quarta-feira, 18 de abril de 2012

domingo, 15 de abril de 2012

Eliseu Visconti - Técnicas diversas, capacidade genial e mãos perfeitas em seu trabalho



















Você já ouviu falar em Eliseu Visconti? Caso sim e caso seja um apreciador da arte, vai adorar a exposição de cerca de 230 trabalhos seus no Museu Nacional de Belas Artes (RJ). Caso não e caso seja um apreciador da arte, vai se surpreender em demasia com este artista que é muito menos reconhecido quanto de fato deveria ser, pois basta ver de perto algumas de suas obras pra se sentir a certeza da capacidade do artista: enorme, forte, bela e extremamente competente.
Sua capacidade é enorme porque é raro um artista que consiga se aventurar a utilizar diversas técnicas diferentes e que faça essa proeza muito bem, não só em obras diversas, como, muitas vezes, na mesma obra. É bela porque ele faz isso tão bem que nos passa beleza sincera em suas obras, estejam elas mais voltadas para o academicismo, que marca suas obras iniciais, pro neo-realismo, que marca sua fase final, ou passando pelo naturalismo e pelo impressionismo, dentre outras correntes artísticas. Ele pintou quadros de nus, de sua família, autorretratos, paisagens (inclusive de muitos locais do Rio de Janeiro), cerâmicas e até selos para o país, como, por exemplo, os selos comemorativos do 1° Centenário da Independência. E não se pode deixar de falar, é claro, que é de parte dele todas as pinturas da sala de espetáculos de um dos mais importantes pontos turísticos de nossa cidade, o nosso querido Theatro Municipal do Rio de Janeiro, feitas a convite do prefeito Pereira Passos. Um artista tão rico só o pode ser através de sua competência em fazer arte, dessa maneira intensa cujo exemplo Visconti nos dá.

Eliseu D'Angelo Visconti nasceu em Salerno (Itália) em 1866, vindo para o Brasil ainda menino. Estudou no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e na Academia Imperial de Belas Artes. Venceu em 1892 o concurso da República para estudar na Escola Nacional de Belas Artes na França. Nesse momento recebe influências de alguns dos movimentos artísticos que, na época, estavam ocorrendo pela Europa: simbolismo, impressionismo e arte nouveau.
Visconti é considerado o introdutor da art nouveau nas artes gráficas do Brasil e pioneiro do design nacional, uma vez que desenhou selos, ex-libris, cerâmicas, tecidos, vitrais, luminárias, papéis de parede, dentre outros. Faleceu em 15 de outubro de 1944 e deixou como legado uma demonstração de capacidade artística das mais admiráveis e das quais temos que nos orgulhar, pois se nasceu na Itália, foi aqui que se criou e se iniciou como artista, mostrando em diversas obras suas o carinho que tinha pelo Rio. Fazia parte dele e é recomendável que ele faça parte de nós, pois é um artista que merece muito reconhecimento. Vale ressaltar a curiosidade de que uma de suas obras, Gioventú, é considerada a Mona Lisa brasileira.
Parte integrante das principais coleções do país, com destaque para os acervos do Museu Nacional de Belas Artes e da Pinacoteca do Estado de São Paulo, sua carreira de cerca de 60 anos durou dos últimos anos do Segundo Reinado até a Segunda Guerra Mundial, fazendo uma ponte entre o Brasil Imperial e o Brasil moderno. Quem comperecer à exposição de suas obras, além de não se arrepender, vai concordar que é quase inacreditável saber que sua última retrospectiva havia sido em 1949, há mais de 60 anos. A maior parte de suas obras está em coleções particulares e muitas delas não são conhecidas nem ao menos do próprio neto, responsável pelo projeto da retrospectiva e pela busca por obras de Eliseu Visconti, assim como muitas não são conhecidas pelos especialistas. É importante lembrar, nesse contexto, que Tobias Stourdzé Visconti, neto do artista, continua buscando por obras perdidas do avô e pede que aqueles que estejam com alguma obra, que entrem em contato através do email contato@eliseuvisconti.com.br, requerendo solicitação para análise de autenticidade.

Talvez Visconti tenha sido um pouco esquecido pelo público devido à importância e repercussão do movimento modernista no nosso país, tendo como base a famosa Semana de 1922 e que foi responsável pela criação de um certo preconceito em relação à produção artística anterior ao modernismo. Mas é preciso deixar de lado as dicotomias simplistas que demarcaram essa divisão artística (vanguarda/academicismo; nacional/estrangeiro) e se abrir à obra de Visconti, que é tão rica e diversa. Confira!



O que? Exposição maravilhosa de cerca de 230 obras de Eliseu Visconti.
Onde? Museu Nacional de Belas Artes // Av. Rio Branco, 199 - Centro, Rio de Janeiro (RJ)
Quando? de 04 de abril a 17 de junho de 2012.
Quanto? Entrada gratuita até o final de maio devido à comemoração dos 75 anos de criação do MNBA. Os preços costumeiros do MNBA são: Inteira R$8,00, meia R$4,00. Gratuita aos domingos.




sábado, 14 de abril de 2012

Thiaguinho, o revolucionário do Samba?


Por Carlos Pinho

"Me sinto honrado por ter mudado a história do Samba".
(Thiaguinho)


Discordo da declaração do cantor Thiaguinho. Mas há uma questão a salientar. O Samba, como agregado cultural de valor inestimável na formação da identidade da nossa nação, não é algo estagnado ou uma moldura que devemos apenas contemplar. Ele, assim como a cultura num panorama mais amplo, está em transformação constante, com a inserção de novos elementos e a consequente diversificação do conceito.

Afinal, as pessoas não deixam de interagir (ainda mais hoje) e, a partir dessas relações sociais, aprender e assimilar outras culturas. Se o que resulta disso é tido como bom ou ruim pela crítica, é outro assunto. Nem tudo são flores no processo histórico.

