segunda-feira, 27 de maio de 2013

Não meta o bedelho: é você quem precisa de um conselho



Há algumas semanas eu assisti um episódio de um programa de comédia da Rede Globo em que uma das personagens, referindo-se a ser gay ou ser heterossexual, disse algo assim: o que importa é o que se está sendo. Não é preciso definir o que se é, podemos definir apenas o que estamos sendo; e isso pode variar a cada momento, pode mudar.

Esses dias me fizeram uma grosseria: fui censurada
Por não ter um relacionamento aberto.
Disseram-me que isso é querer ter posse da pessoa amada,
E que isso não é certo.

Acredito que isso ocorra entre muitos casais,
Mas sei que há muitos em que é outra a questão.
Às vezes o que queremos não são encontros casuais,
Mas sim relacionamentos de amor e compreensão.

Não que isso signifique não haver amor entre um “casal aberto”,
Significa apenas que há momentos diferentes na vida.
O que queremos hoje, podemos não querer amanhã, certo?
A vida é pra ser vivida, e não pré-definida.

Disseram-me que é imaturidade ter um “relacionamento fechado”.
Meu chapa, vou te dizer o que eu acho:
Imaturidade é meter o bedelho onde não se é chamado.
Foque-se na sua vida e sossega seu facho.

A vida dos outros não é brincadeira,
Para se sair julgando o que nem se conhece.
Dispenso comentários sem eira nem beira.
Mantenho-me firme em meu alicerce.

Se o casal se relaciona com outras pessoas ou não,
Não é isso que determina a sua infantilidade.
O modo como para os problemas diários arranjam solução,
Isso sim é sinal de maturidade.

Os valores e práticas que tem para si,
Isso é problema somente do casal.
Se eles são felizes assim,
Esse é o canal.

Cada um faz do próprio relacionamento o que quiser,
Mas não faz o que quiser do relacionamento dos outros.
O que para um é o ideal, para o outro não é.
Querer que os outros ajam como você é escroto.

Preconceito não se deve ter com nenhum tipo de relação:
Se as pessoas são felizes, isso é o que importa.
Não importa se é “casal de três”, de gays, se um deles é anão.
São os casais que decidem o que a sua relação comporta.

Se a pessoa age de um modo que não lhe faz feliz,
Talvez essa pessoa precise mesmo de um conselho.
Mas se ela vive bem com suas escolhas, então me diz,
É mesmo ela que precisa de um espelho?!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Caixa Cultural apresenta: World Press Photo 2013




A World Press Photo é uma organização independente, sem fins lucrativos, cuja atividade mais conhecida é a exposição anual das fotografias selecionadas em seu concurso. É importante ressaltar que é um concurso de fotojornalismo: fotos que são em si notícias. Suas exposições anuais correm o mundo e são conhecidas pelo impacto que são capazes de causar, gerando incômodo e não sendo recomendadas àqueles de estomago menos forte. Muitas são, todo ano, as fotos de guerras, de dores, de tragédias. Excetuando-se as fotos das categorias Esporte e Ação e Natureza, as demais noticiam, explicitamente e majoritariamente, tragédias de todos os tipos: pessoais, locais ou globais. Digo explicitamente porque, na verdade, até mesmo a maioria das fotos da categoria Natureza noticiam "tragédias": animais em extinção, animais que sofrem devido ao lixo em seus habitats, etc.


