domingo, 29 de julho de 2012

Salvador Dalí com A Divina Comédia, Macanudismo e Quadrinhos de Liniers, Mural Itália-Brasil

A Caixa Cultural do Rio de Janeiro está apresentando boas exposições:

Dalí: A Divina Comédia
A exposição “Dalí: A Divina Comédia” reúne 100 pinturas de Salvador Dalí inspiradas na obra “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Um grande pintor surrealista inspirado em uma grande obra da literatura.
Para quem não conhece, “A Divina Comédia” é sobre uma viagem por três mundos, os quais são o Inferno, o Purgatório e o Paraíso, com os personagens Dante representando o homem, Beatriz representando a fé e Virgílio, a razão. A exposição acompanha esta divisão.
A série de cem aquarelas foi encomendada a Dalí pelo governo italiano na época da comemoração dos sete séculos de “A Divina Comédia”, a qual foi escrita de 1304 a 1321.
Salvador Dalí fez telas e gravuras para outras obras importantes também, como “Alice no País das Maravilhas” e “Dom Quixote”. Nasceu em 1904 e faleceu em 1989. Famoso por sua imaginação intensa, com obras fascinantes, tornou-se um dos maiores nomes da arte surrealista.
A exposição fica até o dia 2 de setembro, tem entrada gratuita e classificação 12 anos.



“Macanudismo, Quadrinhos, Desenhos e Pinturas de Liniers”.
Liniers é um famoso quadrinista argentino, que começou fazendo fanzines e depois, com o desenvolvimento da mesma, passou a ter trabalhos seus mostrados em importantes revistas como a Rolling Stone, Spirou, La Mano, etc.
A mostra exibe cerca de 650 obras, entre tirinhas originais de quadrinhos, ilustrações e livros. As tirinhas, publicadas no jornal La Nación e depois em jornais de todo o mundo, apresentam situações cômicas que, cercadas pelo recurso da ironia, dentre outros, provocam reflexão sobre diversos temas importantes através de sua linguagem. ‘Macanudo’, em espanhol, significa extraordinário, excelente. Como está no site da Caixa Cultural, “é um retrato da realidade com fantasia, diversão e melancolia”. Há, na mostra, livros de Liniers para se ler. Vale à pena passar uma tarde inteira lendo-os, pois suas tirinhas realmente são macanudas!
A exposição fica até 9 de setembro, tem entrada gratuita e classificação livre.


Mural Itália-Brasil
Oito artistas dos dois países se uniram para a realização do trabalho apresentado nessa mostra. Cinco italianos e três brasileiros, mais especificamente, fizeram juntos grandes murais, utilizando técnicas da Street Art: grafitti, pôster-arte, máscaras de estêncil e adesivos.
Esse trabalho em conjunto formou um grande mural em cada cidade local dos artistas brasileiros: Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Os artistas locais receberam convidados italianos para a realização do trabalho. Essa exposição encerra o “Momento Itália-Brasil”, que reuniu antes diversas outras exposições e programações.
Como se pode esperar de obras que se encaixam na Street Art, vê-se cores vivas, imagens que expressam muito e muita beleza misturada ao fascínio que o grafitti costuma causar. O grafitti vem se fortalecendo cada vez mais como forma de arte. Uma arte urbana, que veio das ruas e que não deve ser confundida com pichação.
A exposição fica até 12 de agosto, tem entrada gratuita e classificação livre.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Rio é primeira cidade a receber título de Patrimônio Mundial como paisagem cultural