Entretanto, Thiaguinho não mudou a história do Samba. Ele apenas bebe na fonte de uma tendência que vem desde a década de 1980 e que projetou conjuntos como Raça Negra, Razão Brasileira, Só Preto Sem Preconceito, Só pra Contrariar e o próprio Exaltasamba. Isso, em hipótese alguma, significa uma ameaça ao consagrado Samba de Raíz. Este, por sinal, é resultado de muita discussão e choque de estilos, formas e projetos. Os debates entre Donga e Ismael Silva exemplificaram bem esse cenário. Para o autor de “Pelo telefone”, Ismael fazia marcha. Este, por sua vez, dizia que Donga cantava maxixe. No vídeo abaixo, o autor de "Antonico" e "Se você jurar" relembra esse caso.

     
Esse embate teve um papel fundamental para legitimar a matriz da - como chama Nelson Sargento - instituição. Uma tradição que, posteriormente, foi enriquecida com nomes como Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Candeia, João Nogueira, Roberto Ribeiro, Beth Carvalho e tantos outros, além de ter resultado em ramificações, tais quais a Bossa Nova, o Partido Alto, o Sambalanço (ou Sambarock) e o Pagode.  
  

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ao meu lado tu dormes tranquilamente...


Ao meu lado tu dormes tranquilamente, enquanto eu me perco em devaneios...

Não te vejo, mas te sinto.
Eu te sinto a cada segundo de sonho meu,
no qual cavalgas lindamente,
não sob um cavalo branco de contos de fadas,
mas sob mim mesma, deliciosamente.

Não te vejo, mas te sinto.
Eu te sinto em tuas garras sob minha pele.
Marcas de arranhões animalescos de quem,
com muita fúria e paixão, acalmou a mim,
gata no cio com fome de ardor. Com fome de amor.

Não te vejo, mas te sinto.
Eu te sinto em teus dentes caninos me devorando.
Minha carne crua e macia não basta,
Teus anseios pedem por mais: pedem por alma.
Entrega de quem faz amor por pensamento.

Eu te vejo e eu te sinto.
Eu me vejo quando te vejo, eu me sinto quando te sinto.
Nessa procura incessante por ti,
Eu procuro mais ainda por mim.
Procuro em ti minha própria fonte de prazer.

Eu te vejo e eu te sinto
Nos limites entre homem e animal, entre corpo e espírito
Eu me faço em teus meios, tu me satisfazes em meus meios.
Em um simples abrir de portas que te desejam entrando por elas,
Sinto em ti, sinto por ti, fêmea fome quase insaciável.

Eu te vejo, eu te sinto, eu te ouço, eu te cheiro.
Vejo o homem que faz de mim tua mulher.
Sinto o macho que faz de mim tua fêmea.
E os gemidos ouvidos baixinho, sons de uma música luxuriosa.
Cheiro íntimo; odor de flores que não são do campo, mas do corpo.

Eu te sinto, eu me sinto.
Eu me transporto a ti, tornando-me parte tua.
Uma fusão de corpos que multiplica prazeres.
Amor que na cama, no chão, na mesa e na poesia se faz.
Eu te vejo e eu te sinto, aqui, agora, sob meu seio, absorto.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Homenagem a G.M.

Este poema é dedicado a uma amiga muito especial.

Menos feminilidade do que em outras garotas? alguns viam isso. Eu via personalidade.
Aparência "agressiva"? alguns viam isso. Eu via força.
Um certo medo tolo de criança? enquanto alguns sentiam isso, eu sentia indiferença.
Enquanto alguns acham que a internet é incapaz de trazer amizades de verdade,
eu tenho a plena certeza de que a nossa assim surgiu e é forte como uma onça.
Eu acredito em nós duas e após todos esses anos, nada me tira essa crença.

De vestido? nunca lhe vi. Mas quem é bonito, é bonito de qualquer maneira.
Salto alto? nunca vi mesmo, mas confesso que nem eu sou assim muito amiga deles. (rs)
Um certo preconceito infantil? enquanto alguns tinham, era-me indiferente.
Com minhas amigas você não se deu com nenhuma, mas com você eu me dei por inteira.
E esse carinho criado, conquistado, os anos demonstram. Está refletido neles.
E nada o diminui, nem a correria da vida, que nos impede de nos vermos constantemente.

A vida vai seguindo, nós vamos crescendo. Nossas amizades vão se consolidando.
E pensar que nem suas amigas de colégio ainda estão presentes como um dia estiveram...
E que eu, logo eu, aquela que entrou em sua vida meio inesperadamente, de surpresa...
Sim, eu continuo presente. De corpo, mas sobretudo de alma e coração, te amando.
E nesse momento parece tão distante qualquer besteira que outros disseram...
Você foi dádiva ganha por eu não ter nadado com a correnteza.

Eu me orgulho tanto desse carinho que tenho por você, de uma maneira tão especial,
que não tenho dúvidas de que o importante não é acompanhar os acontecimentos diários,
Mas sim ter a confiança que tenho em ti, essa certeza sincera de que é o que eu sinto que é.
É amizade. É carinho, e é forte. É hoje, é amanhã e foi ontem. É atemporal.
Constitui-me. Constitui-lhe. Constitui um bando de bonitos sentimentos involuntários,
Que geram o fato consumado comprovado de que amizade é, simplesmente, pra quem quer.

Pra quem quer conhecer e se deixar levar sem aparências, sem muros, sem preconceitos
Pra quem quer ser amigo sem selecionar de quem, sem ver com os olhos, mas com o coração
E eu gosto de você por ser quem é, não é preciso nenhum ingrediente a mais.
Ser amigo é uma característica como tantas outras, que não vê cores, credos, nem feitos
Sou amiga de alma, sou amiga como se é estudioso ou não, como se é engraçado ou não
E nessa junção de nós duas surgiu essa amizade bonita, que só mesmo o amor faz.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Doisneau, a alma do artista exposta na fotografia


"As maravilhas da vida cotidiana são tão emocionantes. Nenhum diretor de filmes pode organizar o inesperado que você encontra na rua." (Robert Doisneau)

O próximo sábado, dia 14 de abril de 2012, marca a data de centerário de Robert Doisneau, falecido em 1994. E é em homenagem a este artista, um dos maiores fotógrafos da história da fotografia, que o Centro Cultural Justiça Federal dá a oportunidade ao público carioca de presenciar uma exposição inédita de grandes obras de Doisneau. Trazida pela Aliança Francesa, com patrocínio da Peugeot e produção da Bonfilm, a exposição contém 152 obras do artista que registrou a vida social da Paris de sua época, transformando seus retratos em cartões postais e em eternas retratações de um tempo que passou e que por ele foi registrado de um modo muito bonito.


