matemática de Pitágoras.
A poesia está presente até na solidão.

Está no suor de quem trabalha, nas brincadeiras de criança.
No joelho ralado de quem cai, no beijo molhado de quem namora.
No céu estrelado ou nublado, na fé e na esperança.
No sexo gostoso que se faz na cama, nas rugas de uma senhora.

Fazer poesia não é só fazer poemas
É também perceber tudo isso e fazer disso algo de valor pra si
Escrever é bom, sobre x, y, z. Sobre todos os temas.
Mas mais que isso, a poesia é não deixar a fé em viver se esvair.

Seja você engenheiro, médico, professor, faxineiro, cozinheiro
Coloque a poesia em seus pratos, suas aulas, seus projetos
Da janela da alma pra janela da vida: a forma, o gosto, a cor, o cheiro
que só a poesia tem com todos os seus afetos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Uma maneira diferente de utilizar e de enxergar o chão onde se pisa

Joe Hill é um dos pintores em 3D mais famosos do mundo atualmente. Aos 37 anos, o britânico tem colecionado elogios e admiradores pelo mundo todo. Não é pra menos. Basta olhar para as suas pinturas, elas explicam.
Joe já expôs em lugares como Nova York, em plena Times Square; Xangai, Londres, Nova Dhéli, São Paulo, Milão e Estocolmo, dentre outras cidades. No final de 2011 a sua reprodução de um desfiladeiro nevado em um distrito de sua Londres natal foi registrada pelo Guinness Book como a maior pintura em 3D já feita.
Disse o artista em entrevista ao jornal "O Globo" publicada em 23 de novembro do último ano: "Há duas características na pintura em 3D que eu simplesmente venero, já não vivo mais sem elas. A primeira é o fato de ela só ser compreensível de um determinado ângulo. Para mim, não há nada mais gratificante do que ver a cara de interrogação das pessoas enquanto andam em torno do desenho e, depois, admirar o sorriso de surpresa quando finalmente encontram o ponto de percepção. A segunda coisa que me encanta é que o resultado do meu trabalho é sempre inclusivo e capaz de mobilizar crianças de 6 anos a idosos de 96 anos da mesma forma."
Desse modo, é no chão que o artista cria a maioria de suas obras. Criando assim, também, uma releitura do lugar onde pisamos. Nem sempre sendo possível pintar de fato o chão e nem sempre sendo de interesse que as obras sejam apenas temporárias, muitas vezes ele pinta sobre enormes lonas. Vale a pena conferir:



domingo, 22 de janeiro de 2012

Desligue a TV


Caros amigos do "A Notícia no Divã", estou de volta. Estou de volta sem nunca ter saído e, após longo e não tão tenebroso inverno, vos escrevo. E, desafiando todos os obstáculos de um pobre assalariado, espero voltar a tornar essa prática um hábito. 

Agora, vamos ao ponto.

Quando coloquei na minha cabeça que deveria escrever sobre algo, logo surgiu a dúvida: sobre o quê? Pensei na crise do Flamengo, mas preferi adiar esse tema para falar sobre televisão, no mote da repercussão acerca do suposto estupro na alcova do trash show "BBB".

Acompanhei alguns comentários à respeito do caso que, para a minha surpresa, escandalizou o país. Por que "para a minha surpresa"? Pelo simples fato de que a proposta do programa é essa mesma: o escândalo (e os participantes sabem disso e não veem problema algum em se submeter a esse espetáculo de horrores). Não é à toa a quantidade de festas promovidas pela direção, regadas a todo tipo de bebida alcoólica. Ninguém bebe guaraná. Tudo isso com o propósito de estimular a confusão, elemento que, para muitos diretores de TV, é o que dá audiência. E, lamentavelmente, eles não estão tão errados assim. O ocorrido permaneceu durante toda a semana nos noticiários e na boca do povo.

Ora, o caro leitor deve estar pensando: “mas você também está repercutindo, cara pálida”. Entretanto, só usei esse exemplo para tentar fazer algo que pouco vi nos veículos de imprensa: ir além da frivolidade. (Até porque temos inúmeros casos de pedofilia que nem são apurados com seriedade pelas autoridades, a não ser quando ocupam as páginas dos jornais).

Por meio de todos esses desdobramentos, passei a me perguntar: o que é a televisão brasileira atualmente e qual é o seu papel na sociedade?

Para abrir um canal de TV aberta, é necessária a concessão do Estado. Em tese, a emissora precisa comprovar que tem recursos e estrutura para ser autorizada a prestar o serviço. Exatamente, prestar o serviço. De tanto desvirtuarem o seu papel, muitos já se esqueceram que todo aquele lixo que chega às casas de milhões de brasileiros vem de empresas que se comprometeram, no acordo de concessão, a oferecer-nos programações próprias e de qualidade. A televisão aberta deveria ser parceira na conscientização e educação do brasileiro. Infelizmente, isso tudo, na prática, vira balela. Como outras tantas questões que não discutimos e que não vão adiante. O jogo, nesse mundo de fantasia, é restrito a alguns caciques que se perpetuam, fazendo pouco caso da nossa inteligência, a partir de costuras políticas e das benesses decorrentes dessa podridão.  

