segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cansaço


"Estou saindo de férias, volto assim que me encontrar." (Martha Medeiros)

Estou cansada de comer. Cansada de ir ao banheiro. E também de andar, de levantar a cada manhã. Você sabe o que é estar cansado de abrir os olhos, meu amor? diga-me, você sabe como é se sentir assim?

Sentir-se tão sem ânimo, tão sem motivos pra continuar vivendo que nem beijar tem mais o mesmo gosto doce, que nem o sexo causa o mesmo prazer, que nem um abraço tem mais o mesmo poder de reconforto. Você consegue imaginar essa dor? Essa dor tão profunda que pode vir a ter a capacidade de deixar de ser dor e passar a ser simplesmente ausência de sentimentos, sejam eles bons ou ruins.

E as pessoas ao meu redor com sua epiderme não mais sendo pele e sim sendo apenas um casco duro de insensibilidade nem ao menos percebem. Olham-me e não me vêem. Há vezes em que é ainda pior e acham que eu sou apenas uma garota mimada, ingrata e dramática. Ou será que eu sou mesmo isso? uma falsa ideia, uma pseudo-garota triste, apenas um projeto de melancolia. Será que eu não passo de um engano? ou de um desangano?!

O que fazer? qualquer depressivo nesses momentos pensa em cortar os pulsos ou se encher de remédios quaisquer pra ver se prestam atenção e percebem que o buraco é mais embaixo, que não é drama de criança e sim algo mais sério. Mas eu tenho tanta consciência de que esse não é um bom caminho, a razão me fala tão alto nesse momento que eu não consigo. Eu não tenho coragem de correr o risco de não abrir mais os olhos, por mais que eu esteja cansada de fazê-lo. Eu preciso abrir os olhos pra ver que você ainda está aqui, ao pé da cama. Ao pé da nossa cama. Você está segurando minhas mãos, meu amor? não as solte, eu lhe peço, não desista de mim. Não me deixe desistir de mim mesma.

Esperança. A única pequena chama que me mantém viva. Esperança de que isso passe, de que as coisas voltem a ter cor como antes, de que a sua língua molhada volte a me levar ao céu, que eu volte, enfim, a ter ânimo.

Solidão. Aquilo que eu sinto mesmo quando cercada de pessoas queridas. Eu me sinto só porque só eu me sinto dessa maneira, só eu mesma compreendo o que eu sinto, o que eu não sinto.

Fé. Às vezes eu me olho no espelho e penso que a perdi. Quando me olho e vejo em mim apenas um fracasso vejo o quanto é difícil ainda ter fé em mim mesma. A cada dia tenho menos. Menos fé nos outros. Menos fé no amor, sentimento sobre cuja existência começo a duvidar. Menos fé na tão clichê frase, mas na qual sempre acreditei, de que 'o tempo cura tudo'. Mas é nesse momento que a esperança ainda me salva. Tenho esperança de que ainda haja um pouquinho de fé guardada em algum lugar dentro do meu peito, mesmo que bem escondida. E por mais que às vezes eu negue, eu sei que amanhã será um novo dia e irei acordar melhor. Se não amanhã, então depois de amanhã, mas vai acontecer.

Afinal, de que adianta ser tão elogiada quando exponho livremente meus sentimentos através da escrita se eu não conseguir mais colocar toda essa intensidade em minhas atitudes? Você sente falta, meu amor, não sente? daqueles beijos quentes de queimar a língua, dos carinhos intermináveis. Você quer de volta, não quer? eu também. Quero de volta a intensidade que eu colocava em cada abraço, em cada beijo, em cada olhar. Você sabe, meu amor, você sabe como eu era. Você me conheceu como mais ninguém. Cada curva de meu corpo, cada fio de meus cabelos, cada dente de minha boca. Só você conheceu minhas cavalgadas, só você me viu de todos os ângulos. Só a sua boca, e mais nenhuma, percorreu cada traço dessa carne que um dia vai virar pó.

Sinto-me nua sem a alegria que me acompanhava. Crua. Em carne viva. Eu não estava preparada. Eu não apertei os cintos antes dessa freada brusca. Sinto-me perdida no tempo. No mundo. Perdida em mim mesma. Meu amor, você vai me ajudar a reencontrar o caminho do qual me desviei? Eu sei. Eu sei que eu não posso depositar essa responsabilidade em outra pessoa. Ela é minha, apenas minha. Eu estou tentando, meu amor. Por você. Por nós. Por mim mesma.