Doisneau fotografou não só Paris, mas também seus arredores. Assim como trabalhou em fotografias para publicações em revistas, como a famosa "O Beijo do Hotel de Ville", de 1950. Seu trabalho, ao longo de sua carreira, foi publicado em mais de 20 livros. Foi tema de quase dez filmes (a princípio, nove) e recebeu prêmios como o Grand Prix National de la Photographie (1983), Kodak (1947), o prêmio de Balzac Honoré de Balzac (1986) e o prêmio de Niépce Nicéphore Niépce (1956). E foi nomeado Cavaleiro da Ordem da Légion d'Honneur em 1984.

Nascido em Gentilly, Val-de-Marne, no limite de Paris, zona entre cidade e campo, Doisneau foi um apaixonado por fotografias de rua, tornando-se muito popular. Conhecido por suas imagens irônicas, misturando registro social e humor, classes sociais e ambientes comuns da vida cotidiana, Doisneau fascina-nos através do que ele consegue nos passar através de suas obras: faz-nos rir, choca-nos, faz-nos refletir. Em diversas de suas obras ele questiona a ambiguidade; através de diversas séries suas de fotografias ele nos conta histórias através das sequências. Em suas obras, ele trata de temas como crianças, a periferia, as pessoas simples e os sentimentos que cercam tais temas. Não há como suas obras serem entendidas sem referências às suas origens.

"Robert Doisneau foi o cronista infalível de uma época em
que a banalidade do cotidiano competia com a lenta, porém obcecante evolução da sociedade. Do seu jeito, humano e perspicaz, ele foi o testemunho privilegiado de um tempo em que Paris se expandia para cima da periferia, a qual também devorava o campo, urbanizando o camponês contra sua vontade." (Agnés de Gouvion Saint-Cyr, curadora da exposição)

O que? excelente exposição de 152 fotografias de Robert Doisneau
Onde? Centro Cultural Justiça Federal // Av. Rio Branco, 241 (Centro - Rio de Janeiro)
Quanto? Entrada Franca
Quando? de 8 de março a 17 de junho de 2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Março passou e deixou vestígios...

Março, definitivamente, foi um mês e tanto. Felizardos os que souberam e puderam aproveitar. O Rock Progressivo invadiu o Rio de Janeiro e deixou pela cidade uma aura de fascinação. Estará o progressivo ganhando mais lugar nos palcos? Minha falta de disponibilidade de internet nos últimos tempos e a correria da vida não me impedirão de falar sobre, apesar do atraso.
Dias 10 e 11 de março, há quase um mês, o rock invadiu a casa Rio Rock e Blues Club na Lapa e deixou marcas facilmente perceptíveis. Foi um sucesso, encheu a casa e o público pede bis. O Rio Prog Festival deixou bem claro que chegou para ficar, ao menos por um bom tempo. E deixou claro também que não está para brincadeira, chegou para trazer boas bandas, tocando muito boa música e uma grande oportunidade de assisti-las, assim como de comprar LPS e CDs. Ótimas bandas autorais e covers se alternando e satisfazendo muito bem os que souberam aproveitar a oportunidade e compareceram. Não dá para não parabenizar às bandas: SUB ROSA (MG), BANDA TRUCCO (RJ), MAHTRAK (SP) e BY THE POUND (MG).
Logo ali pertinho, tanto no aspecto da data quanto no do endereço, dia 14 de março foi marcadíssimo por um show maravilhoso que vai ficar na memória tanto dos que foram assisti-lo quanto da própria banda: a banda holandesa FOCUS, sem dúvidas, uma das melhores bandas de rock progressivo tocou lindamente no Teatro Rival. É mais que fácil apaixonar-se por Thijs van Leer, seja no órgão ou na, por mim adorada, flauta; é provável. A música é mais do que sons em harmonia, é poesia, é alma colocada pra fora. O Teatro Rival lotou e deu pena não conseguir colocar pra dentro todos os interessados em assistir ao show. O público, durante todo o show, se mostrou totalmente entretido, prestando atenção, não conversando paralelamente como em outros aconteceu e a banda respondeu isso de maneira muito satisfatória: fez um show que durou mais que outros e não disfarçou a alegria em estar tocando para um público que realmente os admira e os acompanha. Com direito à sessão de autógrafos no final do show, bobeou quem foi embora rapidamente. Sem dúvidas, uma noite e tanto!


Um evento um tanto quanto menor, mas que não pode passar por despercebido, foi o que ocorreu no Centro Cultural da Justiça Federal no dia 27 do último mês: a Orquestra de Solistas do Rio de Janeiro tocou clássicos do rock progressivo. Meus queridos, nada mais, nada menos, do que um espetáculo tocando Emerson, Lake and Palmer(!). Raro como é haver eventos de rock progressivo, parece que a mania está pegando e as produtores, finalmente, estão percebendo que há sim público e que é um genêro que merece mais espaço. Não se pode deixar passar isso como se não significasse nada; os fãs do genêro precisam ficar atentos, pois se procuram programação, esse é o momento de haver mais chances em encontrar. O espetáculo, apesar de pequeno (justamente pelas dúvidas em relação a haver público), foi lindo. Merece repetições e extensões.
E, claro, como não falar sobre o show do Roger Waters que, no Rio, ocorreu dia 29, no Estádio do Engenhão?! Apresentando um espetáculo audiovisual e tanto, tocando o álbum The Wall, é difícil decidir se o fascínio foi maior pelo enorme muro utilizado como o grande componente do espetáculo ou se pela música e pela oportunidade. Apresentando ao público uma enormidade de significações, o muro mostrou imagens, desenhos, pequenos vídeos, etc. Dentre eles, muitos remetendo ao filme The Wall. O muro foi a grande base do espetáculo. Não foi Pink Floyd, mas foi Roger Waters e isso basta pra ser muito bom. Não, eu não vou entrar no aspecto crítico, primeiro por não achar que entendo o suficiente sobre, segundo porque o êxtase de uma programação progressiva é tão delicioso que não há espaço em mim para ver os aspectos ruins ou, pelo menos, não tão bons. Roger Waters tirou o restinho de fôlego que havia em mim.