 Foi noticiada no início deste mês a tão aguardada decisão da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura): a primeira cidade do mundo a receber o título de Patrimônio Mundial como paisagem cultural é a cidade do Rio de Janeiro. A cidade do Rio se candidatou a este título pela primeira vez em 2002, não indo muito longe. Foi em 2009, com a entrega de um dossiê completo sobre sua beleza e interação entre a natureza e seus moradores elaborado e entregue pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pelo governo estadual, a prefeitura, a Fundação Roberto Marinho e a Associação de Empreendedores Amigos da Unesco, que começou a haver chances da cidade receber o título. E no último 1° de julho tornou-se real o título.
                O título de Patrimônio Mundial como paisagem cultural avalia a relação entre o homem e a natureza, portanto, o título dá jus a uma vivência harmoniosa entre homem e natureza. O conceito de paisagem cultural surgiu em 1992 e o título de Patrimônio Mundial foi instituído em 1972 pela Unesco. Até antes do Rio receber o título, ‘paisagem cultural’ era um termo que só havia sido usado designando áreas rurais, agrícolas, jardins históricos e de cunho simbólico, afetivo, religioso.
                O título, no entanto, não é permanente. Os locais da cidade que justificaram seu título foram o Pão de Açúcar, a Floresta da Tijuca, o Aterro do Flamengo, a Praia de Copacabana, o Corcovado, o Jardim Botânico e a entrada da Baía de Guanabara. Como o título avalia a interação harmoniosa entre o homem e a natureza, estes locais da cidade não são avaliados individualmente e isoladamente, mas sim em todo o seu conjunto, que inclui o forte e o morro do Leme, o forte de Copacabana, o Arpoador, o Parque do Flamengo e a enseada de Botafogo. Agora estes locais têm que receber ações contínuas e fixas de preservação, pois caso não sejam muito bem preservados, a cidade corre o risco de perder o título. O que, é claro, faz muito sentido. Se houver falta de preservação a um nível que não faça mais a convivência do homem e da natureza na cidade ser considerada harmoniosa, não faz sentido o título e nem há merecimento para ele. É bonito ganhar o título, mas é também responsabilidade. E uma responsabilidade bem-vinda, que para dever ser cumprida nem é preciso nenhum título (ou não deveria ser). A responsabilidade se justifica pelas próprias paisagens.

Ana de Hollanda, atual ministra da Cultura, disse que, agora, o país terá um compromisso internacional com a Unesco. “Nas apresentações que fizemos, foi lembrado, por exemplo, que a Floresta da Tijuca era antes um cafezal, mas que foi reflorestada. Ou seja, essa preocupação com a natureza é algo a que os próprios moradores da cidade dão grande importância. Só que agora, passamos a ter um compromisso internacional com a Unesco” — afirmou a ministra, em entrevista à GloboNews. “Todos os locais mencionados na proposta de candidatura passarão a ser acompanhados pela Unesco e nós vamos apresentar relatórios dos trabalhos que vão sendo feitos. Eles cobram mesmo da gente, esse reconhecimento não é fácil. Mas o compromisso de manter isso é muito importante. E nós vamos honrar esse compromisso com a Unesco” — explicou Ana de Hollanda.
                Para o presidente do Iphan, preencheu-se uma lacuna na lista do patrimônio mundial:
— Essa conquista representa um reconhecimento muito importante. Se a gente observar que a lista do patrimônio mundial representa o país, então faltava o Rio de Janeiro dentro dessa lista. O Rio representa a imagem mais difundida do patrimônio brasileiro no mundo. Ou seja, foi preenchida uma lacuna da representação do Brasil para fora do país — disse Luiz Fernando de Almeida. — Mas isso coloca um grande desafio para todos nós, que é o de conseguir construir uma política pública que harmonize com as políticas que são de natureza setorial: política de habitação, de meio ambiente etc. Passaremos a pensar numa política transversal que consiga realmente responder aos desafios de fazer a gestão de um território.
                O Brasil tem ainda 18 bens culturais e naturais na lista dos mais de 900 reconhecidos pela Unesco. Os culturais são o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto (MG), o Centro Histórico de Olinda (PE), as Ruínas de São Miguel das Missões (RS), o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas (MG), o Centro Histórico de Salvador (BA), o Conjunto Urbanístico de Brasília (DF), o Parque Nacional Serra da Capivara (PI), o Centro Histórico de São Luís (MA), o Centro Histórico de Diamantina (MG), o Centro Histórico de Goiás (GO) e a Praça de São Francisco, em São Cristóvão (SE). Os naturais são o Parque Nacional do Iguaçu (PR), a Costa do Descobrimento (BA e ES), Reserva Mata Atlântica (SP e PR), Parque Nacional do Jaú (AM), Pantanal (MT e MS), as Reservas do Cerrado: Parque Nacional dos Veadeiros e das Emas (GO) e o Parque Nacional de Fernando de Noronha (PE).





terça-feira, 17 de julho de 2012

Pedidos

Bem pessoal, mas que poema meu não é?

Quando meu corpo quiser o teu apenas como companhia,
Não se chateie, é que luxúria demais tira o gosto excitante que a coisa tem.
Apenas se encaixe nesse ritmo com toda a harmonia
Que nossos corações simultaneamente sentem.

Quando, porém, meu corpo pedir por mais,
Não se acanhe em tornar real o que em nossa mente já acontece.
Deixa a insegurança juvenil de lado e faz.
O receio, o medo, esquece.