Mas se eu falhar novamente, se eu fracassar, se eu não suportar mais essa angústia, por favor, não se esqueça, eu terei tentado até onde minhas forças terão aguentado. Mas agora estou cansada, cansada de escrever, tão cansada que vou apenas me recostar e fechar os olhos... e já estou mais cansada ainda só de pensar que amanhã os abrirei novamente. Fechar os olhos e descansar, é o que me resta por hoje. Apenas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Religiosidade feminina


Uma vez fiz um trabalho na faculdade sobre a religiosidade feminina no mediterrâneo. Os judeus,os romanos e os gregos julgavam a mulher como uma eterna criança. Na verdade isso se dava apenas para justificar o total controle que os homens queriam ter sobre as mulheres para que os filhos que delas viessem fossem legítimos de seus maridos.
Um tipo de controle sobre a mulher mediterrânea era proibí-la de participar dos cultos religiosos como sacerdotisa, e no caso dos judeus, elas nem podiam entrar no templo.

Excluidas da esfera religiosa oficial, as mulheres criaram a própria religiosidade. Esse ato era mal visto pelos homens, que chamavam essa religiosidade de crendice feminina ou mesmo bruxaria. No entanto, elas como mães e esposas utilizaram seu poder espiritual para proteger seus "homens" e lhes davam amuletos e bençãos entre outras coisas, ao qual estes diziam usar só para satisfazer um capricho. Na verdade sentiam medo desse poder paralelo exercido pelas mulheres.

Na cultura africana, as mulheres também representavam um poder paralelo, que era respeitado pelos homens e também temido, só que elas também não podiam entrar em contato com os mortos dentro da religião, o contato com espiritos de guerreiros era mais dado ao homem. O engraçado é que apesar de ser considerado mais aberto a esse contato espiritual, era reconhecido na mulher o poder sobre a vida e a morte. Por ser ela quem dá a luz, em algumas tribos, só elas podem chorar os mortos e cuidar de doentes.

De alguma forma acredito que as mulheres na África tiveram uma situação social melhorada. Elas podiam vender escravos (na África as tribos inimigas escravizavam umas as outras) entre ouras funções. A mulher era considerada uma riqueza, pois quanto mais filhos produzisse mais rica era a família (tendencia que acaba se esvaindo quando a sociedade se ocidentaliza e urbaniza), pois teriam mais filhos para trabalhar. Nos contratos de casamento, o pretendente tinha que dar presentes a família da noiva, para cada integrante, justamente por esse alto valor do feminino.

No tocante a escravidão, as mulheres eram menos vendidas na África porque raramente se entregava uma mulher para pagar a divida da família. O escravo virava um estrangeiro, perdia total ligação com a tribo e com sua família, e não era jogo quebrar o vinculo já que em época de casamento os presentes pela esposa eram inúmeros.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Vampiros que sugam água.

O Ultimo sonho que lembro dessa noite foi sobre vampiros.
Eu era rapitada por um maluco e sua namorada (que era extremamente cega para os defeitos dele).
Ele me mandava dormir numa cama de casal onde tinha um lençol listrado de verde e preto.
Por acaso acho que a namorada estranha tinha simpatizado comigo. Então quando acordei um pouco antes da meia noite, vi os dois pelados na sala ela me deu um conselho. Disse que não era para eu voltar para a tal da cama por causa dos vampiros sugadores de água que dormiam embaixo da cama. Eu tinha tido muita sorte de acordar antes do horário que eles atacavam. O engraçado é que eles pareciam fantasmas, e eu via outras pessoas serem sugadas até parecerem uvas passas, tipo naquele filme da múmia com a RACHEL WEIZ.
Pensando bem vocês lembram daquele jogo do come come? Um dos primeiros joguinhos de computador que eu joguei. Os fantasmas pareciam com o bichinho que persegue o come-come. Teve uma parte também que mostrava as pessoas ante de virarem os vampiro aquíferos. Eles pareciam adolescentes rebeldes sem causa.
Postado por Aleska às 07:31

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sobre Chico Buarque.



"Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã." Cotidiano,Chico Buarque




Chico é um dos meus compositores favoritos. Ele ficou famoso por suas querelas com a Ditadura de 60, mas Antes de ser O Político, Chico era apreciador das mulheres e tentava desvendá-las em suas músicas, como no trecho abaixo de Olhos nos olhos:

"E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você."