Agora cabe a nós nos indagarmos sobre o futuro. Já compraram seus ingressos pro show de Roger Hodgson, ex vocalista da banda SUPERTRAMP? E, apesar de não ser progressivo, mas ainda assim ser boa, já compraram seus ingressos pro show da banda Crosby, Stills e Nash?
E imginando o futuro, nos questionamos: quando será a próxima edição do Rio Prog Festival mesmo?! Ao produtor do evento, Claudio Fonzi, perguntamos: e a banda Quaterna Requiem? quando mesmo? os ingressos já estão sendo vendidos, podemos ir agora mesmo comprá-los??? Calma, meus queridos. Em breve, em breve! Tomara! E há ainda boatos sobre a possibilidade de shows da banda pioneira de rock progressivo CURVED AIR. E ainda, entre o hard e o progressivo, há boatos também sobre a possibilidade da banda WISHBONE ASH vir. Será? Será? Tomara! Sejam essas ou outras, que venham mais bandas excelentes como têm vindo. E agora vamos dar um stop na escrita/na leitura e ouvir um som, pois a música é, terminantemente, uma das grandes inspirações e realizações humanas.

domingo, 8 de abril de 2012

S2


São tantos os sentimentos e sensações possíveis de se sentir,
Que achar que nomeamos todos os existentes me soa presunçoso.
Meu querido, o que importa é que nos embebeda a alma como elixir.
Seja amor, alguma espécie de carinho raro ou encanto, é delicioso.

Encontrar alguém com quem fazemos amor no simples ato de um abraço
Substitui qualquer noite de sexo, qualquer saída na night.
Abraços presentes em cada sorriso meu, levados comigo a cada passo.
Belo é um sentimento assim, delicado como uma flor, saudável, light.

Como canta Rita Lee definindo certos momentos tão bonitos entre nós,
"A gente faz amor por telepatia. No chão, no mar, na lua. Na melodia."
E mesmo quando há distância física, podemos sentir que não estamos sós,
Pois eu estou em você e você está em mim, minha alegria.

"When you showed me your eyes, whispered love at the skies. Then I wanted to stay with you."1
Quando eu me enxerguei em seus olhos, eu vi o que não existe no mundo físico.
"Love is all that I can give to you. Love is more than just a game for two"2
A aura de carinho envolta em nós, genuína e intensa; fenômeno psíquico.

"Eu quero a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida"3
E "ando por aí querendo te encontrar. Em cada esquina, paro em cada olhar."4
Quero "Ser teu pão, ser tua comida. Todo amor que houver nessa vida"5
"E as coisas lindas são mais lindas quando você está, (...) porque você está."6

Cássia Eller, uma de minhas intérpretes favoritas, cantou muito do que quero dizer:
"E quem achar alguém como eu achei, verá que é natural ficar como eu fiquei."7
"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você."8
"Eu pensei em tanto pra dizer enquanto esperei. "9

Pensei em tanto pra dizer e estou dizendo agora, enquanto escrevo esse poema
O qual eu dedico a você, meu querido, dizendo que o que sinto independe do futuro.
Sentimentos verdadeiros são eternos dentro de nós. Não, não tema.
Pois mesmo que tudo mude, o que importa é o imutável: terá sido sincero e puro.




¹ Trecho retirado de 'Late Night', Syd Barrett.
² Trecho retirado de 'L-o-v-e', Nat King Cole.
3 Trecho retirado de 'Todo Amor que Houver nessa vida', Cazuza e Frejat.
4 Trecho retirado de 'Palavras ao Vento', Marisa Monte e Moraes Moreira.
5 Trecho retirado de 'Todo Amor que Houver nessa vida', Cazuza e Frejat.
6 Trecho retirado de 'As coisas tão mais lindas', Nando Reis.
7 Trecho retirado de 'Sentimental Demais', Evaldo Gouveia e Jair Amorim.
8 T recho retirado de 'All Star', Nando Reis.
9 Trecho retirado de 'Partners', Paulo Ricardo, Paulo (PA) Pagni e Luiz Schiavon.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Janela de ônibus


A manchinha ali na janela,
é a marca da donzela.
É feita de suor e cabelo
de alguém que se desmanchou
sem nenhum zelo.

Lágrimas rolaram discretas,
angustias fluiram diretas,
pensamentos formaram respostas
e silêncio coroou apostas.

Agora ela segue sem encostar,
a cabeça não vai mais manchar,
o vidro não vai melar.

Não há angustias a partilhar,
apenas um par de olhos
que ficam a brilhar
os belos sonhos,
que irá concretizar.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Qual é a moral da história?

 
Mais divertido do que "A Praça é Nossa", mais engraçado do que "Zorra Total", mais comovente do que "Criança Esperança", mais dinâmico do que "Domingão do Faustão", mais legal do que "Programa do Gugu", mais carismático do que a "Xuxa", mais polêmico do que "BBB", ele é o... Dogcão!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Coerência e moral, onde se escondem?