Quanto houver um momento de estresse,
Apenas se cale e espere o tempo necessário.
Sabemos que no final é o perdão que aparece.
E que um abraço apaga todo o desentendimento involuntário.

Nossos olhos se leem e nosso abraço nos conforta.
Segurança e paz não são possíveis onde não há amor.
Sentimos isso, é o que mais importa.
Nasceu o sentimento como desabrocha uma flor.

E como a flor que necessita de água, nós nos regamos diariamente.
Como a flor que se alimenta do sol e libera o gás que não lhe serve,
Os parasitas, eliminamos. As más raízes, cortamos rente.
E nos alimentamos de sentimentos cujo bem que nos faz é evidente.

sábado, 14 de julho de 2012

150 anos de Gustav Klimt

               Gustav Klimt nasceu em Baumgarten, perto de Viena, em 14 de julho de 1862 e faleceu em Viena em 6 de fevereiro de 1918, sendo um dos mais importantes pintores simbolistas austríacos. Klimt estudou arte desde os 14 anos e perpassou diversos estilos. Começou pintando os vitrais da “Igreja Votiva”; junto com seus irmãos Ernst e Matsh, que o ajudaram muito em suas obras, fundaram a Künstlercompagnie (Companhia dos Artistas), com a qual trabalhou em quadros de tetos do Teatro Imperial (Burgtheater) em sua cidade natal. As escadarias seriam decoradas por outro artista, porém este faleceu antes de terminar e então a Companhia dos Artistas foi contratada para concluir a pintura, devendo manter o modelo histórico. Pintou também alegorias para o teto do Palácio Sturany em Viena e decorou s Villa Hermés, ambos os trabalhos com seus irmãos. Em 1888 Klimf foi premiado com a “Cruz de Mérito de Ouro”. Em 1892 seu pai faleceu, vítima de apoplexia, da qual o artista também seria vítima. No mesmo ano, seu irmão Ernst morre também. 
           Em 1883 foi encomendado a Gustav Klimt painéis alusivos aos cursos de Teologia, Filosofia, Medicina e Jurisprudência do nodo edifício da Universidade de Viena. O painel de Filosofia, em vez de representar a Escola de Atenas, como geralmente ocorre, chocou ao ter sido influenciado por Schopenhauer, representando o mundo como “Vontade, em que os seres vagueiam.”
             Em 1894, já famoso como decorador de grandes construções culturais (muito além das aqui citadas), Klimt foi encarregado de criar quadros que representassem as faculdasdes de Medicina, Filosofia e Jurisprudência. Rejeitando os temas sujeridos, membros da faculdade se opuseram ao seu trabalho. Klimt não queria representar o papel racional da ciência; Klimt fugia dos clichês. Devido a não aceitação de suas obras por parte dos membros da faculdade, a nomeação de Klimt para o cargo de professor na Academia das Artes Decorativas é recusada pela primeira vez. Sua obra “A Jurisprudência” não pôde ser exposta na “Exposição Universal de Saint-Louis” e foi a esta obra que se atribuiu a recusa de sua nomeação como professor. Klimt pensava que a arte não podia e não devia sofrer nenhum tipo de imposição. Ele reincide o contrato dos quadros da faculdade, readquire suas obras e as têm queimadas muito após a sua morte, em 1945.
              É nesse momento que Klimt vive uma mudança de estilo. Sai do historicismo-realista e entra naquele que viria a ser o seu estilo mais conhecido: o período dourado. É aqui que surgem os motivos geométricos, com poucas partes essenciais realistas aparecendo, possibilitando o entendimento das obras. Uma cobertura cerrada como mosaicos onde realismo e abstração se enfrentam. É frequente em suas obras o uso do dourado.
Seu último grande mural é o Friso. Em "O beijo" (1907/08), ou "Der Kuss" no original em alemão, a mulher aparece submissa, transparecendo uma sexualidade intensa. O artista, nesta obra, se baseia em si mesmo e em sua amante Emilie. "O Beijo" constitui o auge do período dourado e torna-se o emblema da Secessão.
No início do século XX, o dourado de Klimt é substituído pelo expressionismo. Em 1912 Klimt substitui por fundo azul (à maneira de Matisse) o fundo de ouro. Isto ocorre a partir do momento em que Klimt viaja a Paris e entra em contato com o fauvismo e com obras de artista como, por exemplo, Toulouse-Lautrec. Suas obras passam a representações menos elaboradas, sem os motivos geométricos e sem o dourado, pintando também paisagens e elementos naturais como vegetação e água.
         As últimas obras do artista são eróticas. Quadros de modelos nuas, incluindo poses íntimas e atitudes mais íntimas ainda. São cerca de 3000 desenhos dessa fase. Em 1915 sua mãe falece e suas obras se tornam mais sombras, tombando para a monocromia. Klint morre em 1918, deixando várias obras inacabadas. 
  Klimt foi o único aluno da Escola das Artes Decorativas, no século XIX, que conseguiu dar início a uma grande carreira artística. Estudou desenho ornamental, associou-se ao simbolismo e foi importante nome na Art nouveau da Áustria. Foi um dos fundadores da Secessão de Viena, movimento que recusava o academicismo nas artes. Destacou-se nas pinturas e nos murais e na criação do seu estilo dourado, cheio de personalidade e toques pessoais, símbolos de uma individuade artística fora dos padrões, distante do clichê e do tradicional. Surpreendeu, chocou, empalideceu muitos que viram obras suas na época. De certo modo, revolucionou, tornando-se um eterno grande artista.
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              Retrato de Adele Bloch-Bauer I (vendido em 2006 por 135 milhões de dólares. Neue Galerie, Nova Iorque.)