Foram muitas outras músicas explorando a pisique feminina. Pedaço de Mim, que explorou a maternidade, Com açúcar e com afeto e Valsinha são umas das minhas preferidas. Fizeram uma coletânia dele com 12 cds, vi algumas partes da entrevista e ele comentava que o universo feminino era muito interessante para ele, por causa de alguns aspectos de sua infância acho. Pra mim, não importa o porquê. Eu o acho genial demais, mesmo quando fez uma piadinha machista em Quadrilha ("a mesa posta de peixe tem o cheirinho da sua filha").

Ele também teve sua faceta de malandro. Aliás, não tem como desvincular o samba da ideia de malandragem, e isso não é ruim, é a cultura dos morros que Chico se apropria e faz entrar na alta sociedade. Em seu tempo, Chico tentou a aproximação da nata da intelectualidade com a cultura popular. Partido Alto é um grande exemplo desse projeto veja:

"Deus me fez um cara fraco,
Desdentado e feio
Pele e osso simplesmente,
Quase sem recheio
Mas se alguém me desafia
E bota a mãe no meio
Dou pernada a três por quatro
E nem me despenteio"

Hoje em dia há quem critique esse compositor porque a maioria de seus fãs é de elite, mas não param para analisar que a realidade representada por ele em muitas de suas letras é a do cidadão comum sem dinheiro. Ele mesmo não foi rico sempre, mas teve acesso a erudição, pois seu pai era o importante historiador Sérgio Buarque de Hollanda. Por mais que este não tenha obrigado seus filhos a serem eruditos, viver numa casa cheia de livros normalmente incentiva a criança a gostar deles, a sentir curiosidade pela leitura.

Não acho que ele faça músicas inacessíveis ao público. São músicas inteligentes sim, mas é muito fácil se identificar com elas ou ver pessoas conhecidas nelas. Há muitas músicas melancólicas, é verdade, mas também tem as que são ácidas, do jeitinho que nosso povo gosta.

Por fim vou deixar para vocês um vídeo que gosto muito:

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

Unhas Vermelhas

Ela o arranhou, e marcado por suas unhas, extasiado, ele dormiu. Uma cama, uma janela aberta deixando à vista a noite tempestuosa, desejo e amor – era isso que tinham e apenas disso precisavam. Enquanto a chuva caía lá fora, o calor ali se fazia. E, naturalmente, os beijos se multiplicavam. A língua que saciava a fome de ambos, era a mesma que a fazia aumentar. E a saliva que molhava os seios dela era a mesma da qual ela sentia sede.

Os gemidos baixos eram sinceros e nenhuma atuação, por melhor que fosse, seria capaz de competir com eles. Os olhos tudo diziam, mesmo quando as pálpebras se encontravam fechadas. O prazer maior era poder viver aquele momento, cheio de desejo e ternura, e acima de tudo, não só carnal, mas também espiritual.

Fazer amor é o encontro de duas almas e a concretização do que já se faz através do olhar, do abraço, do diálogo e da energia positiva e maravilhosa que é emanada por qualquer pessoa que ame. E baseando-se nisso eles se amaram intensamente.

E as mãos que nela entravam eram as mesmas que a levantavam quando ela caía. E as pernas que se misturavam com as dele eram as mesmas que caminhavam ao lado das suas. A boca que descia e subia em movimentos leves, ardentes e carinhosos era a mesma da qual saía a voz sempre reconfortante que dizia “eu te amo”.

A vontade de satisfazer um ao outro era tamanha que os pensamentos só se resumiam a amar. A dedicação um ao outro era completa, em todos os aspectos. E ninguém os tirava o sublime prazer que era poder dar à pessoa que mais amavam o que tinham de mais precioso: o seu amor, corpo e mente.

E depois de muitas carícias, mordidas e calafrios excitantes, o êxtase chegou e o espírito atingiu o ápice do que se pode ser chamado, pelo homem, de “perfeição”. As unhas vermelhas e atraentes dela o arranharam, vezes mil fazendo carinhos em suas costas e deitada sob seu corpo, pele na pele, sentindo o seu calor. E foi assim, arranhado pelas unhas vermelhas dela e elevado ao mais incrível patamar de amor e de prazer, que ele dormiu.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Claudio Aun – Um artista que vale muito a pena conhecer




Claudio Aun já teve exposições de suas obras na França, em Portugal, na Alemanha, Holanda, Uruguai, EUA e, é claro, Brasil. Ainda assim o seu nome ainda não é tão conhecido, como é comum de se ver acontecer nas artes.