Não é preciso muito esforço para se ter noção desse quadro. Basta pegar o controle remoto e zapear pelos canais. Atravessamos uma grave crise de criatividade. E, para completar, boa parte das grades são abarrotadas de horários alugados por igrejas e por outros produtos (que não são religiosos, mas prometem fazer milagres). Não inventamos mais, tampouco copiamos direito – para o espanto do saudoso Chacrinha. Nossas emissoras fundamentam-se, há anos, num modelo extremamente chato e comprovadamente falido. Para tentarem fugir da mesmice, compram uma série de programas estrangeiros para prender o público no sofá com as suas versões tupiniquins. Uma alternativa para a preguiça mental dos nossos diretores que está sendo arrastada até as últimas conseqüências.

Lamentavelmente, o excremento televisivo só sobrevive porque existe um grande público que o alimenta. Sem ovos não há omelete, assim como a pouca audiência não sustenta a atração. O anunciante quer ser visto em larga escala. Enquanto sintonizarmos nossos aparelhos para acompanharmos a “dramática” rotina dos heróis do Bial e as entediantes aventuras de um domingão longe de ser legal, a tendência é piorar. Não podemos nos acomodar a esse desserviço. Vou dar uma dica: desligue a televisão e busque outras formas de se divertir. Vá ao teatro, pratique algum esporte ou, até mesmo, siga àquela máxima de plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho. Lógico que, o último, com responsabilidade.

Pois creio que o mal do brasileiro é o de contentar-se com pouco, achando que aquele, que tem a obrigação de servi-lo, o faz por mero favor. Contudo, esquivando-me dessa emissão de poluentes pseudo-artísticos, não posso deixar de parafrasear Charles Wikipédia, do outrora engraçado Pânico na TV, indagando sua famosa afirmação:

Será que é disto que o Brasil gosta?             

sábado, 21 de janeiro de 2012

Direto ao Ponto

Chega de tantas metáforas e eufemismos
Vamos direto ao ponto. Se eu te quero e você me quer
Por que ainda não nos despimos?
Na nudez não há máscara que disfarce quem se é.

Chega de tantas palavras e de tanta enrolação
A poesia é linda, mas o ato é mais gostoso.
Portanto andemos logo, aprecie-me sem moderação.
Morda-me, coma-me, devore-me num ato luxurioso.

Quero mordidas, lambidas, chupões e puxadas de cabelo.
Quero arrepios, provocações, arranhões e uns tapas.
Linguagem corporal. Um corpo, mil sinais. Aprenda a lê-lo.
E navegue sem medo, sem bússola, sem mapas.

E este poema pequeno assim ficará
porque estou muito ocupada "indo direto ao ponto".
Meus momentos de pecado, como são, depois você saberá.
Qualquer dia desses eu conto.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Elis Regina: 30 anos de sua morte e uma eterna admiração de todos


Há muito o que falar sobre a considerada uma das maiores intérpretes do nosso país, se não a maior. É até difícil selecionar; dá pena escrever sobre ela sem fazer uma biografia completa, pois tudo em sua vida pessoal e em sua carreira foi intenso.
A descobridora de novos compositores e aquela que abriu a porta para alguns deles, hoje nomes consagrados como Ivan Lins e João Bosco. A cantora de apelido "pimentinha" devido a seu temperamento explosivo, apelido este dado por Vinicius de Moraes. A mãe de Maria Rita, de Pedro Mariano e de João Marcello. A gaúcha baixinha cuja voz encantou (e continua encantando) a todos, até mesmo aqueles que com ela tinha atritos. Enfim, Elis Regina Carvalho Costa, nascida em Porto Alegre no dia 17 de março de 1945 e falecida em São Paulo no dia 19 de janeiro de 1982 aos 37 anos.
Cantou músicas de Edu Lobo, que foi seu namorado e que a apresentou a Gilberto Gil, que veio a ser um de seus compositores favoritos; cantou também Milton Nascimento, Chico Buarque, Tom Jobim, Aldir Blanc, César Costa Filho, Belchior, Tim Maia, Renato Teixeira, Guilherme Arantes, Tunai, além de Ivan Lins e João Bosco. Era ativista, tinha como característica a agitação pública. Como disse Ivan Lins em entrevista ao Globo no último dia 15: "Temos hoje maravilhosas cantoras novas, lindas vozes, muito afinadas, mas atitude mesmo, como a Elis tinha, é difícil de ver."