                    O beijo ou Der Kuss no original em alemão (1907-08)

                                      Masturbação feminina


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Vem aí o MAR – Museu de Arte do Rio

Está prevista para o dia 10 de setembro a abertura do MAR – Museu de Arte do Rio. O MAR faz parte da revitalização cultural da Zona Portuária, localiza-se na Praça Mauá e pretende abrir as portas nessa data para aproveitar a agenda da ArtRio, a feira de arte do Rio, cuja segunda edição acontecerá entre os dias 12 e 16 de setembro.

O museu foi engenhosamente pensado, unindo dois prédios vizinhos de estilos arquitetônicos diferentes, ambos da primeira metade do século XX, com uma cobertura ondulada que lembra um tapete voador. Os prédios são o Palacete Dom João VI, em estilo eclético e tombado, e o prédio modernista que já abrigou o hospital da Polícia Civil. Foram cerca de três anos de trabalho para que o museu ficasse pronto. A cobertura escoa a água da chuva e todo o material de demolição foi reaproveitado, devido à preocupação com a sustentabilidade. O museu trabalha para obter a certificação LEED, principal selo de construção sustentável.

O museu abrirá com quatro exposições temporárias, uma em cada andar: “Abrigo, poética e o direito de morar” reunirá obras contemporâneas que dialogam com a obra “Mineirinho”,de Clarice Lispector (obra em que Clarice contrapõe sentimentos de um nativo ao de um forasteiro); “Vontade Construtivista” apresentará ao público 150 das 200 peças de uma das coleções mais importantes do país, a coleção Hecilda e Sérgio Fadel, com obras de Lygia Clark, Lygia Pape, Sergio Camargo, Cildo Meireles, dentre outros; “A arte brasileira e internacional” apresentará a coleção de Jean Boghici, com obras de Kandisnky e Tarsila do Amaral, dentre outros; a quarta e última dessas exposições apresentará paisagens e documentos inéditos do Rio. As exposições citadas estarão do térreo ao quarto andar, respectivamente.

O museu, com curadoria de Paulo Herkenhoff, tem acumulado um acervo próprio também. O objetivo é que o palacete apresente exposições e que o prédio onde foi o hospital da Polícia Civil apresente projetos pedagógicos da futura Escola do Olhar, que pretende, a partir de janeiro de 2013, envolver alunos do ensino público em pesquisas sobre arte.

Uma curiosidade sobre o museu é que quem o visitar irá pegar um elevador no prédio da Escola do Olhar até o último andar, cruzar uma passarela externa e entrar no palacete pelo último andar, fazendo com que o visitante veja a exposição do quarto andar e vá descendo progressivamente de escadas até o térreo. A administração do MAR seguirá os modelos dos museus do Futebol e da Língua Portuguesa em São Paulo.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Coitado

Na vida nada deve ser desperdiçado, nem mesmo uma bomba! Visite www.dogcaoesuaturma.blogspot.com.br e veja outras idiotices destes personagens.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Rio+20 adia decisões para a Rio+100


QUEM VAI VENCER ESSE JOGO?

Por Carlos Pinho. 