Ouço sempre pessoas dizerem que, nesse mundo de desordem, em que Michel Teló é ovacionado e em que jogador de futebol em partida importante realiza a jogada como se estivesse brincando de futebol de botão com o irmão, nada mais surpreende (e esses não são grandes exemplos). Eu, confesso, estou a todo momento me surpreendendo. Infelizmente, na maioria das vezes, de um modo negativo.
O caso da jovem Geisy Arruda, expulsa em outubro passado da universidade (UNIBAN) por usar um microvestido, faz-me questionar a coerência das nossas atitudes e decisões, de modo geral, além do questionamento sobre os conceitos de justiça e de moral. Será que é por eu ser carioca que acho isso absurdo? vivo em uma cidade em que 'shorts-calcinha' são tão comuns quanto pombos na rua. Não, não pode ser por eu morar no Rio de Janeiro. Afinal, isto é algo mais que presente nos filmes, programas de televisão e, hoje em dia, em qualquer lugar que se vá, não só do país. Não consigo compreender uma expulsão por um motivo como esse. Se fosse uma universidade arraigada em uma religião como o catolicismo, compreenderíamos que exigisse por parte da aluna moderação em seu modo de se vestir, mas, ainda assim, não a expulsão. Qual era mesmo o nome da personagem de Dira Paes em 'Caminho das Índias'? Norma. Norminha dificilmente saía de casa sem o soutien à mostra e isso em uma novela de alcance não só nacional e no canal convencional mais assistido do país.
Semana passada uma jovem de 17 anos, no Espírito Santo, foi espancada na porta da escola por duas colegas e, como se não fosse absurdamente suficiente, pela mãe de uma delas também. Tudo isso por causa de um rapaz, namorado de uma delas. Desde quando um rapaz, seja quem for, vale isso? Com uma mãe dessas, como julgar sua filha? A decisão da escola foi apenas mudá-las de turma, deixando-as em salas diferentes. Isso é o suficiente? É justo apenas alterar as jovens de sala, enquanto o que fizeram é, no fundo, uma atitude criminosa? Jovens de 16 e 17 anos não são mais crianças. Elas sabem muito bem o que é certo e errado, o que é bom de se fazer e o que não é. Se elas não sofrem de nenhuma doença mental, então o processo de "reeducação", seja com terapia ou o que for, na minha opinião, deve ir bem além de apenas mandá-las para outra turma. Se nesse caso houvesse expulsão aí eu sim eu compreenderia, apesar de, evidentemente, a escola como instituição de ensino que deve ser tem o papel de (re)educar, de (re)encaminhar, não de expulsar. Portanto, não seria também a decisão mais adequada, de acordo com o que a escola propõe ser. Por outro lado, esse papel de educar, que vai muito além de ensinar disciplinas como matemática, português e história e chega ao ponto de ensinar valores, deve mesmo ser da escola? Desordem. A única resposta que consigo dar a mim mesma, nesse momento, é que tudo está fora da ordem. Caos moral. Caos humano.
Há todo instante há casos parecidos. Em Goiás, a mãe de um aluno acusa uma monitora de agredir seu filho de cinco anos. Em Gravataí, uma mulher simplesmente levou duas pessoas para bater numa aluna de 14 anos que teria discutido com sua filha. Fatos como esses me fazem questionar tantas coisas, me enchem de dúvidas de uma maneira quase enlouquecedora. Será mesmo que são sinais de uma nova desordem? Ou será que o mundo e o homem sempre estiveram em desequilíbrio ético, moral e sob tantos outros aspectos também?! Será mesmo que isso é novidade ou estamos dando uma atenção diferente a isso agora? O bullying sempre existiu, mas agora foi dado a ele este novo nome chamativo de atenção e é visto como crime. Até que ponto é mesmo? Será que fatos como os citados sempre ocorreram, mas agora sabemos mais e melhor pelos avanços tecnológicos que nos permitem tomar conhecimento sobre tantas coisas sem os quais não seria possível? Mas isso importa de fato? Se sempre aconteceu, mas antes sabíamos menos, então menos podíamos fazer sobre. Seja agora uma ampliação do número de fatos que chegam até nós ou seja mesmo uma nova desordem, temos a capacitação de fazer algo sobre. Fazer mais.
Coerência? Ela ainda existe em nosso cotidiano? Uma igreja evangélica adaptou o hit "Ai, se eu te pego", cantado por Michel Teló. Dá para acreditar nisso? “Deus, eu te quero” é a versão gospel de uma música (música? confesso ter minhas dúvidas) cuja letra me parece passar ideias contrárias à religião evangélica, não? Estou enganada? Só eu fico confusa com tudo isso? Está mais que na hora de pararmos de apenas assistir aos telejornais e discutirmos assuntos como esses. Agirmos juntos em prol da sociedade e do que considerarmos melhor. Esse conjunto de dúvidas pessoais é um convite a todos para que debatemos e pensemos mais a respeito dos fatos, em vez de sermos apenas gado ou um público preguiçoso dos telejornais polêmicos e comerciais.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Você precisa ouvir:

Roberto Ribeiro em "Corrente de Aço"
Por Carlos Pinho

Um dos maiores intérpretes da música brasileira, o saudoso imperiano Roberto Ribeiro (1940-1996) reuniu nesse álbum, gravado pela EMI-Odeon em 1985, pérolas de um grupo seleto de bambas, tais como Monarco, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz, Paulo César Pinheiro e Nei Lopes. Violão, cavaco, pandeiro, tamborim e a eterna voz do sambista convidam-nos a um legítimo mergulho no samba para pintarmos nossas almas atarefadas com os seus matizes mais singelos. 

A faixa que dá nome ao disco, "Corrente de Aço", é do inigualável João Nogueira. O repertório também conta com a participação de Chico Buarque em sua obra "Quem te viu, quem te vê". Esta versão possui um diferencial para além da bela interpretação de Roberto e do dueto com o poeta dos olhos de ardósia. Na sua parte final, conduzida pela batucada, "Quem te viu, quem te vê" se entrelaça perfeitamente ao refrão de "A Banda", outro primor em versos e em melodia com a assinatura de Chico.

"Corrente de Aço" possui 12 faixas (disponíveis clicando aqui). Dentre elas, destaco a primeira, "Malandros Maneiros", de Nei Lopes e Zé Luiz do Império. 