            É possível questionar se não seria possível premiar também um fotojornalismo de boas notícias, e não só esse, de más notícias. Não é possível, é claro, ignorar os acontecimentos ruins do mundo, mas é possível equilibrar o peso das coisas: há muitos acontecimentos ruins, mas não há somente acontecimentos ruins. Entristece a comercialização de tragédias, principalmente quando ela acontece em locais que não sofrem com tais tragédias e que, na realidade, não costumam fazer muito a respeito. Mas, independentemente de questões do gênero, as fotos premiadas pela World Press Photo são sempre de muita qualidade e merecem ser vistas e apreciadas. Ao se ver algumas é difícil não sentir dor; por um lado, se a exposição fica pesada, por outro é importante que se escancare aos olhos do público fotos de acontecimentos reais tão trágicos e chocantes.  
            A Caixa Econômica Federal patrocina a exposição da World Press Photo no Brasil. Inaugurada no último dia 21, a exposição permanece até o dia 23 de junho. São 154 fotografias que tratam de notícias do ano de 2012, de 54 fotógrafos de 32 nacionalidades, incluindo o brasileiro Felipe Dana com a foto de uma jovem de 15 anos, vítima do crack, e uma série de fotografias sobre o quotidiano das favelas cariocas, feita por um fotógrafo da Bélgica.
            A Foto do Ano é a de Paul Hansen, feita em Gaza, registrando o funeral de dois irmãos mortos em um ataque de Israel que atingiu sua casa. Algumas em destaque são a do argentino Rodrigo Abad; a série de Stephan Vanfleteren, da Bélgica, que retrata pessoas recebendo tratamento em um hospital da África, sem nem terem ciência da doença que lhes afeta, na categoria Retrato Posado; a série de Ebrahim Noroozi, do Irã, que retrata mãe e filha após terem sobrevivido ao ataque do marido/pai, o qual jogou ácido em seus rostos enquanto dormiam; e as fotografias em geral das categorias Assuntos Contemporâneos, Vida Cotidiana e Notícias em Destaque.





            Chocantes, porém de grande emoção. Fotografias jornalísticas sobre fatos que merecem atenção. Fundada em 1955 na Holanda, a World Press Photo tem sua exposição sendo apresentada em diversos países concomitantemente: Bélgica, Qatar, Holanda, Polônia, Romênia, Croácia, Suíça, Portugal, Itália, Alemanha. E ocorrerá ainda, a partir das próximas semanas, em países como Japão, Austrália, Canadá, Chile, Peru, dentre outros.


Estão rolando também...
Mostra “Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi: cineastas iranianos”: apenas até o próximo dia 02, a mostra homenageia os grandes cineastas iranianos citados em seu título.

Lucas Simões: inaugurada também no último dia 21, a exposição de Lucas Simões apresenta sobreposições e recortes muito interessantes. Lucas, em algumas de suas obras, apresenta fotografias estruturadas e coladas sobre estruturas de madeira e tecido, cujas imagens ficam totalmente perceptíveis ao se olhar as obras diagonalmente, quase rente a parede. A dificuldade em se perceber isso e a não sinalização dessa possibilidade mostram, talvez, que estas obras não deveriam estar presas às paredes, mas sim em posições centrais na sala reservada a exposição. Apesar de parecer mal montada devido a isso, a pequena exposição merece ser conferida.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Uma pitada de samba e um bocado de histórias

Episódio de hoje: 

O samba e o futebol - a ginga das rodas e os dribles nos campos

As perseguições aos negros, aos mestiços e aos mulatos, não eram restritas somente no meio musical e social, o preconceito se estendia também nos esportes, como é relatado no livro O Negro no futebol brasileiro, de Mário Filho. A obra conta que no início, o esporte bretão era praticado somente pela elite branca e os negros eram proibidos de atuarem nas equipes.

Mario Filho
  

Mario Filho relata que negros e mulatos povoavam os locais de concentração da elite brasileira e, aos poucos, foram conquistando espaço nos grandes clubes, entretanto, não eram igualmente tratados, pois não podiam encostar-se aos brancos durante as partidas, além de receberem a culpa em caso de derrota e serem severamente punidos. Assim nascia a habilidade incomum que conquistaria o mundo. Os negros, mulatos e mestiços levavam para o futebol de rua e de várzea, a ginga dos terreiros de samba, os movimentos de capoeira, e reproduziam nos campos para evitar os contatos com os brancos. As rígidas regras direcionadas aos negros, mestiços e mulatos deram origem aos dribles que transformariam o Brasil no País do Futebol.

Foi no Campeonato Sul-Americano de 1919 que nasceu o primeiro herói do futebol brasileiro, o mulato Friedenreich1, filho de um alemão com uma negra. Ele se tornou herói ao marcar o gol do título brasileiro contra os uruguaios, que o apelidaram de “El Tigre”, pela sua valentia demonstrada em campo. Mas foi somente em 1923, que um clube com negros no time foi campeão, abrindo as portas para que o futebol se tornasse multirracial. Na ocasião, o Vasco da Gama foi campeão carioca com um time formado, em sua maioria, por negros, mulatos e mestiços pobres e analfabetos. Em 1926 seria a vez do São Cristóvão repetir o feito do Vasco e sagrou-se campeão com um time miscigenado.