A Rio+20 terminou com um consenso: de que o que menos ocorreu foi consenso entre os líderes mundiais. Poucos acordos fechados e muito disse-me-disse. Cada vez mais fica claro de que a grande agente transformadora nesse processo é a sociedade. Juntar um bando de tecnocratas tem tido pouco efeito prático. Cada um olha apenas para o seu lado, priorizando os aspectos econômicos e políticos de ganhos a curto prazo.

O documento “final” do evento parece uma colcha cheia de remendos. No frigir dos ovos, como muitos já abordaram, o evento, realizado no Riocentro, foi decepcionante. Pareceu-me mais algo feito por um país emergente para tentar impressionar outras nações e fincar uma bandeira de protagonista no jogo político internacional.

No entanto, a Rio+20 teve a sua importância pelo que a norteou. Discussões, no seio da sociedade civil, entre pessoas de outros estados e paises, exposições, ações culturais e protestos. A Cúpula dos Povos, o protesto contra a mercantilização da vida e a exposição Humanidade 2012 foram alguns dos pontos altos nesses dias em que a presidenta Dilma tentava dialogar com as paredes.  







Para quem pôde acompanhar, pelo menos, uma das ações desse período, fica o germe da conscientização. Ao visitar a Cúpula dos Povos e a Humanidade 2012, carregado de ceticismo, vi meu pessimismo mudar de humor ao ver a presença maciça de crianças e adolescentes que, curiosas, faziam várias perguntas. Não deixam de ser sementes de esperança num meio tão caótico.

 

Nossos políticos sempre empurram com a barriga seus compromissos para o futuro com promessas intermináveis. Transportar expectativas para as próximas gerações também  é uma prática constante. E inevitável. Mas não podemos nos limitar a isso. Pois as necessidades são imediatas. E não se trata de mero idealismo bucólico. Até porque a questão é bem profunda e crítica: a nossa sobrevivência.   


terça-feira, 19 de junho de 2012

Séculos Indígenas e Milton Dacosta

A Caixa Cultural – RJ está apresentado duas exposições que valem à pena ser conferidas:

Séculos Indígenas no Brasil: essa é a IV edição da exposição Séculos Indígenas, parte de um projeto que começou em 1992 em Berlim. Projeto este que consiste em um registro fotográfico e audiovisual sobre a realidade dos indígenas no Brasil, realizado entre o cineasta Frank Coe e o líder indígena Álvaro Tukano. A exposição reúne objetos indígenas, imagens, fotografias e, inclusive, ela se dá dentro de ocas construídas para a exposição. Os indígenas reúnem arte e utilidade, natureza e viver bem. A exposição combina uma linguagem moderna, como com o uso de vídeos que podem ser vistos por um tablet, à cultura tradicional indígena e sua parte documental faz parte do projeto que tem quase duas décadas de atividade. Vale muito à pena conferir a exposição, a qual não é muito grande, porém bastante rica. Quando se vai na exposição não é facilmente perceptível, mas é interessante saber que ela está montada na forma de uma cobra, formada por palha, bambu, troncos e argila que, em conjunto com a formação de ocas e etc, cria um ambiente que tenta remeter a uma aldeia indígena.  A exposição reúne também depoimentos inéditos de pessoas que se tornaram referências indigenistas, como Darcy Ribeiro. A exposição se iniciou dia 1 de junho e vai até o dia 30 deste mesmo mês.



Milton Dacosta, a construção da forma: Milton Rodrigues Dacosta nasceu em Niterói em outubro de 1915 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em setembro de 1988. Milton Dacosta foi um pintor, desenhista e ilustrador brasileiro. Pintou figuras humanas geometrizadas sob influência do cubismo, aderiu ao abstracionismo geométrico e teve influências também do concretismo e do neoconcretismo. A exposição que a Caixa Cultural dá a todos a oportunidade de ver reúne 45 obras do artista, tanto de coleções públicas e particulares quanto do acervo familiar. A exposição reúne obras de seu primeiro período, o qual se desenvolveu sob influência do impressionismo, do período com influência do cubismo e do período construtivista – este último, por sinal, é aquele no qual o artista produziu aquelas que são consideradas as mais importantes obras de sua carreira. Segundo a curadora Denise Mattar, a exposição tem como objetivo traçar o percurso poético do artista. A exposição se iniciou em 15 de maio e vai até primeiro de julho.