Trata-se de uma homenagem aos apontadores do jogo do bicho, os "malandros maneiros" que, como descreve a letra, "portando uma caneta, um bloco e uma folha preta, escreveram a sorte ou o azar de alguém". Seus versos formam também uma interessante crônica musical sobre o início da proibição dos jogos de azar durante o governo do marechal Eurico Gaspar Dutra (1946-1951). 

Conta-se que a medida teria sido um pedido de sua esposa, Carmela Leite Dutra, popularmente conhecida como "Dona Santinha" por causa de seu catolicismo fervoroso. Com isso, em 30 de abril de 1946 - três meses após a sua posse -, Dutra proíbe a jogatina em todo o território nacional, como relata o samba: 

No governo de marechal Dutra
Não teve nem truta, nem meu pé me dói
E na guerra que houve aos cassinos

Parou Constantino e fechou Niterói

No entanto, a atividade manteve-se em pleno funcionamento durante décadas - na clandestinidade, bem verdade -, graças às vistas grossas de governantes, de políticos e de policiais, que, ao longo da história, "oficializaram" a ilegalidade à custa de muita grana. 

No tempo da quinta coluna
De lá da Pavuna, Jacarepaguá.
Eu me lembro que eu era menino

E no seu Natalino já ouvi falar   

Citado no trecho acima, Natalino José do Nascimento, o Natal, foi o primeiro bicheiro a patrocinar uma escola de samba, no caso, a Portela, e participou da época de ouro da agremiação, que perdurou de 1941 até a década de 1960. 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ensinamentos da vida, ensinamentos aprendidos

– Mais um, por favor. Assim pediu Di ao cara do caixa.
Já se somavam seis cigarros em apenas duas horas.
O médico já tinha constatado sua pressão alta, que geralmente é baixa.
Ele lhe recomendou que parasse e como retribuição recebeu uns foras.

Diana era assim: a teimosia tristemente humanizada.
O vício estava se acentuando devido à rejeição do namorado.
Cigarros e álcool; ela ficava facilmente embriagada.
E assim se sentia melhor, esquecendo temporariamente o amado.

Mas apesar da infantilidade perceptível, havia amor dentro de seu peito.
Um amor enorme por aquele ser que crescia dentro dela.
Mas não havia estímulo e força de vontade para mudar seu jeito.
O pai de seu filho tinha sumido no mundo, sem nem falar com ela.

Diana, com seus miúdos olhos castanhos, representantes da armagura
Já nem se arrumava mais para sair, nem passava seu batom.
Sofria de depressão e não encontrava forças nem para desejar a cura.
Até de pintar parou, deixou de lado seu tão querido dom.

Passaram-se dias, semanas e até uns meses e ela não largou o cigarro.
Consciente dos riscos, mas descrente de que mais isso poderia lhe acontecer.
Trabalhava sem ânimo; comia pouco e nem estranhava mais o pigarro.
Até que no quinto mês, um dia, acordou com dores, logo quando do amanhecer.

E nesse confuso amanhecer, Di acordou toda ensanguentada.
Fraca, pálida, confusa. Uma menina carente no corpo de mulher.
Sua triste sorte foi a de ter sido socorrida pela empregada.
Mas o bacana da história de Di é que foi assim que ela recuperou a fé.

Diana teve um aborto espontâneo, causado pelo seu vício.
Três maços de cigarro por dia assassinando seus pulmões.
Um trauma difícil de superar, mas totalmente possível.
Três meses foram necessários para ela assassinar suas ilusões.

Di entendeu que fugir da dor não a resolve, apenas a piora.
Desde aquele doloroso dia não coloca um cigarro entre os lábios.
Se arruma, passa seu batom, embeleza-se sem perder a hora.
Reconhece seus erros e agora dá a si mesma conselhos sábios.

Diana está com um novo namorado, mas sem medo do futuro.
Aqueles erros passados não correm o risco de serem repetidos.
Ela pinta quadros de crianças; no trabalho está dando duro.
Sonha com o filho que ainda terá; orgulha-se dos ensinamentos adquiridos.


quarta-feira, 7 de março de 2012

Uma lição sexual, uma lição de vida

Jorge veio feliz lá da Bahia tentar a vida no Rio de janeiro.
Achou bacana umas fotos que viu em uns orelhões.
Anotou uns números de telefone; pensou ser um tiro certeiro
E ficou a imaginar um belo corpo violão com deliciosos mamões.

Trabalhou duro durante meses em uma padaria,
Até que juntou uma graninha; pôs crédito no celular
E decidiu ligar pra uns "piteis", achando ser só alegria.
Ele nem imaginava que esse é um grande perigo que há.

A ilusão do sexo fácil, o fetiche de ter fantasias realizadas.
Talvez isso nem tenha a ver com moral, apenas com bom senso.
Tesão e corpo quentes, companheiros de atitudes mal pensadas.
Mente de razão ausente, dominada pelo desejo intenso.

Pagou a uma, a outra, a mais uma, ao mesmo tempo duas.
Gastou seu pouco dinheiro em horas diárias de sexo.
Pequenas doses de um veneno que correria em veias suas.
Um veneno chamado vírus HIV, que faria sua vida quase perder o nexo.