Friedenreich

Os heróis com a cara do povo brasileiro foram surgindo, popularizando o futebol e encantando o mundo com a forma envolvente de jogar. O negro Leônidas da Silva, o inventor da bicicleta, também conhecido como Diamante Negro, se tornou o maior ídolo do futebol dos anos de 1930 e 40, atuando por grandes clubes como o Flamengo, São Paulo e Bonsucesso.


Leônidas da Silva


A forma original de jogar futebol dos negros, mestiços e mulatos brasileiros, cheios de ginga e de malícia, rendeu um artigo jornalístico elaborado por Gilberto Freyre, chamado “Foot-ball mulato”. Feito após a boa participação do Brasil na Copa do Mundo de 1938, realizada na França.



Um repórter me perguntou anteontem, o que eu achava das admiráveis performances brasileiras nos campos de Strasburgo e Bordeaux.

Respondi ao repórter que uma das condições de nosso triunfo, este ano, me parecia á coragem, que afinal tivéramos completa, de mandar à Europa um time fortemente afro-brasileiro. Brancos, alguns, é certo; mas grande número, pretalhões bem brasileiros e mulatos ainda mais brasileiros.

O nosso estilo de jogar futebol me parece contrastar com o dos europeus por um conjunto de qualidades de surpresa, de manha, de astúcia, de ligeireza e ao mesmo tempo de espontaneidade individual em que se exprime o mesmo mulatismo de Nilo Peçanha, que foi até hoje a melhor afirmação na arte política.

Os nossos passes, os nossos pitu’s, os nossos despistamentos, os nossos floreios com a bola, há alguma coisa de dança ou de capoeiragem que marca o estilo brasileiro de jogar futebol, que arredonda e adoça o jogo inventado pelos ingleses e por outros europeus jogado tão angulosamente, tudo isso parece exprimir de modo interessantíssimo para psicólogos e sociólogos o mulatismo flamboyant e ao mesmo tempo o malandro que está hoje em tudo que é afirmação verdadeira do Brasil. (Diário de Pernambuco, 17 de junho de 1938).



Os negros, os mulatos e os mestiços passaram a ser figuras normais no futebol e, até mesmo, idolatradas pelo povo e pela elite, que parecia se esquecer do preconceito que tinham de suas raças. Aquele preconceito de outrora não existia mais no mundo futebolístico, pelo menos não declarados. Com a Segunda Guerra Mundial, houve anos sem carnavais, mas os sambas e marchas eram produzidos com críticas à Hitler e ao Nazismo. Nesta década o samba já estava consolidado (entrarei neste ponto nos capítulos mais à frente). No futebol, a Copa do Mundo foi interrompida em 1938, quando o Brasil teve uma bela participação.

No ano de 1950, a Copa do Mundo foi realizada no Brasil, e a seleção, bem miscigenada venceu o México, empatou com a Suíça e venceu a Iugoslávia pela primeira fase. Na segunda fase venceu a Suécia e venceu a Espanha, jogo marcado pelo fato de 200 mil pessoas cantarem a marchinha Touradas em Madri, de João de Barro.
Touradas em Madri, de João de Barro, na voz de Carmen Miranda

Na final desta Copa, o Brasil foi derrotado, e novamente, a culpa recaiu em cima dos três negros do time, o goleiro Barbosa, Bigode e Juvenal. A derrota para o Uruguai trouxe de volta o racismo adormecido durante anos. Mesmo sem acusá-los por causa da raça, o povo brasileiro escolhera seus culpados, assim como o Jornal dos Sports publicou em suas páginas de 22/07/1950.



Para vencer o Uruguai, foi isto que o match da decisão mostrou, bastaria que Bigode não falhasse duas vezes. Bastaria inclusive, que Bigode só falhasse num dos goals ou que Barbosa, mesmo Bigode falhando, não falhasse num dos goals.

Bigode e Barbosa não falharam por falta de fibra. Falharam porque sentiram demasiadamente a carga da responsabilidade de dar ao Brasil o título de campeão do mundo. (Jornal dos Sports, 22/07/1950: p. 5).