A Caixa Cultural Rio de Janeiro se encontra na Avenida Almirante Barroso, 25 (esquina com a Avenida Rio Branco), no Centro e funciona todos os dias, exceto às segundas-feiras, das 10h às 21h.


sábado, 16 de junho de 2012

Homenagem ao Abrigo Carioca da Liberdade


Quantas possibilidades nos cercam no decorrer de nossas vidas?
Quantas escolhas nós realizamos, quantas opiniões exprimimos?
Quantas pessoas passam por nós a cada dia, quantas poucas se tornam queridas?
E, principalmente, o quanto fingimos ser o que não somos? O quanto nos retraímos?

Em meio a esse mundo de preconceitos e de tentativa de homogeneização,
Em meio a essa sociedade na qual muitos de nós vivemos quase como robôs,
Há na cidade do Rio de Janeiro um recanto de quebra do padrão,
Onde as pessoas podem ser como são, onde a repressão não se impôs.

Entre muitos bares, garrafas de vodka e latinhas de cerveja.
Entre funk tocando em uma ruela, moças de vestidos curtos,
Há aqui um canto onde não importa quem você seja,
Só o que importa é se divertir em alegres surtos.

Surtos de risadas, de luxúria, de momentos com os amigos.
Em meio a um bar tocando forró e o Teatro Odisseia embalado pelo rock e pelo pop,
Em meio a jovens cheios de vida contracenando com prédios antigos,
Há um reduto de liberdade onde as horas transcorrem a galope.

Casais andam de mãos dadas livremente: aqui não há espaço para um mau olhar,
Algumas meninas gostam de meninas, alguns meninos gostam de meninos,
Aqui experiências de todo tipo são bem-vindas e muita beleza nisso há.
Há beleza nessa característica tão rara, que desarma os conceitos ferinos.

Aqueles conceitos criados para excluir, julgar e fazer alguns se sentirem superiores.
Aqui, nesse lugar, a diversidade predomina. Desfila por um tapete vermelho.
Quantos gringos de todo o mundo aqui encontramos, quantas idades, quantas cores.
Talvez o mundo devesse ter este lugar como uma espécie de espelho.

Só aqui, nesse reduto de virgens se autoconhecendo e também de mulheres da noite,
Nesse reduto frequentado por todas as posições políticas e classes sociais,
Só aqui, neste lugar chamado Lapa, “ninguém” é violentado com açoite,
“Ninguém” é ferido com palavras. Os que aqui frequentam se veem como iguais.

Um poema pode ser uma forma de idealização,
Mas não há como andar pelas ruas da Lapa e não se fascinar com a beleza do diferente.
Talvez aqui seja uma idealização de tudo aquilo a que alguns acham que devemos dizer ‘não’,
Ou do contrário, uma idealização daquilo tudo que devia ser inerente a toda gente.

Se por um lado é local de fácil encontro de drogas e da boêmia,
Por outro reúne a fauna humana como iguais que se diferem apenas por suas escolhas.
Todos se divertem juntos, sentam nos mesmos bares, convivem em harmonia.
Neste pequeno paraíso de liberdade podemos sair de nossas próprias bolhas.

Não há pelas ruas que constituem a Lapa muitas árvores nem flores,
Porém sentar na escadaria onde há o Mosaico de Selarón é como se sentir no Jardim do Éden,
Os azulejos mil são como árvores cultivadas com também mil amores,
Amores juvenis, maduros, idealizados, dolorosos. Amores que não se pedem.

Ou amores justamente como os que tanto se pede.
As flores dessa floresta, ora sombria por respirar à noite e por abraçar criaturas diversas,
Ora clara como a luz que só o ser livre irradia; às vezes perfuma, às vezes fede;
Mas sempre tem a sensação de liberdade e de alegria em si imersas.

É aconselhado que se tenha cuidado com suas mochilas, bolsas e sacolas.
E que as moças tenham cautela ao saírem sozinhas pelo labirinto que as ruas formam.
Há os que estão ali procurando sexo, há os pedintes de esmolas,
Há jovens, menores de idade, coroas. Aqui todos se encontram.
 
Céu nublado ou estrelado, só com muita chuva as ruas não ficam cheias,
Durante a madrugada pela Lapa acontece um pouco de tudo.
Sua beleza não está em seu local, mas em sua energia; suas ruas são como veias,
Onde há vida. Há o muito, o livre. O fascínio pelo diferente, sobretudo.














quarta-feira, 13 de junho de 2012

Está rolando no CCBB-RJ...