Sua carreira se iniciou em 1969 em São Paulo capital. Em 1971 foi para o Rio de Janeiro e em pouco tempo participou de mostras individuais e coletivas. Suas obras principais consistem em esculturas, muitas em mármore ou em bronze, e em pinturas. Mas há também instalações, jóias, dentre outros. Suas obras são elaboradas com base em matrizes oníricas e simbólicas, é um traço pessoal.

Em novembro de 2010 foi reconhecido sendo convidado a assumir uma cadeira na Academia Brasileira de Belas Artes, tendo como patrono o fotógrafo Marc Ferrez. Claudio Aun está comemorando este ano 40 anos dedicados às artes plásticas, com muita perseverança e criatividade. Morou em Carrara, na Itália, onde aprendeu a esculpir em mármore, passando a se dedicar às esculturas.

Aun trabalhou como cenógrafo visando à formação de novos artistas brasileiros. Há mais de dez anos é professor na Casa de Cultura Laura Alvim e em seu atelier, instalado no Morro da Conceição, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Suas obras são interessantíssimas, originais. Vivas. As esculturas muito bem trabalhadas e as pinturas não são só bem trabalhadas como cheia de cores que dão a ela um tom mais impressionante ainda, como se já não bastassem as próprias imagens representadas. Chocantes, instigantes, de extrema criatividade. Observe-as, elas falam por si.






domingo, 20 de novembro de 2011

Tempo ao tempo


Viro, me reviro, me desviro na cama.

Minha língua chama pelo teu beijo quente.

Só o teu corpo pode apagar esta chama.

Amor, vem aqui e me diz o que você sente.


Sim, eu chamo por você a todo instante.

As olheiras demonstram as noites mal dormidas.

Insônia é algo que tem se tornado constante.

Será que nossas lembranças por você já foram esquecidas?


Levanto. Vou até o armário, cujo lado direito agora se encontra vazio.

E o vazio é a recordação que tenho de suas roupas e sapatos.

Imagino você me amando como outrora, pareço uma gata no cio.

Sem ter como aliviar o desejo e a saudade, tristes e intensos fatos.


Viro, reviro, desviro cartas, fotografias, momentos representados em papel.

Lágrimas caem sem expressar nem um mínimo da falta que sinto.

Será que você já tem outra? sinto na boca o gosto amargo do fel.

Vou até a sala e viro logo duas doses de absinto.


Minha imediata tontura alivia a sensação de mal estar.

E a esta dá lugar a uma sensação de conformismo.

Ganho a consciência de que melhor solução que o tempo não há.

E deixo de lado qualquer extremismo.


Viro, reviro e desviro meu próprio corpo.

Descubro minha capacidade de me fazer sentir os prazeres carnais.

Ser autosuficiente, independente, talvez seja meu escopo.

Apesar do prazer, não dá. Corpo, cheiro e voz de homem são fundamentais.


Não vou lhe buscar em outros corpos. Não é possível.

Não vou me desvalorizar e me relacionar com qualquer um.

No fim das contas o término não é assim tão terrível.

Não é o fim do mundo, nem é incomum.


Viro, reviro e desviro meus pensamentos.

Deito aliviada após reflexões e logo durmo calmamente.

Fazem parte da vida não só as alegrias, mas também os sofrimentos.

E tudo será superado, com um gosto bom como o seu beijo quente.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Índia vista por belos olhares

O CCBB-RJ está comemorando 22 anos de vida ativa, na qual tem exercido muito bem o seu papel de levar cultura à população carioca de forma prática, geralmente bem realizada e ou gratuita ou a preços acessíveis. E na comemoração deste aniversário o CCBB-RJ está homenageando a Índia com a maior exposição do ano em seu espaço de 18 salas.