A Copa de 1958 revelou para o mundo o negro que se tornaria Rei. O time com Zagallo, Bellini, Nilton Santos e Vavá, contava também com os negros Pelé e Didi e o mulato Garrincha. Estes nomes deram outra cara ao futebol brasileiro. O negro havia se consolidado no futebol nacional e não havia mais nada a se provar.

Seleção brasileira campeã da Copa do Mundo de 1958.



1 Pixinguinha e Benedito Lacerda compuseram uma música chamada Um a zero, em homenagem ao gol marcado por Friedenreich no Sul-Americano de 1919. Foi a primeira obra que envolvia música e futebol.

Veja o episódio 1 em Os primeiros passos do Samba

Veja o episódio 2 em Tia Ciata

Veja o episódio 3 em O negro, o mestiço e o mulato

 



quarta-feira, 3 de abril de 2013

O super herói está ocupado

No caso de alguma ameaça nuclear é melhor chamar o Batman, o Super Homem, o Homem Aranha, Os Vingadores... eles não gostam de desenhar
Visite o blog do Dogcão!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cidade das Flores

Foto Rodrigo Shampoo

Vou contar a história de um lugar
Onde todos os habitantes
Tinham motivo para se orgulhar
Em seus campos lindas flores
Era um parque de amores
Onde as pessoas só sorriam
E as crianças se divertiam
Imponentes florestas o cercavam
Suas faunas e floras ricas brilhavam
Era um lugar belo
Com mais de cem castelos
Todos lá se conheciam
Cristalinos riachos nele nasciam
Os ventos apenas arejavam
Enquanto ao seu ritmo
As folhas dançavam
Os pássaros coloridos gorjeavam
E seus tenros habitantes
Sorriam a cada instante
As montanhas encantavam
Àqueles que a olhavam
Mas chegou certo dia
Junto com uma nuvem fria
Um nobre forasteiro
Em seu cavalo prata
Que corria pela mata
Logo ele criou asas
E as pessoas se inquietaram
Ali na praça elas pararam
Era um misto de pavor e admiração
Ficaram paralisadas com o coração na mão
Logo o visitante se apresentou
"Sou um mágico trovador!"
Desceu de seu cavalo pulcro
E disse palavras calmas
Que purificavam a alma
Ele só queria lucro
Das suas mãos nascia a magia
Transformou uma rocha cinza em uma Bouvardia
Os olhos das pessoas transbordavam alegria
Com cinestesia
O mágico prosseguia seduzindo
Provocando um misto de entorpecimento e euforia
Se sentindo o dono de todos
O mágico continuava agindo
Logo ele fez um pedido
"Preciso de suas flores meus amigos!"
Todos da praça corriam
Para o visitante eles traziam
Quantas flores em suas mãos cabiam
As flores foram arrancadas dos canteiros
E quando acabaram as flores do campo inteiro
O mágico lhes pediu dinheiro
Os habitantes cativados
Entregou-lhe suas riquezas
Totalmente maravilhados
Uma orquídea foi erguida
E a cidade agradecida
Pela suntuosa exibição
Mas o mago insatisfeito
Achou-se no direito
De mandar na multidão
Exigiu o maior dos castelos
Construído em pedras preciosas
Pintado com as cores: verde e amarelo
Com duas torres esplendorosas
O mágico voltou-se para as mulheres
E escolhera a mais formosa
Para lavar os seus talheres
O lugar que era o paraíso
Ficou feio e destruído
Toda aquela qualidade
Se tornou iniquidade
As pessoas amarguradas
Estavam todas condenadas
Agora eram todos detentos
Homens fedidos e lazarentos
Sem voz para gritar
Não sobraram flores para contar
Toda aquela rica beleza
Virou história demudada em tristeza
A água límpida e cristalina
Era um poço de esgoto, carne podre e naftalina
Os habitantes se revoltaram
E o mágico eles expulsaram
Junto dele a inocente mulher
Que não teve culpa alguma
Mas foi tratada como uma vadia qualquer
O lugar belo renasceu
O campo seco e cinza floresceu
Assim como uma página de livro
O tempo passou
E certo dia
Aquele mágico voltou
As pessoas ignorantes se esqueceram do acontecido
E com os mesmos artifícios
Os habitantes ele conquistou
E, novamente...
Aquele campo florido acabou



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Samba, de todos os cantos, obrigado por enxugar meu pranto


Por Carlos Pinho.