Douglas Sirk – o príncipe do melodrama: acabou a mostra do Bergman e se iniciou ontem, dia 12 de junho, a mostra dos 30 principais filmes de Douglas Sirk. Diretor alemão, Douglas Sirk é famoso pelos seus melodramas. Uma excelente oportunidade de conhecer melhor esse diretor não tão famoso por aqui. Como o próprio CCBB define, “com filmes tocantes, rodados com as melhores equipes e elenco de Hollywood e usando técnicas inovadoras para a época (Technicolor e Cinemascope), Sirk dirigiu clássicos atemporais, muitos deles inéditos no Brasil. A mostra trará ainda filmes de diretores contemporâneos influenciados pela estética de Sirk e aulas-debates em torno da vida e da obra do diretor”. Até 8 de julho.
                                                                          Douglas Sirk


Sala A Contemporânea: Opavivará: Uma sala pouco iluminada, praticamente só na penumbra, com redes, esteiras e diversas opções de ervas medicinais dão aos visitantes a possibilidade de escolher ervas, misturando-as com água quente, de modo a experimentar os chás com elas feitos.  Com o objetivo de evocar as práticas curandeiras dos pajés, essa interação propicia uma oportunidade interessante de experimentação e se encontra em um ambiente que possibilita o relaxamento através da união de seus elementos (os chás, as redes, a pouca iluminação). Até o dia 15 de julho.

Amazônia – Ciclos de Modernidade: A exposição sobre a Amazônia que se encontra no segundo andar do prédio do CCBB causa, a princípio, estranhamento. Há uma grande reunião de objetos diversos, dentre os quais muitos parecem não fazer sentido, nem serem interessantes o suficiente para se entender o fato deles estarem ali. No entanto, é preciso lembrar que a exposição tem o objetivo de apresentar a Amazônia justamente dessa forma: reunindo objetos diversos, artísticos ou não, que se relacionem tanto com sua história quanto com sua arte. Através de obras de arte, de mapas e documentos originais, de outros objetos históricos, desenhos, objetos que se relacionem de alguma forma com a região – como facões e acessórios indígenas -, livros que falem sobre ou cujas histórias se passem na região, fotografias, vídeos, dentre outros, a exposição tenta mostrar um pouco da arte, da arqueologia e do urbanismo da Amazônia, desde o século XVIII até os dias de hoje. Vale à pena conferir a exposição, mas considerando a ideia de que seu objetivo não é ser bela nem fascinar os visitantes, e sim de situá-los em meio ao seu contexto histórico-artístico e em meio à importância que ela tem, justamente, no contexto histórico-artístico do nosso país. Até 22 de julho.
                                              Fotografia Incluída na exposição Amazônia - Ciclos de Modernidade

Rabin Ajaw: essa exposição pequena, situada no quarto andar, vale muito à pena ser conferida. Ela se divide em duas partes. Uma consiste basicamente em fotografias de guatemaltecos, rostos com expressões belas e fortes, pros quais dá vontade de olhar durante horas. Outra se constitui em diversas peças do vestuário típico da Guatemala, feitos em tear e belíssimos. São teares coloridos, com detalhes e combinações de cores alegres e tão atrativas aos olhos quanto fascinantes à apreciação, de certo modo, até artística. Como define o próprio CCBB, "é uma rica viagem à estética cultural das populações de origem maia da Guatemala". Até 22 de julho.

Galeria de Valores – Exposição temporária Art Nouveau/Art Decó: a exposição no quarto andar reúne alguns objetos típicos da Art Nouveau e da Art Decó à exposição permanente que conta a história da moeda. A parte da Art Nouveau e da Art Decó, no fundo, não acrescenta muito de interessante. Apresenta algumas joias e objetos típicos como estojos de maquilagem e cigarreiras. Mas a exposição sobre a história da moeda, geralmente esquecida pelo público por ser permanente, vale muito à pena ser conferida por quem ainda não a visitou: reúne cerca de 2.000 peças, dentre moedas, cédulas e outras formas de pagamento: cartões de crédito, cheques, dentre outros. A exposição tem muitos momentos interessantes, além da história em si, como a cada vez que apresenta moedas de outros países, moedas comemorativas, perpassando por momentos em que o açúcar foi usado como moeda, pela já tradicional prática de comerciantes brasileiros em oferecer como troco balas, pelo pagamento através da internet, dentre outros.




O CCBB-RJ é, sem dúvidas, um dos centros culturais mais importantes da nossa cidade, se não o mais importante. A razão é simples: está sempre apresentando uma programação de muito conteúdo e qualidade, que passa por todos (ou quase todos) os tipos artísticos e que, quando não é gratuita, é quase de graça (preços realmente excelentes). Evidentemente, sua programação se estende a muito mais do que aos programas citados acima. Aproveitemos!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Amar-te é o Bastante

Quando te amo, elevo-me a Deus.
O que há de mais sublime?
Caso exista, são os sorrisos teus,
Que me dizem: estamos no mesmo time!