A exposição conta com 380 peças cedidas por diversas pessoas de diversos países. Muito rica, a exposição abrange 3000 anos de cultura indiana, da Idade Antiga a Contemporânea. Uma boa exposição sobre a índia não poderia ser menos rica e possuir menos elementos, afinal, é um país de numerosa população que se divide em cerca de 200 etnias, mais de 20 línguas oficiais, dentre as quais se destacam o Hindi e o inglês e algumas religiões, sendo as principais o hinduísmo, o budismo, ou jainismo e o sikhismo. A exposição perpassa bem as três primeiras, assim como apresenta uma diversidade de objetos típicos que vão de utensílios domésticos a vestimentas, como os saris usados pelas mulheres. São longas peças de pano, geralmente com cerca de 6 metros de tecido, que vão sendo enroladas na mulher, parecendo vestidos que cobrem todo o corpo. Há também muitas fotografias interessantes que mostram aspectos da cultura, inclusive diária, dos indianos.

A exposição se divide em quatro módulos com focos diferentes: os Deuses, a Formação da Índia Moderna, a Arte Contemporânea e peças datadas de 200 a.C. até 2011. Há espaços dedicados a Ghandi, o grande exemplo que o mundo tem de pacificidade. Há ainda um dedicado à novela Caminho das Índias, que se revela apenas como forma de mostrar que o Brasil já teve recentemente uma grande expressão artístico-comercial com interesse na cultura indiana. Há também um espaço para a famosa Bollywood, responsável pela maior parte da cinematografia indiana e que tem crescido cada vez mais a ponto de ser considerada, no mínimo, no mesmo patamar de Hollywood. O nome Bollywood surge da fusão de Bombaim (antigo nome de Mumbai, cidade onde se localiza Bollywood) e de Hollywood (nome dado à indústria cinematográfica norte-americana).

A exposição peca apenas nas legendas iniciais das peças. Quem não conhece um pouco da cultura indiana perde-se em alguns momentos perguntando-se quem é Madhubani, Sita e Ruana, por exemplo. As explicitações aparecem depois, em outras obras.

É muito interessante ver o quanto os indianos são caprichosos e criativos. Vivem em busca da espiritualidade e em harmonia com ela. Dedicam-se com amor aos seus trabalhos, sendo a maioria manual e de belíssimo teor artístico. São todos envoltos em detalhes, geralmente também em muitas cores. Não importa se o trabalho demora pouco ou muito pra ser feito, é perceptível que são feitos com amor.

As mandalas, os desenhos dos deuses, mosaicos, dentre outros, aparecem constantemente. Os animais são sagrados, o Ganges é sagrado e banhar-se nele, mesmo com toda a poluição, é um ato de fé e de purificação. Um turista tem de tomar cuidado ao andar em suas ruas, onde animais andam livremente, onde não há placas de trânsito e andam juntos carros, animais e pedestres por todos os lados e em todas as direções. Para nós, uma aparente bagunça. Para eles, costume. Isso é a cultura de cada lugar. Isso é o bacana de viajar, mesmo que sem tirar os pés no chão. Esta exposição proporciona uma linda viagem, na qual vale à pena embarcar.

É lindo ver como em um país que sofre com muito precária infra-estrutura, com miséria, fome e doenças há pessoas que se dedicam tão lindamente à espiritualidade, sendo simplesmente felizes apesar da visão triste diária. Não se pode esquecer que, é claro, esta é apenas uma parte da população. O sofrimento, a violência, o mau caráter e a maldade existem em todo lugar, até mesmo em um país que é templo de uma grande busca pela espiritualidade. E é ainda mais compreensível quando se vê crianças tão magras e tanta sujeira pelas ruas. É uma linda cultura, com uma realidade ao mesmo tempo bonita e triste.

De qualquer modo, com seus exageros, realidades e ilusões, é possível se fascinar por esta cultura tão diversificada e tão diferente da ocidental. A exposição no CCBB-RJ vai até o dia 29 de janeiro de 2012 e funciona das 9h às 21h de terça a domingo, gratuitamente. O CCBB-RJ se localiza da Rua 1º de março, 66 – Centro.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os 80 anos do Maior Monumento da Cidade Maravilhosa

No dia 12 de outubro deste ano o grande monumento conhecido como o Cristo Redentor completou 80 anos. Inaugurado em 12 de outubro de 1931, demorou cinco anos para ficar pronto e se localiza no morro do Corcovado, a 709 metros acima do mar.

