quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Janela poética


"Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada. (...)"
(Mário Quintana)


A poesia de tão inspiradora e bela
Passando emoções, expressando sentimentos
Desabafa a alma; a alma desabafa através dela.
Amortece a dor; enriquece momentos.

Para alguns ela entra pela porta da frente
Sem precisar avisar, sem bater antes.
Há vezes em que não há remédio mais eficiente.
A poesia enaltece e alivia com seus versos apaixonantes.

Para outros ela entra pela janela.
Às vezes meio sem jeito, meio despercebida.
Uns cegos pensam ser ela bagatela.
Mas quando a enxergam tornam-a querida.

A poesia entra pela janela de sua casa
Toda vez que você a abre e deixa o sol entrar
A cada vez que você rega seu jardim, uma planta envasa
Ou deixa o perfume de um insenso se espalhar pelo lugar.

A poesia entra pela janela de seu coração
Toda vez que você expressa seu amor.
Toda vez que você ri ou chora de emoção.
Ou que urra sem vergonha de mostrar sua dor.

A poesia entra pela janela de sua alma
Toda vez que você ganha experiência e maturidade.
Que age serenamente em situações que exigem calma.
E que não desiste da luta diária pela felicidade.

A poesia entra cortante pela janela da dor e do pranto.
Também entra irradiante pela janela da amizade e do sorriso.
E, no momento em que se é rendido pelo seu encanto,
Ela entra pela porta da frente de modo preciso!

E nesse momento mesmo que não se tenha o dom das palavras
Mesmo que não se escreva, passa a ser de fácil percepção:
A poesia está até na matemática de Pitágoras.
A poesia está presente até na solidão.

Está no suor de quem trabalha, nas brincadeiras de criança.
No joelho ralado de quem cai, no beijo molhado de quem namora.
No céu estrelado ou nublado, na fé e na esperança.
No sexo gostoso que se faz na cama, nas rugas de uma senhora.

Fazer poesia não é só fazer poemas
É também perceber tudo isso e fazer disso algo de valor pra si
Escrever é bom, sobre x, y, z. Sobre todos os temas.
Mas mais que isso, a poesia é não deixar a fé em viver se esvair.

Seja você engenheiro, médico, professor, faxineiro, cozinheiro
Coloque a poesia em seus pratos, suas aulas, seus projetos
Da janela da alma pra janela da vida: a forma, o gosto, a cor, o cheiro
que só a poesia tem com todos os seus afetos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Uma maneira diferente de utilizar e de enxergar o chão onde se pisa

Joe Hill é um dos pintores em 3D mais famosos do mundo atualmente. Aos 37 anos, o britânico tem colecionado elogios e admiradores pelo mundo todo. Não é pra menos. Basta olhar para as suas pinturas, elas explicam.
Joe já expôs em lugares como Nova York, em plena Times Square; Xangai, Londres, Nova Dhéli, São Paulo, Milão e Estocolmo, dentre outras cidades. No final de 2011 a sua reprodução de um desfiladeiro nevado em um distrito de sua Londres natal foi registrada pelo Guinness Book como a maior pintura em 3D já feita.
Disse o artista em entrevista ao jornal "O Globo" publicada em 23 de novembro do último ano: "Há duas características na pintura em 3D que eu simplesmente venero, já não vivo mais sem elas. A primeira é o fato de ela só ser compreensível de um determinado ângulo. Para mim, não há nada mais gratificante do que ver a cara de interrogação das pessoas enquanto andam em torno do desenho e, depois, admirar o sorriso de surpresa quando finalmente encontram o ponto de percepção. A segunda coisa que me encanta é que o resultado do meu trabalho é sempre inclusivo e capaz de mobilizar crianças de 6 anos a idosos de 96 anos da mesma forma."
Desse modo, é no chão que o artista cria a maioria de suas obras. Criando assim, também, uma releitura do lugar onde pisamos. Nem sempre sendo possível pintar de fato o chão e nem sempre sendo de interesse que as obras sejam apenas temporárias, muitas vezes ele pinta sobre enormes lonas. Vale a pena conferir:



domingo, 22 de janeiro de 2012

Desligue a TV


Caros amigos do "A Notícia no Divã", estou de volta. Estou de volta sem nunca ter saído e, após longo e não tão tenebroso inverno, vos escrevo. E, desafiando todos os obstáculos de um pobre assalariado, espero voltar a tornar essa prática um hábito. 

Agora, vamos ao ponto.