A minha fé renasce a partir dos sambas que vivo, que ouço e que faço
No samba não há dogma e nem perseguição
O samba é de todos os deuses e de nenhum 
É o amor, sem barreiras nem amarras, cantando por si

E quando estou triste, entregando os pontos de tão cabisbaixo,
É no seu compasso que me refaço
Mais forte, mais sensato, com uma paz sem dimensão
Meu sacro-profano samba, nem sei o que seria de mim sem ti

Por tantas já passei, e os bambas do céu e da terra mal sabem 
As vidas que já salvaram com a sabedoria dos seus versos
E a exatidão dos acordes que parecem comuns

No entanto, dizem mais que sermões imersos
Nas profundezas do ódio; nem mantras, tampouco orações foram além
Somente o samba tocou minh’alma e, com uma voz materna... 

Foi capaz de ensinar que esse coração não é reles, 

nem tão-somente mais um.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Do meu jeito

 
Quero cometer os meus erros
Ser apenas eu mesmo
Sem olhar para trás
Ignorando a sociedade
Quero andar sem rumo
Molhar-me na tempestade
Não quero explicar meus atos
Deixe-me tentar atravessar a parede
E quebrar a minha cara
Quero cometer os meus erros
Andar com as minhas próprias pernas
Questionar meus pensamentos
Sem lei e sem Deus
Para me julgar
Ou dizer o que é certo
Eu trilho meu caminho
Eu enfrento as consequências
Eu julgo meus atos
Quero cometer os meus erros
Aprendo a minha vida
Ensino a mim mesmo
Quero me queimar com o fogo que eu fiz
O meu céu é o seu inferno
O meu inferno é a sua casa
Nosso quintal é o universo
Eu quero começar pelo fim
Pintando os muros com o verde que não enxergo
Quero cometer os meus erros
As minhas limitações são sempre antes do meu fim
Quero sambar e ser feliz
Brincar de ser louco
Sonhar em ser eu mesmo
Diferente dos robôs à minha volta
Não sou mais uma peça na engrenagem
Sou a mola mestra
Do meu mundo
Quero cometer os meus erros
Faço minhas regras
Conquisto os meus objetivos
Enfrento tudo e todos
Liberto meu sorriso
Vou atrás das minhas respostas
Quero dormir acordado
Quero não dormir
E assistir o Sol nascer
Enquanto a Lua se esconde na sua escuridão
Quero cometer os meus erros
Quero fazer minhas perguntas
Entender porque a rosa é rosa
Assim ela é chamada
Vou mudar a cor do céu
Quero ver as minhas cores
E quebrar as suas regras
Pagar pelo que eu fiz
Fazer o que eu sempre quis
Quero cometer os meus erros
Assim eu sou feliz
Um eterno aprendiz
Um poeta sem chão
Eu vôo na minha imaginação
Quero comemorar todo dia dois
Amar várias vezes a mesma pessoa
Ser amado por uma pessoa
Sentir saudade de quem está ao meu lado
Quero cometer os meus erros

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

No Rules



Não quero regra.
Quero liberdade.
Quero tudo que agrega.
Quero a diversidade.

Não quero o que classifica.
Nem o que me limita.
Quero tudo aquilo que unifica.
E que ao máximo me permita.

Se existem limites, estão em nós mesmos.
Não em regras impostas sem questionamento.
Há possibilidades, basta abrirmos os olhos para as vermos.
E apreendermos o que nos é oferecido em cada momento.

Não quero as regras da monogamia.
Quero beijar a boca que eu desejar.
Tampouco quero as regras da poligamia.
Apenas não quero regras para amar.

Quero o que melhor me convir em cada situação.
Hoje sou de um jeito, amanhã já mudei.
A razão, acompanhando ou não o coração,
Importa-me mais sentir que pus alma em tudo que vivenciei.

Não quero as regras do dinheiro.
Quero a carteira no bolso
E o bom senso no corpo inteiro.
E, na privada, o que me for insosso.

Não quero as regras da menina comportada.
O que eu quero varia e dane-se quem não concorda.
Não sou marionete nem boneca empalhada.
A liberdade e a paixão é que me dão corda.

Não vou matar ou trair confiança.
Porque não quero suas consequências.
É com a vida que faço aliança.
Sigo o aprendizado das minhas vivências.