Difícil um brasileiro não ter conhecimento sobre em que consiste o Cristo Redentor, mesmo que nunca o tenha visitado. Pode-se quase generalizar a ponto de se dizer que, a cada dia que passa, é mais rara uma pessoa que não o conheça de nome. Desde sua construção se tornou um dos maiores cartões-postais da cidade do Rio de Janeiro. Passou a aparecer sempre em novelas e também a ser temas de obras de arte. Aparece inclusive em filmes estrangeiros como na animação estadunidense “Rio” e no também estadunidense “2012”, dentre outros. A sua fama como uma obra de beleza rara, grandiosa e da onde é possível ver uma bela vista cresceu ainda mais depois de 2007, quando foi considerado uma das sete novas maravilhas do mundo moderno, através de votação realizada pela New 7 Wonders Foundation, pela internet. O concurso não possuiu o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura devido à falta de critérios científicos na escolha, mas apesar disso os brasileiros se sentem muito orgulhosos.

No entanto, mesmo com tanta fama, são poucos os que conhecem a sua história. A primeira sugestão de construção de um monumento religioso no local foi pelo padre Pedro Maria Boss à Princesa Isabel, na segunda metade do século XIX. Mas foi no centenário da Independência do Brasil que esta idéia se fortaleceu. A ferrovia que permite o acesso ao local foi construída em 1884/1885 e foi a primeira no Brasil a ser eletrificada, em 1906. Também pode-se chegar lá a pé ou em vans credenciadas. O Cristo foi construído em concreto armado e é revestido de um mosaico de triângulos de pedra-sabão da região de Carandaí (MG).

Costuma-se ouvir dizer que o monumento foi um presente da França para o Brasil, mas na verdade a obra se realizou graças a doações de arquidioceses e paróquias de todo o país. Da França veio apenas uma réplica de quatro metros. Ainda existe uma discussão de quem seria o verdadeiro autor do monumento: o engenheiro Heitor da Silva Costa, autor do projeto escolhido em 1923, ou o escultor francês de origem polonesa Paul Landowski, executor dos braços e do rosto do Cristo e dos modelos que serviram de base para a construção. Outro nome importante na realização desta obra é o do artista plástico Carlos Oswald, autor do desenho final do monumento.

Finalmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2009, o monumento já passou por algumas reformas. Em 2003 recebeu escadas rolantes, passarelas e elevadores. Em 2010 a restauração se concentrou na estátua em si e foi realizada pela VALE em parceria com a arquidiocese do Rio de Janeiro. Obras de manutenção são realizadas constantemente devido às condições climáticas do local, pois devido à altitude ocorrem desgastes por causa de grandes rajadas de vento e fortes chuvas.

Ver o Cristo Redentor de perto é emocionante, não importa a religião do visitante. Tendo valor religioso para os cristãos, possui também grande valor turístico e de beleza independentemente do fator religião. Vale a pena visitá-lo, pois a beleza de sua grandiosidade não tem e não deve ter relação direta com as crenças individuais de cada um. O Cristo Redentor completou 80 anos de muito sucesso, e assim se espera que ocorram os próximos 80 e os que se seguirem a eles!