Quando coloquei na minha cabeça que deveria escrever sobre algo, logo surgiu a dúvida: sobre o quê? Pensei na crise do Flamengo, mas preferi adiar esse tema para falar sobre televisão, no mote da repercussão acerca do suposto estupro na alcova do trash show "BBB".

Acompanhei alguns comentários à respeito do caso que, para a minha surpresa, escandalizou o país. Por que "para a minha surpresa"? Pelo simples fato de que a proposta do programa é essa mesma: o escândalo (e os participantes sabem disso e não veem problema algum em se submeter a esse espetáculo de horrores). Não é à toa a quantidade de festas promovidas pela direção, regadas a todo tipo de bebida alcoólica. Ninguém bebe guaraná. Tudo isso com o propósito de estimular a confusão, elemento que, para muitos diretores de TV, é o que dá audiência. E, lamentavelmente, eles não estão tão errados assim. O ocorrido permaneceu durante toda a semana nos noticiários e na boca do povo.

Ora, o caro leitor deve estar pensando: “mas você também está repercutindo, cara pálida”. Entretanto, só usei esse exemplo para tentar fazer algo que pouco vi nos veículos de imprensa: ir além da frivolidade. (Até porque temos inúmeros casos de pedofilia que nem são apurados com seriedade pelas autoridades, a não ser quando ocupam as páginas dos jornais).

Por meio de todos esses desdobramentos, passei a me perguntar: o que é a televisão brasileira atualmente e qual é o seu papel na sociedade?

Para abrir um canal de TV aberta, é necessária a concessão do Estado. Em tese, a emissora precisa comprovar que tem recursos e estrutura para ser autorizada a prestar o serviço. Exatamente, prestar o serviço. De tanto desvirtuarem o seu papel, muitos já se esqueceram que todo aquele lixo que chega às casas de milhões de brasileiros vem de empresas que se comprometeram, no acordo de concessão, a oferecer-nos programações próprias e de qualidade. A televisão aberta deveria ser parceira na conscientização e educação do brasileiro. Infelizmente, isso tudo, na prática, vira balela. Como outras tantas questões que não discutimos e que não vão adiante. O jogo, nesse mundo de fantasia, é restrito a alguns caciques que se perpetuam, fazendo pouco caso da nossa inteligência, a partir de costuras políticas e das benesses decorrentes dessa podridão.  

Não é preciso muito esforço para se ter noção desse quadro. Basta pegar o controle remoto e zapear pelos canais. Atravessamos uma grave crise de criatividade. E, para completar, boa parte das grades são abarrotadas de horários alugados por igrejas e por outros produtos (que não são religiosos, mas prometem fazer milagres). Não inventamos mais, tampouco copiamos direito – para o espanto do saudoso Chacrinha. Nossas emissoras fundamentam-se, há anos, num modelo extremamente chato e comprovadamente falido. Para tentarem fugir da mesmice, compram uma série de programas estrangeiros para prender o público no sofá com as suas versões tupiniquins. Uma alternativa para a preguiça mental dos nossos diretores que está sendo arrastada até as últimas conseqüências.

Lamentavelmente, o excremento televisivo só sobrevive porque existe um grande público que o alimenta. Sem ovos não há omelete, assim como a pouca audiência não sustenta a atração. O anunciante quer ser visto em larga escala. Enquanto sintonizarmos nossos aparelhos para acompanharmos a “dramática” rotina dos heróis do Bial e as entediantes aventuras de um domingão longe de ser legal, a tendência é piorar. Não podemos nos acomodar a esse desserviço. Vou dar uma dica: desligue a televisão e busque outras formas de se divertir. Vá ao teatro, pratique algum esporte ou, até mesmo, siga àquela máxima de plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho. Lógico que, o último, com responsabilidade.

Pois creio que o mal do brasileiro é o de contentar-se com pouco, achando que aquele, que tem a obrigação de servi-lo, o faz por mero favor. Contudo, esquivando-me dessa emissão de poluentes pseudo-artísticos, não posso deixar de parafrasear Charles Wikipédia, do outrora engraçado Pânico na TV, indagando sua famosa afirmação:

Será que é disto que o Brasil gosta?             

sábado, 21 de janeiro de 2012

Direto ao Ponto

Chega de tantas metáforas e eufemismos
Vamos direto ao ponto. Se eu te quero e você me quer
Por que ainda não nos despimos?
Na nudez não há máscara que disfarce quem se é.