O preconceito aos homossexuais lhe fez achar que não corria esse perigo,
Tanto que Jorge nem sabe qual delas transmitiu e como isso foi lhe acontecer.
E a exemplo deste personagem, aí vai um conselho de amigo:
Não trepe sem camisinha pra não se estrepar na vida. Cuidado, pode acontecer com você.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Srta. Timidez, dê-me licença


Querida menina-mulher que há dentro de mim,
Esta noite faça o que sempre pensa em fazer, mas que o pudor sempre lhe impede. Dance até o suor escorrer pelo seu corpo. E quando o suor lhe deixar tão molhada quanto a vez em que você sentiu mais tesão, respire e sinta o prazer causado pela endorfina liberada no seu sangue. Dance por você mesma, não pelos que estão ao seu redor. Esqueça-se do mundo que, no fundo, nem se importa com você.
Durante esta noite esqueça-se da timidez que lhe deixa presa dentro de si mesma. Se for preciso beba uns brinques, apenas o suficiente pro seu lado envergonhado ficar de lado. Suas bochechas avermelhadas, esta noite, devem dar lugar aos lábios sedutores delineados pelo batom que lhe deixa tão sedutora. Não para seduzir os homens ao seu redor, apenas para lhe lembrar o quão bela e o quão mulher você é com seu vestido marcando as curvas de seu corpo tão feminino e seu perfume enebriando o ar, maravilhoso como o cheiro de uma dama-da-noite, no entanto, suave como a delicada flor branca é, apesar do mal uso do termo.
Mas ao contrário do sentido pejorativo dado ao termo citado, exponha a dama que de fato você é. Ao sentar de pernas cruzadas, educadamente peça ao garçom mais um drinque e lhe sorria não só com seus doces lábios, mas também com os olhos. Elegantemente provocativa. Não é preciso ser femme fatale, apenas seja como você é por trás da máscara da timidez.
E quando chegar em casa com o céu já clareando devido ao sol nascendo, durma profundamente, tenha aquele sono da beleza que toda mulher merece. Durma com um sorriso singelo no rosto, pois esta noite não terá sido como as outras em que você volta pra casa ainda com vontade de dançar, presa na camisa de força da timidez. Essa noite lhe causará a liberdade de poder ser o que você quiser ser.
Seja.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A volta dos que não foram:

Seleção, CBF, clubes e um pouco de desesperança


Por Carlos Pinho

Se você não sabe (pois não consegue mais manter-se acordado vendo os "manos do Mano" em campo), a seleção brasileira jogou ontem e, numa atuação apagada, venceu a modesta seleção da Bósnia por 2 a 1. Em quase dois anos de trabalho, o técnico Mano Menezes ainda não encontrou a formação ideal da equipe que, em 2014, vai representar a CBF na Copa do Mundo, que será disputada no Brasil. Mas o tema deste artigo não está nas quatro linhas.

Há algumas semanas, o noticiário esportivo minimamente isento vem comentando o possível fim do ciclo de Ricardo Teixeira na presidência da Confederação Brasileira de Futebol. Sofrendo com a pressão política e com uma série de denúncias nas costas, o dirigente parece estar cada vez mais isolado e encurralado, esquivando-se de entrevistas e convocando reuniões extraordinárias com os presidentes das federações - que compõem a base da instituição - e com seus homens de confiança. Além de mandatário da CBF, ele também comanda o Comitê Organizador Local (COL), tendo o ex-jogador Ronaldo como seu escudo.

Dentro desse panorama conturbado, a corrente que defende a saída de Teixeira vem crescendo. No entanto, as dúvidas sobre os rumos da preparação do país para a maior competição entre seleções do planeta aumentam ainda mais. O deputado federal Romário é o principal crítico do dirigente. A presidenta Dilma Rousseff não quer vê-lo nem pintado de verde e amarelo. E, para piorar, a Fifa, por meio de seu mandatário, Joseph Blatter, também se colocou na linha de frente dessa oposição.

E para os clubes brasileiros, o que mudaria com a saída de Ricardo Teixeira? Se os seus próprios dirigentes não revirem alguns dos seus conceitos, nada.

É verdade que a gestão de boa parte dos nossos clubes melhorou nos últimos anos. Mas certos hábitos teimam em permanecer. As principais forças do nosso futebol não possuem autonomia diante da CBF. São dependentes política e financeiramente das suas benesses. Sempre que precisam colocar as contas em dia, seus dirigentes correm com o pires na mão até a porta da instituição, na ânsia de receber algum trocado adiantado. Ficam acuados e fragmentados quando negociam seus direitos de transmissão, baixando suas cabeças a um monopólio que lhes rende bem menos do que as marcas que "defendem" merecem.

Enquanto a mentalidade dos dirigentes não mudar, continua tudo na mesma. Os clubes precisam deixar de lado a rivalidade e focar num objetivo comum: a valorização dos nossos times. Alguns levantam a bandeira pela criação de uma liga, o que os fortaleceria. Entretanto, esse projeto já foi tentado, com a fundação do Clube dos Treze, e fracassou.          

Infelizmente, os dirigentes da maioria dos clubes brasileiros não têm noção do peso das camisas que “representam”. Subvertem o seu valor e, em alguns casos, locupletam-se dele como bem entendem. Com isso, a especulada saída de Ricardo Teixeira não traz grandes esperanças. Quando só há bagunça e vício ao nosso redor, o horizonte é nebuloso. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tarsila do Amaral no RJ depois de 43 anos