domingo, 6 de novembro de 2011

O preço do Amanhã





Não levei muita fé nesse filme quando vi o cartaz e quando minha amiga Renata falou que ía ser com o Justin Timberlake. Não vou dizer que ele deu um show de interpretação, mas também não foi tão ruim. A história do filme é sobre uma descoberta científica: o fim do envelhecimento. Todas as pessoas vivem normalmente até os 25 anos, idade em que um relógio no pulso delas começa a funcionar. A partir dos 25 você ganha um ano nesse relógio, o problema é que o tempo virou a moeda corrente, então você acaba numa luta pela sobrevivência, onde se vive angustiadamente a cada dia.
O personagem de Timberlake(Will Salas) um dia encontra um cidadão exibindo um relógio de um século no bar. Fica apreensivo e tenta salvar o cidadão pedindo que ele saia porque uma quadrilha famosa naquele fuso horário (as pessoas dividiam-se em fusos pelo status social) com certeza farejaria o homem e roubaria seu relógio. O homem queria exatamente aquilo, mas Will o salvou do mesmo jeito. Num prédio abandonado os dois conversam e Will descobre que o homem viera ali para morrer. Ele viveram 100 anos e já não via mais sentido em estar vivo. Ele lhe explicou que para que muitos vivessem 1 milhão de anos a maioria deveria viver angustiadamente esperando conseguir mais tempo ou mesmo morrendo cedo. Pela manhã Will acorda com um século no relógio e vê da janela o homem ter um infarte e cair da ponte. Seu maior erro foi correr até a lá, pois foi filmado e os policiais acharam que ele tinha roubado o finado.
Sem querer contar mais spoilers, vou falar mais no geral do filme: Will conhece a personagem de Amanda Seifried e os dois saem distribuindo tempo para as pessoas desesperadas. O que eles não sabem é que além da polícia outros grupos estavam atrás deles. Lembra dos mafiosos do fuso de Will? O mais importante na cena em que reaparecem é que eles dizem que a Polícia do tempo permite que eles existam porque ajudam a manter o sistema. Em todo o filme eu vi semelhanças com a realidade. A nossa moeda é o dinheiro, mas mesmo assim a morte dos mais pobres é o que sustenta a fortuna e abundancia dos vivos, o desequilibrio sustenta sistemas injustos. Qualquer mudança nesse aspecto e o sistema quebra e vem a anarquia. É exatamente o que Will acaba instaurando: uma anarquia. Em determinado ponto do filme ele se questiona se é justo distribuir o tempo porque algumas pessoas não usam o que tem para o próprio bem. O que acredito ser a desculpa dos ricos hoje em dia "ele é um vagabundo! Se tivesse mais gastaria com bebida!" Mas Will decide continuar furando o sistema.
Não acredito em Revoluções, porque nada pode mudar sua natureza da noite para o dia. Acredito em processos. As circunstancias vão moldando uma caracteristica já existente nas pessoas e nos sistemas até que não se reconheça mais os resquícios do passado. É por não ter essa consciência que os adolescente sofrem tentando ser aceitos e para isso apelando por adotar um estilo oposto ao próprio. Porém, acredito que atitudes drásticas são necessárias para forçar uma nova visão das coisas, que seria a atitude de will de quebrar o monopólio do tempo. Ele não rompe totalmente com a mentalidade/ lógica do acúmulo de "riquezas", mas ele dá a oportunidade das pessoas pensarem sobre isso. A ação dele é o estopim de uma nova realidade, as pessoas começam a invadir os fusos mais privilegiados, e tudo indica que uma nova ordem está para começar. Se ela vai ser justa não se sabe, o que podemos concluir é que as pessoas agora tem o poder de barganhar, por isso vão lutar por um sistema mais justo que atenda às novas necessidades e personagens que vão surgindo.
Foi surpreendente um filme Hollywoodiano abordar esse tema sem se preocupar com a repercussão dessa temática. Foi o mesmo espanto que tive com Avatar. Isso é uma coisa rara, mas um fato a ser comemorado. Eu brinquei com a mina amiga no cinema dizendo que pela logica dos filmes de ação Will iria procurar a origem dos relógios para reverter e dar o tempo que todas as pessoas tinam direito, ou então tentaria provar sua inocência, o que não acontece. O personagem prefere ser um fora da lei, uma espécie de Robin Wood. Bato palmas para a direção desse filme.
Isso é tudo pessoal!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um quadro perturbador


Para começarmos a análise é importante ressaltar que esta foi a última obra de Vincent Van Gogh. Alguns dias depois de pintar Campo de Trigo com Corvos, ele retornou ao campo de trigo e deu um tiro no peito. Eu não vou entrar nos detalhes da vida pessoal atormentada de Van Gogh, vou apenas explicar o porquê do meu fascínio por esta obra específica, mas vale lembrar que ele foi o precursor do Expressionismo.

Agora sim. Ao observar o quadro Campo de Trigo com Corvos, notei que a turbulência nos trigais, representam as perturbações de Van Gogh com o mundo exterior. Ele reúne neste quadro fatores que tem como denominador comum à divergência de elementos, como por exemplo: cor e linha, céu dramático, tempestuoso e fechado que contrasta com as cores vivas e ensolaradas do trigal dourado. Esses paradoxos motivam a criação de uma imagem perturbadora, onde a razão e a emoção se confrontam numa relação de ambiguidade e de incerteza.