Chega de tantas palavras e de tanta enrolação
A poesia é linda, mas o ato é mais gostoso.
Portanto andemos logo, aprecie-me sem moderação.
Morda-me, coma-me, devore-me num ato luxurioso.

Quero mordidas, lambidas, chupões e puxadas de cabelo.
Quero arrepios, provocações, arranhões e uns tapas.
Linguagem corporal. Um corpo, mil sinais. Aprenda a lê-lo.
E navegue sem medo, sem bússola, sem mapas.

E este poema pequeno assim ficará
porque estou muito ocupada "indo direto ao ponto".
Meus momentos de pecado, como são, depois você saberá.
Qualquer dia desses eu conto.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Elis Regina: 30 anos de sua morte e uma eterna admiração de todos


Há muito o que falar sobre a considerada uma das maiores intérpretes do nosso país, se não a maior. É até difícil selecionar; dá pena escrever sobre ela sem fazer uma biografia completa, pois tudo em sua vida pessoal e em sua carreira foi intenso.
A descobridora de novos compositores e aquela que abriu a porta para alguns deles, hoje nomes consagrados como Ivan Lins e João Bosco. A cantora de apelido "pimentinha" devido a seu temperamento explosivo, apelido este dado por Vinicius de Moraes. A mãe de Maria Rita, de Pedro Mariano e de João Marcello. A gaúcha baixinha cuja voz encantou (e continua encantando) a todos, até mesmo aqueles que com ela tinha atritos. Enfim, Elis Regina Carvalho Costa, nascida em Porto Alegre no dia 17 de março de 1945 e falecida em São Paulo no dia 19 de janeiro de 1982 aos 37 anos.
Cantou músicas de Edu Lobo, que foi seu namorado e que a apresentou a Gilberto Gil, que veio a ser um de seus compositores favoritos; cantou também Milton Nascimento, Chico Buarque, Tom Jobim, Aldir Blanc, César Costa Filho, Belchior, Tim Maia, Renato Teixeira, Guilherme Arantes, Tunai, além de Ivan Lins e João Bosco. Era ativista, tinha como característica a agitação pública. Como disse Ivan Lins em entrevista ao Globo no último dia 15: "Temos hoje maravilhosas cantoras novas, lindas vozes, muito afinadas, mas atitude mesmo, como a Elis tinha, é difícil de ver."

Gilberto Gil define seu amor por ela como 'ideal, platônico e, sobretudo, incondicional'. Antonio Carlos Jobim é o compositor mais gravado por Elis, seguido de João Bosco e de Edu Lobo. Tom Jobim demorou para reconhecê-la, mas reconheceu. Gravaram um disco nos Estados Unidos, ambos cantando e Tom também tocando, dividindo os arranjos com César Camargo Mariano, marido de Elis, coisa que Tom fez com resistência.
Na vida pessoal, sua morte foi precoce. Maria Rita tinha apenas 4 anos quando Elis faleceu, e Pedro Mariano tinha 6. Ambos seguiram a vida artística, mostrando que o talento também corre no DNA. Como Elis ninguém mais é, nem os filhos, mas é bonito ver que apesar da pouca convivência que tiveram com a mãe ela lhes deixou algo que vale demais: a capacidade artística. João Marcello diz: "Do ponto de vista artístico, foi bom, ela morreu no auge. Mas o sofrimento pessoal foi enorme. Como filho, ou você morre no dia seguinte ou resolve seguir em frente. A única coisa pior seria um filho morrer antes." João Marcello, por sinal, chegou a ser desenganado quando pequenino porque rejeitava leite de vaca. Diz ele: "Ela passou a noite cantando para mim. De manhã, eu estava bom. Sua voz salvou minha vida."
Pedro Mariano diz: "Há o lado da frustração, que é não ter podido conviver com ela. É não saber identificar o que é lembrança minha e o que me foi contado." Diferentemente de Maria Rita, Pedro já gravou vários números do repertório de Elis. Mas Maria Rita já declarou a alguns meses que começará em março sua turnê de shows cantando músicas interpretadas por Elis, pois sim, finalmente ela se sente preparada para cantar Elis. Depois de tantas comparações entre ela e a mãe, Maria Rita já consagrou o seu nome e esses shows serão muito bem-vindos.
Devido a hoje, os 30 anos de sua morte, diversos projetos envolvendo Elis estão para ser lançados: caixas de CDs, íntegras de shows, uma nova biografia, outra reeditada e uma exposição que promete.
O projeto "Viva Elis" rodará o país a partir de abril com doações de todo o país que contém de tudo um pouco: áudios, vídeos, revistas, jornais, fotos e documentário. Começa em abril em São Paulo (Centro Cultural de São Paulo), segue para Porto Alegre, vem para o Rio (previsão para agosto no Centro Cultural Banco do Brasil), Belo Horizonte e Recife, ainda podendo se estender por outras cidades em 2013.
Impossível definir a voz da Elis com precisão. Ela não é feita só de afinação e talento (não que isso seja pouco, não é), mas é também de paixão. É tão cheia de paixão que se torna assim, do jeito que é, ou seja, simplesmente apaixonante. A paixão que ela coloca em sua voz é a paixão que se sente ao ouví-la. Um delírio delicioso, um orgasmo musical, uma admiração eterna. 30 anos de sua morte, uma eterna admiração!