O CCBB apresenta, desde o dia 14 de fevereiro até o dia 29 de abril, uma mostra individual de Tarsila do Amaral. A famosa artista por 'O Abaporu', 'Antropofagia', dentre outros, não tinha uma individual sua na cidade há 43 anos. O CCBB-RJ quebra esse jejum carioca absurdo de quem foi uma das artistas modernas mais influentes na arte moderna e contemporânea brasileira e nos traz uma mostra que, apesar de não grande como outras importantes e belas exposições do CCBB, vale a pena ser conferida com muita atenção e admiração.
'Tarsila do Amaral — Percurso Afetivo', exposição que reúne cerca de 85 obras, incluindo diário de viagem, pinceis, espátulas e outros objetos do genêro. Facilmente perceptível, ' O Abaporu' não se encontra exposta. O curador Antônio Carlos Abdalla declarou que o colecionador Eduardo Constantini, dono da tela que é o carro-chefe de seu museu, o Malba (Buenos Aires), não se mostrou muito disposto a um novo empréstimo da tela, que veio ao Brasil em 2008 para uma retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo e em 2011 para uma em Brasília. Se por um lado é um absurdo uma obra genuinamente brasileira encontrar dificuldades de vir ao país a quem devia, por direito, pertencer, por outro lado isso pode gerar a vantagem de fazer uma mostra que dê destaque aos outros lados e obras de Tarsila.
— Se tivesse sido muito fácil, teria vindo. Nunca fui muito a favor de trazer 'Abaporu', porque a gente corre o risco de fazer a exposição do 'Abaporu', e não da Tarsila do Amaral. Estava consciente disso — afirma o curador. — Também não temos o original de 'A Negra' (1923), porque o MAC (Museu de Arte Contemporânea) de São Paulo está em reinauguração e não podia emprestar. A solução foi trazer "Antropofagia" (1929).
Tarsila nasceu no interior do estado de São Paulo em 1° de setembro de 1886 e foi em Barcelona, onde teve a oportunidade de estudar, que pintou seu primeiro quadro: 'Sagrado Coração de Jesus', em 1904. Casou-se, teve uma filha e só quando se separou começou a estudar arte. Desenvolveu-se a partir de esculturas, desenhos e, por fim, pinturas. Foi estudar em Paris por volta de 1920. Tarsila do Amaral não participou da tão famosa Semana de Arte Moderna de 1922, crucial para o que viria a ser desenvolvido artisticamente no país. Soube dela através de Ana Malfatti, de quem havia se tornado amiga alguns anos antes.
Tarsila retornou e foi introduzida pela amiga ao grupo dos 'modernistas'. Namorou Oswald de Andrade e com ele formou o grupo dos cinco, em conjunto com Anita, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Grupo de artistas este que agitou São Paulo culturalmente. Retornou a Paris, Oswald foi até ela. Anita estudou com o cubista Fernand Léger e foi nessa época que pintou 'A Negra'.
Tarsila é também famosa por seu belo rosto que a muitos encantou. Além de bela e de uma grande artista, era também corajosa e ousada. Tarsila disse: "Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Mas depois vinguei-me da opressão, passando-as para as minhas telas: o azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante." De fato, tais corem vieram a se tornar comumente presentes em suas obras, tornando-se uma característica sua. Outra característica de suas obras são as temáticas brasileiras, como as nossas paisagens e nosso folclore. A mistura de significados e representações em suas obras também é muito interessante. A obra 'Carnaval em Madureira', por exemplo, retrata o carnaval de 1924, no qual Tarsila passou no Rio de Janeiro logo após de voltar de Paris. Por isso, na obra, um misto de Torre Eiffel com representações de pessoas não europeias, tipicamente brasileiras; enfim, cariocas.
Tarsila conseguiu obter a anulação de seu primeiro casamento e então se casou com Oswald de Andrade. Teve como padrinhos nomes importantes: Washington Luís, o Presidente do Brasil na época e Júlio Prestes, o Governador de São Paulo na época. Sua primeira exposição individual em Paris foi em 1926 e foi bem recebida pela crítica.
Foi em 1928, querendo dar de presente de aniversário a Oswald, que Tarsila pintou 'O Abaporu'. Oswald, impressionado, mostrou o quadro a outras pessoas, que acharam que parecia uma figura indígena. Tarsila então o denominou de 'O Abaporu', que significa 'o homem que come carne humana', o antropófago. Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico, que tinha como objetivo comer, engolir e deglutir a cultura europeia e adaptá-la, transformá-la em algo de fato brasileiro.

















Contou Tarsila que Abaporu tinha a ver com os monstros que comiam gente sobre os quais as negras contavam para ela quando criança. Foi em 1929 sua primeira individual no Brasil, recebendo uma crítica dividida entre os surpresos e admirados e os que não entenderam sua arte, como ocorreu com todos os modernistas.
Em 1929 com a crise econômica nos EUA e a do café no Brasil Tarsila teve de passar a trabalhar. Separou-se de Oswald. Em 1931 estava com novo namorado, o médico comunista Osório Cesar. A artista foi presa por participar de reuniões do Partido Comunista Brasileiro, fato que a fez não mais se envolver com política. Em meados dos anos 30 seu namorado já era o escritor Luís Martins, cerca de vinte anos mais novo que ela. Em 1949, sua única neta morreu afogada em Petrópolis.
Tarsila faleceu em 17 de janeiro de 1973. Antes participou da I Bienal de São Paulo em 1951, teve sala especial na VII Bienal de São Paulo, e participou também da Bienal de Veneza em 1964. Em 1969, a especialista em história da arte e curadora Aracy Amaral realizou a Exposição 'Tarsila 50 anos de pintura'. Sua filha faleceu antes dela, em 1966. Restou sua sobrinha-neta, carinhosamente chamada de Tarsilinha para se diferenciar de sua tia, por cuja obra é hoje responsável e por quem era muito querida.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Esta noite eu sonhei...


I - A Expectativa

Como se eu fosse o mais tentador mel,
Experimenta-me.
Como se eu fosse o mais suave dos vinhos,
Degusta-me.
Como se eu fosse a mais suculenta fruta,
Delicie-se.
Como se eu fosse o perfume da mais bela flor,
Aprecia-me.
Almoça-me. Janta-me.
Coma-me sem deixar migalhas.
Peça tudo a que tem direito e arrisque aquilo a que não tem.
Devora-me.
Sem arrancar pedaços, mas arrancando todo o furacão que só uma mulher pode ser.

II - O Furacão

Roupas pelo chão,
roupas íntimas molhadas pela água do tesão.

Gemidos.
Gemidos não fingidos.

Na mesa. No chão. Na cama.
Furacão na hora H, durante o resto do dia, uma dama.

Suor escorrendo pelo corpo quente.
Pele efervescente.

O gozo final.
Animal.

III - O final

Um pé esquenta o outro,
e abraçados um dá ao outro o carinho de que ambos tanto precisam.
Adormecemos em um sono profundo.
Sono marcado pela satisfação e pelo amor.

E quando os olhos se abrirem
Recomeçaremos outra vez.
Com ternura e paixão, de novo e de novo, mais outra vez... e mais uma... e mais tantas outras!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Por qual motivo?

Maldita hora que inventaram o poder do questionamento! Visite o blog do Dogcão e Sua Turma clicando aqui.