Os caminhos bifurcados avançam sem revelar para onde se perdendo ao longe e sem destino, este caminho sem fim provoca uma sensação intrigante ao inverter a lógica da perspectiva: são direções de fuga que simultaneamente convergem e distanciam-se do pintor. Provavelmente Van Gogh se via cada vez mais longe de achar uma saída para o seu transtorno mental. Outro detalhe fantástico se dá na presença dos corvos, que acentuam a expressividade trágica do quadro. Os corvos estão em revoada, como se algo os tivesse assustado, talvez o tiro que Van Gogh já pretendia dar e expôs na obra previamente quem sabe a morte. Na mitologia grega os corvos eram brancos, e foram escurecidos por Apolo, que não ficava satisfeito com o prazer que estes animais tinham em dar notícias ruins, por isso são vistos geralmente como portadores de maus presságios. Eles são o prenúncio de mudança de consciência, que pode, inclusive, significar uma viagem pelo mundo dos mortos. A ave é destemida e é a guardiã das coisas ocultas. O corvo é o interprete do desconhecido, está sempre vigilante, observando tudo à sua volta.

Resta dúvida que Van Gogh pintou Campo de Trigo com Corvos pensando na morte? Será simplesmente que em mais um ataque de loucura teria dado um tiro contra o próprio peito sem pensar no impacto que teria este quadro enigmático e “profético”?

Fica explícito para mim, e foda-se a sua opinião, que Campo de Trigo com Corvos foi um presságio do suicídio de Van Gogh que constituiu uma reflexão clara do próprio estado mental nos seus últimos dias. A sua vida foi toda ela um fracasso. Ele falhou em todos os aspectos importantes para o seu mundo, em sua época. Foi incapaz de constituir família, incapaz de custear a sua própria subsistência e foi incapaz de manter contatos sociais. Assim, sucumbiu a uma quase inevitável doença mental que culminou no suicídio.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sobre perdedores, conquistadores e o que as mulheres gostam.

Ontem quebrei meu recorde ao telefone com uma amiga minha. Se ela não tivesse um plano pra pagar menos teríamos que dividir a conta. Mas o caso é o seguinte: Gleice me disse que todo mulher procura o cara que é o pegador. Puro mito na minha opinião. Não nego que haja mulheres que se interessem pelos garanhões, mas é errado dizer que todas preferem esse tipo. Eu por exemplo fujo desses caras. Não sei se porque o contato que tive com estes cidadãos foi bem o estereotipo do homem bonito e burro, mas prefiro sair pela tangente quando vejo um.

O interessante porém desses caras é que eles tem confiança porque "já tiveram mulheres de todas as cores, de várias idades e muitos valores". A pressão social para o homem ser "o galinha" faz com que uns virem mais atirados e outros fiquem recalcados porque não conseguem agir dessa forma tida como bem quista socialmente. Esse segundo produto é problemático. Já que não conseguiram pegar todas as garotas da escola como seus amigos populares, ficaram com baixa auto-estima. Mas como baixa auto-estima também não atrai a mulherada, disfarçam esse problema fingindo-se de romanticos. Romantico acredito que nenhum homem nasça sendo, mas há o romantismo verdadeiro e o falso. O verdadeiro nasce pelo afeto o falso se adquire em qualquer esquina.

Voltando a vaca fria, os falsos romanticos são aqueles que se fazem de vítima, que se justificam dizendo que o problema são os outros e não eles próprios. Que dizem preferir a qualidade e não a quantidade, não por convicção mas por que não conseguem colecionar relacionamentos ou apenas ficadas. São aqueles que desprezam as meninas legais para correr atras das que com certeza vão fazê-los sofrer. Falta a eles a praticidade de enxergar seu público-alvo. Tem meninas de todos os tipos eles só tem que correr atrás das que querem o que eles podem oferecer, sem falar que preferir a qualidade tem que ser por convicção, já que ele não se acostumou com as regras dos relacionamentos modernos, deve procurar um par que também seja exceção.

Não digo que todos os perdedores sejam burros. Geralmente são inteligentes: cdfs, nerds etc mas que o lado emotivo foi pouco desenvolvido, não se aceitam e se desiludem com frequencia. O bom é que se você é perdedor ou garanhão ainda pode mudar de vida é só tomar tenencia.

O que as mulheres gostam é algo dificil de definir, mas com certeza é algo além do físico. E é claro há vários tipos, e vários quereres, mas sem dúvida acredito que todas se atraiam por homens auto-confiantes. Não falo de orgulhosos bestas que não dão braço a torcer, admitir falhas é pra quem pode. É pra quem acha que continua tendo valor mesmo sabendo que possui falhas.

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Isso é tudo pessoal!