Gilberto Gil define seu amor por ela como 'ideal, platônico e, sobretudo, incondicional'. Antonio Carlos Jobim é o compositor mais gravado por Elis, seguido de João Bosco e de Edu Lobo. Tom Jobim demorou para reconhecê-la, mas reconheceu. Gravaram um disco nos Estados Unidos, ambos cantando e Tom também tocando, dividindo os arranjos com César Camargo Mariano, marido de Elis, coisa que Tom fez com resistência.
Na vida pessoal, sua morte foi precoce. Maria Rita tinha apenas 4 anos quando Elis faleceu, e Pedro Mariano tinha 6. Ambos seguiram a vida artística, mostrando que o talento também corre no DNA. Como Elis ninguém mais é, nem os filhos, mas é bonito ver que apesar da pouca convivência que tiveram com a mãe ela lhes deixou algo que vale demais: a capacidade artística. João Marcello diz: "Do ponto de vista artístico, foi bom, ela morreu no auge. Mas o sofrimento pessoal foi enorme. Como filho, ou você morre no dia seguinte ou resolve seguir em frente. A única coisa pior seria um filho morrer antes." João Marcello, por sinal, chegou a ser desenganado quando pequenino porque rejeitava leite de vaca. Diz ele: "Ela passou a noite cantando para mim. De manhã, eu estava bom. Sua voz salvou minha vida."
Pedro Mariano diz: "Há o lado da frustração, que é não ter podido conviver com ela. É não saber identificar o que é lembrança minha e o que me foi contado." Diferentemente de Maria Rita, Pedro já gravou vários números do repertório de Elis. Mas Maria Rita já declarou a alguns meses que começará em março sua turnê de shows cantando músicas interpretadas por Elis, pois sim, finalmente ela se sente preparada para cantar Elis. Depois de tantas comparações entre ela e a mãe, Maria Rita já consagrou o seu nome e esses shows serão muito bem-vindos.
Devido a hoje, os 30 anos de sua morte, diversos projetos envolvendo Elis estão para ser lançados: caixas de CDs, íntegras de shows, uma nova biografia, outra reeditada e uma exposição que promete.
O projeto "Viva Elis" rodará o país a partir de abril com doações de todo o país que contém de tudo um pouco: áudios, vídeos, revistas, jornais, fotos e documentário. Começa em abril em São Paulo (Centro Cultural de São Paulo), segue para Porto Alegre, vem para o Rio (previsão para agosto no Centro Cultural Banco do Brasil), Belo Horizonte e Recife, ainda podendo se estender por outras cidades em 2013.
Impossível definir a voz da Elis com precisão. Ela não é feita só de afinação e talento (não que isso seja pouco, não é), mas é também de paixão. É tão cheia de paixão que se torna assim, do jeito que é, ou seja, simplesmente apaixonante. A paixão que ela coloca em sua voz é a paixão que se sente ao ouví-la. Um delírio delicioso, um orgasmo musical, uma admiração eterna. 30 anos de sua morte, uma eterna admiração!

Este artigo é um pequeno resumo da linda matéria que o jornal "O Globo" fez sobre Elis Regina no último domingo, dia 15 de janeiro. Para se ver a grandeza de Elis, o "Segundo Caderno" foi quase que inteiro dedicado a ela. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Arquiteturas de papel inspiradas em Escher

A artista plástica Ingrid Siliaku estudou o trabalho do arquiteto e professor japonês Masahiro Chatani criador da arte das arquiteturas de papel e encontrou nessa forma de arte um meio de se expressar. Costuma-se encontrar pequenos exemplos de arquiteturas de papel em livros infantis, formando imagens que saltam para fora do livro quando suas páginas são abertas. Ingrid prova como essa interessante forma de utilização do papel não é só para crianças, mas sim para todos, de todas as idades, pois é arte. Inspirada no artista gráfico M. C. Escher, holandês assim como ela, Ingrid cria obras baseadas em ilusões de ótica.
Utilizando-se de contrastes entre o preto e o branco, o claro e o escuro e de elementos arquitetônicos, suas obram se aproximam muito de Escher, uma vez que esses elementos também foram muito utilizados por ele. Mas as obras de Ingrid são volumétricas, quase sempre inspiradas em grandes cidades e em elementos presentes nelas. Muitas vezes simétricas, suas obram parecem literalmente retiradas de diversas obras de Escher, como se fosse possível encostar na obra dele e materializar o que nela está representado.

É possível se lembrar da época de criança, se por acaso o leitor já tiver brincado quando pequeno de dobrar uma folha de papel em diversas partes e ir recortando com a tesoura, depois desdobrar a folha inteira e ver como ficou. É por esse caminho que foram feitas essas esculturas de fazer babar qualquer adulto. São verdadeiras obras artísticas tridimensionais. Admire-as, pois elas merecem!