Este artigo é um pequeno resumo da linda matéria que o jornal "O Globo" fez sobre Elis Regina no último domingo, dia 15 de janeiro. Para se ver a grandeza de Elis, o "Segundo Caderno" foi quase que inteiro dedicado a ela. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Arquiteturas de papel inspiradas em Escher

A artista plástica Ingrid Siliaku estudou o trabalho do arquiteto e professor japonês Masahiro Chatani criador da arte das arquiteturas de papel e encontrou nessa forma de arte um meio de se expressar. Costuma-se encontrar pequenos exemplos de arquiteturas de papel em livros infantis, formando imagens que saltam para fora do livro quando suas páginas são abertas. Ingrid prova como essa interessante forma de utilização do papel não é só para crianças, mas sim para todos, de todas as idades, pois é arte. Inspirada no artista gráfico M. C. Escher, holandês assim como ela, Ingrid cria obras baseadas em ilusões de ótica.
Utilizando-se de contrastes entre o preto e o branco, o claro e o escuro e de elementos arquitetônicos, suas obram se aproximam muito de Escher, uma vez que esses elementos também foram muito utilizados por ele. Mas as obras de Ingrid são volumétricas, quase sempre inspiradas em grandes cidades e em elementos presentes nelas. Muitas vezes simétricas, suas obram parecem literalmente retiradas de diversas obras de Escher, como se fosse possível encostar na obra dele e materializar o que nela está representado.

É possível se lembrar da época de criança, se por acaso o leitor já tiver brincado quando pequeno de dobrar uma folha de papel em diversas partes e ir recortando com a tesoura, depois desdobrar a folha inteira e ver como ficou. É por esse caminho que foram feitas essas esculturas de fazer babar qualquer adulto. São verdadeiras obras artísticas tridimensionais. Admire-as, pois elas merecem!






segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cansaço


"Estou saindo de férias, volto assim que me encontrar." (Martha Medeiros)

Estou cansada de comer. Cansada de ir ao banheiro. E também de andar, de levantar a cada manhã. Você sabe o que é estar cansado de abrir os olhos, meu amor? diga-me, você sabe como é se sentir assim?

Sentir-se tão sem ânimo, tão sem motivos pra continuar vivendo que nem beijar tem mais o mesmo gosto doce, que nem o sexo causa o mesmo prazer, que nem um abraço tem mais o mesmo poder de reconforto. Você consegue imaginar essa dor? Essa dor tão profunda que pode vir a ter a capacidade de deixar de ser dor e passar a ser simplesmente ausência de sentimentos, sejam eles bons ou ruins.

E as pessoas ao meu redor com sua epiderme não mais sendo pele e sim sendo apenas um casco duro de insensibilidade nem ao menos percebem. Olham-me e não me vêem. Há vezes em que é ainda pior e acham que eu sou apenas uma garota mimada, ingrata e dramática. Ou será que eu sou mesmo isso? uma falsa ideia, uma pseudo-garota triste, apenas um projeto de melancolia. Será que eu não passo de um engano? ou de um desangano?!

O que fazer? qualquer depressivo nesses momentos pensa em cortar os pulsos ou se encher de remédios quaisquer pra ver se prestam atenção e percebem que o buraco é mais embaixo, que não é drama de criança e sim algo mais sério. Mas eu tenho tanta consciência de que esse não é um bom caminho, a razão me fala tão alto nesse momento que eu não consigo. Eu não tenho coragem de correr o risco de não abrir mais os olhos, por mais que eu esteja cansada de fazê-lo. Eu preciso abrir os olhos pra ver que você ainda está aqui, ao pé da cama. Ao pé da nossa cama. Você está segurando minhas mãos, meu amor? não as solte, eu lhe peço, não desista de mim. Não me deixe desistir de mim mesma.