Não me imponha enunciados prescritivos.
Não quero regras mesquinhas e autoritárias.
Os limiares de minha vida são só por mim definidos.
Às vezes podem ser bem-vindas até atitudes contrárias.


"Mas sou minha, só minha e não de quem quiser..." (1° de julho, Legião Urbana)


"No Rules

Anything I wanna do - No rules!
I won't take no shit from you - No rules!
I don't care if you don't like me - No rules!
Do you think I really care? - Let's go!


C'mon lets go and start a riot - No rules!
I like to make noise, I hate to be quiet - No rules!
They can't tell me what to do - No rules!
'Cause I will never ever loose - Let's go!


No rules!
No rules!
No rules!
No rules!


Stand up and shout for what you want - No rules!
Don't give in until you won - No rules!
Never compromise your feelings - No Rules!
'Cause I got the right to show my feelings - Let's go!"
(G.G. Allin)







terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Uma pitada de samba e um bocado de histórias

Episódio de hoje:

O negro, o mestiço e o mulato – Os primeiros passos da identidade brasileira.

A Semana de Arte Moderna de 1922 reuniu  escritores, pintores, músicos e intelectuais em defesa da cultura brasileira



No final do século XIX, intelectuais brasileiros debatiam sobre a identidade nacional e o atraso brasileiro com relação à Europa. A pergunta era: O que fazia o Brasil ser pior do que a Europa? A resposta mais sensata pareceu ser a mestiçagem, que foi usada como bode expiatório. Os intelectuais da virada do século XIX para o século XX olhavam com desprezo para as manifestações culturais. Essa desvalorização daquilo que era brasileiro perdurou por muito tempo, até surgirem os modernistas que defendiam o mulato e o mestiço como a raça genuinamente brasileira.

A valorização do que é nacional foi a principal pauta da Semana de Arte Moderna de 1922, ocorrida em São Paulo. Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Plínio Salgado, Heitor Villa-Lobos, Menotti Del Pichia, entre outros modernistas, participaram do movimento que visava romper com a vanguarda europeia, valorizando a cultura brasileira.

                                                   Gilberto Freyre



Mas a reviravolta começou mesmo com Gilberto Freyre, que valorizava o caráter positivo do negro e do mestiço, definindo o povo brasileiro como uma combinação harmoniosa e conflituosa de traços africanos, indígenas e portugueses. Freyre mostrou que a cultura mestiça não era a causa do atraso do país, mas sim algo que deveria ser cuidadosamente preservado, pois era a identidade e a especificidade do país diante das outras nações.
Os modernistas que valorizavam a cultura nacional, eram os mesmos presentes nas reuniões, como as citadas no capítulo anterior, que ocorriam desde o século XVIII. Eram membros da elite, políticos, intelectuais e músicos. Eles discutiam temas culturais e, faziam inclusive, saraus musicais. Uma dessas reuniões está relatada no livro O Mistério do Samba, de Hermano Vianna, no qual ele descreve o encontro de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Prudente de Moraes Neto, Heitor Villa-Lobos e outros intelectuais da época com Pixinguinha, Donga e Patrício Teixeira, no ano de 1926. Gilberto Freyre publicou em seu diário, que mais tarde seria parte do livro Tempo morto e outros tempos, um trecho no qual se refere a este encontro.

Sérgio e Prudente conhecem de fato literatura inglesa e moderna, além da francesa. Ótimos. Com estes saí de noite boemiamente. Também com Villa-Lobos e Gallet. Fomos juntos a uma noitada de violão, com alguma cachaça com os brasileiríssimos Pixinguinha, Patrício, Donga (Vianna, 1995: 19).


Encontros como estes não eram novidades, mas foram destas reuniões que partiram os primeiros passos para a valorização das coisas brasileiras, a começar pela nossa raça e nossa música, ou seja, aquilo que nasceu nas terras tupiniquins: o mestiço e o samba. Outros personagens importantes como Afonso Arinos, Lima Barreto e Graça Aranha participaram do movimento de valorização daquilo que era brasileiro, inclusive nomes internacionais tiveram importante participação, caso do poeta francês Blaise Cendrars e do compositor suíço Darius Milhaud.


Veja o episódio 1 em Os primeiros passos do Samba

Veja o episódio 2 em Tia Ciata