Somos companheiros, parceiros de vida(!),
Dizem-me teus abraços.
Estarei sempre contigo, minha querida(!),
Falas tu ao me envolver em teus braços.

Quando minhas pálpebras se fecham,
Deixo-te me amar sem resistência.
Só duas pessoas que assim se elevam,
Compreendem o amor, vital essência.

A emoção que faz brilhar teus olhos,
É a mesma que me faz palpitar.
Meus sofrimentos encontram-se mortos,
Pois basta-me te amar.

Alcançamos do prazer o suprassumo.
Na loucura do amor nos completamos.
Ainda assim quero mais, assumo.
Quero-o todos os dias. E é assim que nos amamos.

sábado, 9 de junho de 2012

Greve dos professores: um grito emudecido?


Quem souber de alguma coisa 
Venha logo me avisar. 
Sei que há um céu sobre essa chuva 
E um grito parado no ar.

(Um Grito Parado no ar, de Toquinho)
Por Carlos Pinho.


51 instituições de ensino superior espalhadas pelo Brasil. Esse é o balanço da greve que ultrapassa os 20 dias. Há muito tempo não víamos uma paralisação dos professores federais, mas quem já passou por uma sabe bem: costuma durar muito tempo. Os estudantes da UFRJ, por exemplo, passaram quatro meses sem aula em 2001.  

Alguns acharam a decisão precipitada, por não aguardar o término do período letivo. Porém, as reivindicações são legítimas como, por exemplo, um plano de carreira dividido em 13 níveis remuneratórios com variação de 5% entre eles a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho. Segundo a Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (Apur),  o panorama atual é desigual. “Tem profissionais com o mesmo cargo, exercendo as mesmas funções, mas com salários que variam em até 40% a mais. Isso, na nossa concepção, não deve existir”, destaca.

Nesse processo, um ponto tem chamado a minha atenção e o outro, causado o meu lamento. Comecemos com a pouca repercussão dada pelos telejornais ao fato. Não tenho acompanhado as publicações impressas, no entanto, tenho reparado a falta de aprofundamento num meio de comunicação de massa como a televisão. É fundamental que o povo conheça a causa e legitime-a. Mas parece que alguns não querem que isso aconteça. Afinal, parte da imprensa é um cardume de piranhas em busca da presa mais suculenta.  

Será que os professores não são capazes de angariar em torno do seu ato uma popularidade semelhante à alcançada pelos bombeiros em 2011? O apoio foi notório, com o uso de faixas e de fitas vermelhas.    

A partir dessa questão, chegamos ao segundo ponto que gostaria de levantar: a falta de integração quando os professores entram em greve. Sempre ouvi que para uma greve terminar logo, ela precisa nascer forte. Só assim, as autoridades sentiriam o drama e cederiam. Entretanto, no magistério, há uma barreira: a falta de coesão da classe. Um movimento que agregasse professores federais, estaduais e municipais enfrentaria a máquina do Estado com muito mais força e, se bem articulado, chegaria ao conhecimento da população de forma mais clara e eficiente. Ademais, revigoraria a luta dos profissionais das redes estaduais e municipais que, como no caso do Rio de Janeiro e das suas cidades, já começa enfraquecida e com o seu grito emudecido.

É triste ter que falar sobre a greve de uma classe essencial na construção de uma nação forte e consciente do seu papel. E não estou falando da pátria de chuteiras que apenas se aglomera para assistir à Copa do Mundo e torcer por feriados. Estou falando daquela que discute, dentre muitos assuntos importantes, os rumos de sua educação. Miremo-nos no exemplo do povo japonês. É dever de toda sociedade valorizar os seus professores.

Infelizmente, muitos, anestesiados por suas rotinas fatigantes, não param e se perguntam: “por que mostrar a mansão do Michel Teló quando há tanto a ser informado, explicado, debatido?” 

Como temos poucos espaços na grande mídia para a aprofundarmos o tema, gostaria de deixar este à disposição. Pode parecer pouco. Pode realmente ser pouco. Contudo, precisamos aproveitar todas as brechas para bradarmos por mais sensatez. E a internet, se bem usada, pode ser uma poderosa ferramenta nesse sentido.