Esperança. A única pequena chama que me mantém viva. Esperança de que isso passe, de que as coisas voltem a ter cor como antes, de que a sua língua molhada volte a me levar ao céu, que eu volte, enfim, a ter ânimo.

Solidão. Aquilo que eu sinto mesmo quando cercada de pessoas queridas. Eu me sinto só porque só eu me sinto dessa maneira, só eu mesma compreendo o que eu sinto, o que eu não sinto.

Fé. Às vezes eu me olho no espelho e penso que a perdi. Quando me olho e vejo em mim apenas um fracasso vejo o quanto é difícil ainda ter fé em mim mesma. A cada dia tenho menos. Menos fé nos outros. Menos fé no amor, sentimento sobre cuja existência começo a duvidar. Menos fé na tão clichê frase, mas na qual sempre acreditei, de que 'o tempo cura tudo'. Mas é nesse momento que a esperança ainda me salva. Tenho esperança de que ainda haja um pouquinho de fé guardada em algum lugar dentro do meu peito, mesmo que bem escondida. E por mais que às vezes eu negue, eu sei que amanhã será um novo dia e irei acordar melhor. Se não amanhã, então depois de amanhã, mas vai acontecer.

Afinal, de que adianta ser tão elogiada quando exponho livremente meus sentimentos através da escrita se eu não conseguir mais colocar toda essa intensidade em minhas atitudes? Você sente falta, meu amor, não sente? daqueles beijos quentes de queimar a língua, dos carinhos intermináveis. Você quer de volta, não quer? eu também. Quero de volta a intensidade que eu colocava em cada abraço, em cada beijo, em cada olhar. Você sabe, meu amor, você sabe como eu era. Você me conheceu como mais ninguém. Cada curva de meu corpo, cada fio de meus cabelos, cada dente de minha boca. Só você conheceu minhas cavalgadas, só você me viu de todos os ângulos. Só a sua boca, e mais nenhuma, percorreu cada traço dessa carne que um dia vai virar pó.

Sinto-me nua sem a alegria que me acompanhava. Crua. Em carne viva. Eu não estava preparada. Eu não apertei os cintos antes dessa freada brusca. Sinto-me perdida no tempo. No mundo. Perdida em mim mesma. Meu amor, você vai me ajudar a reencontrar o caminho do qual me desviei? Eu sei. Eu sei que eu não posso depositar essa responsabilidade em outra pessoa. Ela é minha, apenas minha. Eu estou tentando, meu amor. Por você. Por nós. Por mim mesma.

Mas se eu falhar novamente, se eu fracassar, se eu não suportar mais essa angústia, por favor, não se esqueça, eu terei tentado até onde minhas forças terão aguentado. Mas agora estou cansada, cansada de escrever, tão cansada que vou apenas me recostar e fechar os olhos... e já estou mais cansada ainda só de pensar que amanhã os abrirei novamente. Fechar os olhos e descansar, é o que me resta por hoje. Apenas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Religiosidade feminina


Uma vez fiz um trabalho na faculdade sobre a religiosidade feminina no mediterrâneo. Os judeus,os romanos e os gregos julgavam a mulher como uma eterna criança. Na verdade isso se dava apenas para justificar o total controle que os homens queriam ter sobre as mulheres para que os filhos que delas viessem fossem legítimos de seus maridos.
Um tipo de controle sobre a mulher mediterrânea era proibí-la de participar dos cultos religiosos como sacerdotisa, e no caso dos judeus, elas nem podiam entrar no templo.

Excluidas da esfera religiosa oficial, as mulheres criaram a própria religiosidade. Esse ato era mal visto pelos homens, que chamavam essa religiosidade de crendice feminina ou mesmo bruxaria. No entanto, elas como mães e esposas utilizaram seu poder espiritual para proteger seus "homens" e lhes davam amuletos e bençãos entre outras coisas, ao qual estes diziam usar só para satisfazer um capricho. Na verdade sentiam medo desse poder paralelo exercido pelas mulheres.

Na cultura africana, as mulheres também representavam um poder paralelo, que era respeitado pelos homens e também temido, só que elas também não podiam entrar em contato com os mortos dentro da religião, o contato com espiritos de guerreiros era mais dado ao homem. O engraçado é que apesar de ser considerado mais aberto a esse contato espiritual, era reconhecido na mulher o poder sobre a vida e a morte. Por ser ela quem dá a luz, em algumas tribos, só elas podem chorar os mortos e cuidar de doentes.

De alguma forma acredito que as mulheres na África tiveram uma situação social melhorada. Elas podiam vender escravos (na África as tribos inimigas escravizavam umas as outras) entre ouras funções. A mulher era considerada uma riqueza, pois quanto mais filhos produzisse mais rica era a família (tendencia que acaba se esvaindo quando a sociedade se ocidentaliza e urbaniza), pois teriam mais filhos para trabalhar. Nos contratos de casamento, o pretendente tinha que dar presentes a família da noiva, para cada integrante, justamente por esse alto valor do feminino.

No tocante a escravidão, as mulheres eram menos vendidas na África porque raramente se entregava uma mulher para pagar a divida da família. O escravo virava um estrangeiro, perdia total ligação com a tribo e com sua família, e não era jogo quebrar o vinculo já que em época de casamento os presentes pela esposa eram inúmeros.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Vampiros que sugam água.

O Ultimo sonho que lembro dessa noite foi sobre vampiros.
Eu era rapitada por um maluco e sua namorada (que era extremamente cega para os defeitos dele).
Ele me mandava dormir numa cama de casal onde tinha um lençol listrado de verde e preto.
Por acaso acho que a namorada estranha tinha simpatizado comigo. Então quando acordei um pouco antes da meia noite, vi os dois pelados na sala ela me deu um conselho. Disse que não era para eu voltar para a tal da cama por causa dos vampiros sugadores de água que dormiam embaixo da cama. Eu tinha tido muita sorte de acordar antes do horário que eles atacavam. O engraçado é que eles pareciam fantasmas, e eu via outras pessoas serem sugadas até parecerem uvas passas, tipo naquele filme da múmia com a RACHEL WEIZ.
Pensando bem vocês lembram daquele jogo do come come? Um dos primeiros joguinhos de computador que eu joguei. Os fantasmas pareciam com o bichinho que persegue o come-come. Teve uma parte também que mostrava as pessoas ante de virarem os vampiro aquíferos. Eles pareciam adolescentes rebeldes sem causa.
Postado por Aleska às 07:31

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sobre Chico Buarque.



"Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã." Cotidiano,Chico Buarque




Chico é um dos meus compositores favoritos. Ele ficou famoso por suas querelas com a Ditadura de 60, mas Antes de ser O Político, Chico era apreciador das mulheres e tentava desvendá-las em suas músicas, como no trecho abaixo de Olhos nos olhos:

"E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você."

Foram muitas outras músicas explorando a pisique feminina. Pedaço de Mim, que explorou a maternidade, Com açúcar e com afeto e Valsinha são umas das minhas preferidas. Fizeram uma coletânia dele com 12 cds, vi algumas partes da entrevista e ele comentava que o universo feminino era muito interessante para ele, por causa de alguns aspectos de sua infância acho. Pra mim, não importa o porquê. Eu o acho genial demais, mesmo quando fez uma piadinha machista em Quadrilha ("a mesa posta de peixe tem o cheirinho da sua filha").

Ele também teve sua faceta de malandro. Aliás, não tem como desvincular o samba da ideia de malandragem, e isso não é ruim, é a cultura dos morros que Chico se apropria e faz entrar na alta sociedade. Em seu tempo, Chico tentou a aproximação da nata da intelectualidade com a cultura popular. Partido Alto é um grande exemplo desse projeto veja:

"Deus me fez um cara fraco,
Desdentado e feio
Pele e osso simplesmente,
Quase sem recheio
Mas se alguém me desafia
E bota a mãe no meio
Dou pernada a três por quatro
E nem me despenteio"

Hoje em dia há quem critique esse compositor porque a maioria de seus fãs é de elite, mas não param para analisar que a realidade representada por ele em muitas de suas letras é a do cidadão comum sem dinheiro. Ele mesmo não foi rico sempre, mas teve acesso a erudição, pois seu pai era o importante historiador Sérgio Buarque de Hollanda. Por mais que este não tenha obrigado seus filhos a serem eruditos, viver numa casa cheia de livros normalmente incentiva a criança a gostar deles, a sentir curiosidade pela leitura.

Não acho que ele faça músicas inacessíveis ao público. São músicas inteligentes sim, mas é muito fácil se identificar com elas ou ver pessoas conhecidas nelas. Há muitas músicas melancólicas, é verdade, mas também tem as que são ácidas, do jeitinho que nosso povo gosta.

Por fim vou deixar para vocês um vídeo que gosto muito: