domingo, 30 de outubro de 2011

Nasceu gigante

Peço licença
Aos que fizeram história.
Pois muito acima de qualquer crença,
Eles ficaram na memória.
Declaro minha paixão,
Batendo na palma da mão.
Tudo começou com uma reunião.
Ô Limoeiro, ô limão!
Na casa da Tia Ciata,
Nascia muito mais do que remelexo de mulata.
Era a primeira roda de samba
No terreiro de bamba.
Sob a flauta de Pixinguinha,
Fazia-se o chorinho,
Seguido da marchinha,
Enquanto chorava o cavaquinho,
Nas mãos do Mano Heitor.
Era o samba com amor.
Chegavam junto o jongo, lundu, maxixe e a modinha,
Que desceram com os escravos da Bahia
Nos rituais de Candomblé.
Os malandros já vinham ao mundo com samba no pé.
E eu, humilde brasileiro,
Não batuco no pandeiro,
Não sou passista,
Tampouco ritmista!
Mas pelas veias correm sangue.
Não de artista.
Sangue de sambista!
O que faz de mim o filho do samba?
Não é minha ginga não!
Também não sou um grande folião!
Não é meu talento.
E sim meu argumento.
O samba sufoca a tristeza
Com destreza.
Fazendo do sofrimento,
Um breve momento,
Pois logo chega a alegria,
É o raiar do sol anunciando um novo dia.
Está na voz do povo,
É a chocadeira do ovo.
Peço licença!
João da Baiana, Sinhô, Cartola;
Chico Buarque, Monarco, Paulinho da Viola;
Noel Rosa, Vinicius de Moraes;
Candeia, Ary Barroso, Jorge Aragão;
Ismael Silva, Donga, Jamelão;
Beth Carvalho, Dona Ivone Lara;
Bide, Marçal, Zeca Pagodinho;
Jovelina, Caymmi, Nelson Cavaquinho;
Martinho da Vila, Heitor dos Prazeres;
Clara Nunes, Alcione, Tom Jobim;
Elza Soares, Sombrinha, Herivelto Martins;
Bezerra da Silva, João Gilberto;
Almir Guineto, Reinaldo, Arlindo Cruz;
Moacir Santos, Moreira da Silva, Moacyr Luz;
Carlos Cachaça, Dudu Nobre;
Dicró, Heitorzinho, Silas de Oliveira;
Satur, Zé Keti, João Nogueira...
Entre tantos outros que aqui não mencionei,
No coração eu os guardarei.
E, no fim desta poesia,
Faço deste samba minha alegria!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

UMA CACHAÇA CHAMADA INTERNET!


Cada dia que passa fica mais evidente que o mundo gira em torno da tecnologia da informação.

Sem dúvida, o nível de influência no conhecimento das pessoas hoje, se deve muito ao crescimento da internet. E com o acesso à rede mundial de computadores disseminado, não importa onde você esteja, tem um mundo de informações que de outra forma seria quase impossível.

Junto a isso fazemos compras, operações bancárias e até problemas de trabalho conseguimos resolver via web.

Mas o que mais me chama a atenção é o novo modelo de “conexão” interpessoal que foi sendo criado. As pessoas estão se relacionando com outras através da tela do computador, fazendo coisas que para elas seria inconcebível de outra maneira. Não é mais preciso encarar, enfrentar.

Isso é fácil de observar, principalmente, nas redes sociais, zonas livres as pessoas chegam a fazer verdadeiros diários sobre suas vidas. Contam tudo como se estivessem embriagadas. Como se fosse efeito de cachaça!

Em outros tempos, isso ficaria escrito em um pequeno caderno, agenda ou diário, escondido no fundo da gaveta mais escura, no meio das roupas que não se usam mais, sendo lido somente por quem o escrevera, tendo ou não segredos. Era sim, um espaço íntimo.

Hoje, por menos que nos expressemos nessas redes de relacionamento, expomos nossas vidas a milhares de pessoas em todas as partes do mundo.

Não basta apagar a frase, ela pode ter sido vista por alguém, em algum momento, em algum lugar do mundo.

Fico imaginando como ficaria fascinado Michel Foucault, com seu “vigiar e punir”, hehehe... Esse já vivia o Big Brother internamente.

“Viver” no mundo virtual nos faz esquecer que temos um mundo real aqui fora, e como temos a falsa impressão de total controle sobre esses mundos, acabamos agindo sem pensar, não considerando os fatores envolvidos.

E quando isso ocorre fica difícil imaginar como essa informação será usada... Perde-se então o controle!

Não acredito que voltaremos aos difíceis tempos da ditadura, quando não se podia falar nada sobre si, nem sobre nada, mas temos que preservar o bem mais valioso que temos: nós mesmos!

domingo, 16 de outubro de 2011

Sobre Olavo Bilac e a miscigenação.

Uma pequena lição de história.

Uma vez visitei um cemitério na zona sul da cidade, e me deparei com a sepultura de Olavo Bilac. Era relativamente humilde comparada com as outras sepulturas, mas ali estava um homem notável, que não podia ter ficado calado. Graças à Deus, ele não ficou.
Na época, eu pouco sabia sobre ele, tinha a ligeira impressão de ter ouvido meu professor Vinicius de literatura falar dele, mas nada concreto me vinha à mente naquela tarde no cemitério. Acontece que hoje descobri que junto com Juliano Moreira (outro homem que sempre ouvi falar e a única coisa que sabia sobre ele era que seu nome foi usado para batizar um hospital psiquiátrico) Bilac foi um dos ícones na discussão sobre raça e miscigenação no Brasil (meados do XIX e inicio do XX)que tiveram também importância na forma como passamos a conceber a imagem de nação brasileira.
O debate se iniciou com a Abolição da escravatura quando os intelectuais se empenharam em descobrir um modo dos mestiços e negros serem incluidos na sociedade. Entre esses homens que influenciaram a discussão, temos: Silvio Romero que considerava os mestiços como raça inferior mas que contraditoriamente via nele o meio de criar uma nação diferenciada; Bilac que supervalorizava os mestiços e os negros, a quem denominava de "a raça mártir" e acreditava que não devíamos nos envergonhar da presença negra africana nem em nosso passado nem no nosso futuro. Chega a afirma que nenhum brasileiro poderia ser "completamente,absolutamente,legitimamente branco sem a mescla africana no sangue" e Nina Rodrigues que apostava que nada de bom poderia vir da miscigenação.
De todos simpatizei mais com a abordagem de Bilac.A única coisa que fui contra no discurso dele foi considerar que no passado o Brasil teria conseguido que suas raças convivessem em harmonia. Primeiro porque raça é um conceito ainda discutível e segundo porque nunca foi visto na história deste país uma relação que pudesse ser considerada completamente harmônica. Um exemplo bom que frisa essa falta de aceitação foi o projeto de branqueamento da população na época do Império. Quando branquear a população tornou-se necessidade, ficou super claro que a sociedade não vivia em harmonia. Uma das medidas para lidar com os ex-escravos foi deportar para a África, o que para mim representou uma violência igual ao tráfico de escravo. Levar os negros e mestiços de volta à Africa representou a mesma quebra de vínculo com a terra e a pátria que aconteceu com seus antepassados traficados para a América. Não pensar neste aspecto nos mostra que mesmo abolindo a escravidão, ainda não se considerava os negros e seus descendentes como humanos, ao mesnos pelo grosso da sociedade. Como Rousseau mesmo dizia:
"aceitar que um filho de um humano pudesse desde logo não nascer livre era aceitar também que se pudesse não nascer humano"
Durante o debate sobre a miscigenação muitos queriam fazer valer que que o mestiço era uma raça inferior. Ouvi em algum lugar que nele se perdia as caracteristicas do bom branco e do bom negro. Segundo Carolina Viana Dantas havia quem pensasse que o mestiço era um degenerado, seria um resultado infeliz de uma mistura que certamente criaria marginalizados e criminosos. Entretanto como todo ponto possui um contraponto, Bilac e outros optaram por argumentar que o social é que faz o homem: a influência do meio em que se vive e a educação, ou a falta dela é que destina o homem a viver à margem ou ser bem sucedido.
Toda essa discussão nos mostra que a sociedade tupiniquim andava especulando sobre sua imagem e identidade. Era necessário esconder os mestiços e os negros, ou eles eram uma boa representação de nossa cultura? A dúvida acredito surgiu porque na Europa com adoção dos pensadores ao Darwinismo (em detrimento do Humanismo nascido algum tempo antes), as pessoas passaram a considerar o mestiço como raça inferior, e o Brasil por algum tempo pensou assim, foi por isso que a primeira solução cogitada para substituir a escravidão foi a vinda de trabalhadores europeus e não a utilização da mão de obra local, mas com este pequeno texto vemos que também houve quem tenha querido definir e enquadrar essa população mestiça e também transformá-la em ícone nacional. Ao meu ver tentou-se também convencer a comunidade internacional das vantagens da miscigenação, para se obter o reconhecimento externo. Bilac mesmo teria dito isso sobre a peça O dote baseada no romance de Arthur Azevedo e encenada por artistas italianos. Ele acreditava que a peça faria propaganda da cultura brasileira no exterior, mostrando que havia algum mérito na nossa convivência mista. Não era vergonha alguma admitir que aqui existiam pretos e mestiços.

Por fim uma frase de Bilac: " Queremos tirar o preto das nossas fotografias, das nossas peças de teatro, dos nossos romances, da nossa história, da nossa raça e da nossa vida... Absurda pretensão! Néscia e irritante mania! Nenhum povo altera, nem anula, nem precipita a sua história. O preto é inseparável, na constituição da nossa raça, dos outros elementos que tem contribuído e ainda hão de contribuir para formá-la."

se quiserem ler mais visitem o blog: folhetimutopia.blogspot.com (visitem please!XD)

domingo, 9 de outubro de 2011

Fluxo

Este conto foi escrito por um amigo meu muito querido, Gregório Tkotz, com cujos contos é possível "viajar" muito e cujo blog é http://sonhadordesperto.blogspot.com/.
Visitem-no!


-... mas quando o fonema suprimido é um som vocálico, o nome dado ao processo é crase, que não é sinônimo do acento grave usado para evidenciá-la. Esses processos são importantes para a língua, pois... - O professor continuou a falar e voltei ao meu estupor. A matéria já não era interessante, e o professor conseguia fazê-la ficar ainda mais desinteressante com sua “excelente” didática. E era só decorar as tabelas do livro para se dar bem na prova.
A sala estava em silêncio. Só o professor falava, com uma voz monótona e hipnotizante. Os alunos apoiavam suas cabeças em mãos, braços, carteiras. A maioria estava longe demais para ouvir qualquer coisa. O professor parecia não perceber, ou não se importar. Uma mosca entrou zumbindo pela porta.
O zumbido era insuportável. Era um barulho contínuo, e não entrava só pelos ouvidos, mas também fazia todo corpo vibrar. O calor só ajudava a piorar a sensação desagradável que eu estava sentindo. E olhando ao redor percebia que não era o único. Todos estavam incomodados em algum nível.
Mas nós seguimos pela floresta mesmo assim. Andávamos em fila indiana por uma trilha que parecia não levar a lugar algum. As mesmas árvores, plantas, e o insuportável zumbido, já havia três dias. O guia afirmava que não estávamos perdidos e, como ninguém mais conhecia aquela região, tínhamos que confiar nele.
O anoitecer na selva é diferente do a céu aberto. Nós não vemos o céu ficar escuro. Apenas a claridade, que já é difusa devido à cobertura vegetal, começa a diminuir. É hora de montar acampamento. Como sempre o guia correspondia à nossa confiança e chegamos a uma clareira bem a tempo.
Montamos rapidamente nosso acampamento, comemos enquanto dividíamos histórias e finalmente entramos nas barracas para dormir. Mesmo à noite era quente e abafado. Os mosquitos não davam trégua, mesmo com a fumaça da fogueira e o repelente. Fechar os olhos era difícil. Mas depois de algum tempo, as horas de caminhada venceram.
Meus olhos foram abrindo lentamente, se acostumando com a claridade. A luz era muito forte e eu estava completamente desnorteado. Eu me levantei antes de conseguir ver alguma coisa direito. Eu passei pela porta ainda com os olhos ardendo.
A primeira coisa que eu realmente vi foi uma enorme massa amorfa. Era um pouco mais baixa que eu, um pouco mais larga, transparente-esverdeada e se movia. Dentro havia algumas partes mais opacas, que se sobressaíam. A maior era quase esférica, aproximadamente do tamanho da minha cabeça, de um verde mais escuro que o resto e ficava perto do centro da coisa.
Mas assim que eu comecei a observá-la, a massa começou a se modificar. A esfera central começou a subir enquanto deixava um rastro que se espalhava pelo resto da coisa. As outras partes opacas também começaram a se organizar, se juntando, se dividindo, se alongando. A superfície começou a se tornar opaca e logo não se via o interior. O corpo começou a tomar forma, foi se afinando embaixo e se dividiu em duas partes, enquanto de cima saíram mais duas protuberâncias, que também se alongaram.
E eu olhava para o meu reflexo. Peguei o creme de barbear e passei no rosto. Depois a gilete e me pus a tentar não sangrar dessa vez. Quase consegui. Botei pasta na escova, escovei os dentes, enxagüei. Peguei a camisa, a calça e me vesti. Calcei o tênis e saí do banheiro.
Casaco, chaves, carteira, celular, e saí de casa. Fui para a garagem tentando não deixar o meu cachorro sujar de terra a minha roupa. O céu estrelado sobre minha cabeça prenunciava uma boa noite, e eu pretendia aproveitar. Até porque, não era sempre que eu tinha tempo para me divertir. Mesmo à noite.
Peguei a chave e coloquei na ignição. Arrumei o banco, o cinto e liguei o motor. Programei o piloto automático para Sirius A e me preparei para a decolagem. Desde o incidente com o buraco negro em Londres tinham ficado proibidas as viagens dimensionais a menos de meia hora-luz de qualquer planeta habitado.
Agora se perdia mais de uma hora para se chegar a outros sistemas estrelares. Mas em nome da segurança era necessário. O inibidor de inércia impedia que tudo se desintegrasse, mas mesmo assim a sensação de velocidade da decolagem era mais ou menos como a aceleração de um antigo caça.
O início era sempre calmo, enquanto se acumulava energia para o resto da viagem. Eram apenas alguns minutos antes da verdadeira emoção. E eu sabia exatamente o ponto em que iria começar. Já tinha feito isso algumas vezes e a emoção ainda era a mesma.
A gritaria foi geral quando o carrinho começou a descer. Todas as bocas estavam abertas para descarregar a dose extra de adrenalina. Alguns braços se levantaram, os meus inclusive, como que para saldar o vento que vinha de encontro dos rostos dos loucos por emoções fortes, pois se não o fossem, não estariam ali.
Apesar dos gritos, ninguém ouvia ninguém. O vento era ensurdecedor. Aumentava e diminuía conforme a velocidade do carrinho. Mas não chegava a ficar baixo. Só depois de algum tempo que ele diminuiu. A volta tinha acabado. As pessoas começaram a deixar os seus lugares. Todos falavam e suas vozes se juntavam formando um zumbido.
Eu guardei meu caderno, peguei a mochila, e fui procurar atrás do resto do pessoal para almoçar.

Textos como esses são muito bacanas pois deixam vagas certas passagens, de modo a permitir que o leitor ative sua imaginação. De uma aula fomos para uma floresta, de lá para um mistério indefinível, para a casa do personagem e em seguida para uma viagem intergalática, ou seria uma montanha-russa? Imagine!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A morte anunciada do humor


Por Rodrigo Shampoo

O que está acontecendo com a sociedade na qual eu estou inserido? Começo com esta pergunta para falar de um assunto que está em voga, após os seguidos episódios protagonizados por Rafinha Bastos, do programa CQC (muito bom, por sinal!). Isso mesmo, vou falar de humor. Mas sem ser engraçado!

A sociedade já vivenciou severas ditaduras com censuras aos jornais, à liberdade de ir e vir e à moral. Agora estão querendo censurar o humor. Era só o que faltava! Estou cansado do “politicamente correto”, e de tanto “pode e não pode”. O humor deve ser ilimitado e, quem não gosta de tal piada, não assista, não leia, não veja e não procure para não se sentir ofendido. E se, por um acaso, a piada chegar até você contra a sua vontade, o que é bem viável... FODA-SE! Se nem Jesus conseguiu agradar a todos, não será uma piada que conseguirá. Proibir piada sobre determinado tema é censura. E, do jeito que tá, daqui a pouco só será feita anedota sobre as paredes e as samambaias – e não me refiro às mulheres frutas, mulheres vegetais, mulheres legumes e por aí vai...

Rafinha Bastos foi eleito, pelo jornal The New York Times, a personalidade mais influente do Twitter.

Humor negro, besteirol, irônico, palhaço, pastelão, bobo, ácido, pungente, burlesco, jocoso, mordaz, sagaz, inteligente, espirituoso, engraçado, sarcástico... vale tudo para fazer uma piada. Doa a quem doer, incomode a quem incomodar.

Lembro-me que passei a infância assistindo “Os Trapalhões”, mas não confunda com “A Turma do Didi”. Eu assisti o Mussum encher a cara de cachaça, sem que isso me tornasse um alcoólatra. Vi o Didi fazer piadas sobre homossexuais, sem incomodar a quem de direito. Vi o Zacarias ser zoado por ser feio, por usar peruca e por ser baixinho, e não era considerado bullying. Vi piadas com negros, nas quais o Mussum participava, e não era racismo. Era humor livre e engraçado!


Quando uma pessoa é proibida de se expressar, sendo impedida de expor suas ideias, está configurado um retrocesso inaceitável ao totalitarismo. Não é com mordaça que se exercita a democracia – esta que funciona na teoria, mas, na prática, apresenta muita incoerência, mas não entrarei nestes detalhes.

Que o humor sirva para ridicularizar políticos que colocam o nariz de palhaço na sociedade, enquanto são aplaudidos a cada eleição. Que o humor sirva para fazer rir aos interessados na chalaça. Mergulhamos num mundo fétido onde a mesma pessoa que achou a piada do Rafinha Bastos um absurdo, ficou surpreso por eu ser sambista, frequentador de rodas de partido alto sendo loiro, branco e de olhos claros. Onde a mesma pessoa que defende o homossexualismo, olha para um terreiro de Umbanda e diz: “Caralho, uma porrada de macumbeiro junto evocando o Diabo!”. Muito prazer, essa é a hipocrisia, escondida na sua face frente ao espelho!

Vivemos numa sociedade líquida, como definiu o sociólogo Zygmunt Bauman. Isso significa que, assim como um rio em contínuo movimento, que altera o curso frequentemente e ultrapassa obstáculos, a sociedade está sempre em constante mudança. Mas este rio social está podre feito esgoto. A liberdade deve existir para ambos os lados, a proibição é que não deve estar presente. Soa como intolerância, e eu não gosto de intolerância. Será que ter intolerância à intolerância faz de mim mais uma peça na engrenagem social enferrujada? Bem vindo ao nosso mundo afogado em hipocrisia.

Estando no inferno, abraça o Diabo!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Richard Hamilton: O Pai da Pop Art


Hamilton nasceu em 24 de fevereiro de 1922 em Londres, começou a estudar arte aos 12 anos, mas logo aos 14 largou os estudos formais. Passou a trabalhar como aprendiz em uma empresa de engenharia. No ano seguinte seguiu para um estúdio de design, o que o levou a estudar na Royal Academy Schools.
Considerado o pai biológico da pop art, Hamiltou faleceu no último dia 13 aos 89 anos e deixou como herença sua grandiosa obra, a qual perpassou por inúmeros estilos. Ele foi da pintura à escultura, passando pela gravura, pela tipografia e também pela colagem. Nunca foi uma celebridade como outros nomes da pop art, mas os influenciou fortemente e causou impacto na arte moderna. Geralmente associado à reflexão sobre temas, e às vezes também muito político em suas obras, era sempre insubmisso socialmente, insubordinado, considerado socialmente subversivo. Sua principal obra marcada por tal subversão social foi a colagem intitulada "O que exatamente torna os lares de hoje tão diferentes e tão atraentes?". Feita quase que só de recortes de revistas, a obra polemizava e buscava levar à uma reflexão sobre a sociedade de consumo, mais especificamente a americana. Esta obra veio a ser considerada o primeiro trabalho puramente da pop art. As técnicas depois se tornaram comuns, mas eram novidade quando utilizadas por Hamilton nesta obra.

Muitas vezes era satírico, como nas obras em que retratou, sem medo de provocar, Tony Blair como um quase assustador caubói pistoleiro de calças jeans ou na obra "Swinging London", de 1967, baseada em uma batida policial em busca de drogas, na qual Mick Jagger e um comerciante de arte foram presos. Criou até a arte do "White Album" dos Beatles.
O próprio termo “pop art” é atribuído a Hamilton, quando este escreveu num texto de 1957 que a ‘pop art’ seria popular, passageira, efêmera, desprezível, facilmente esquecível, barata, produzida em massa, jovem, sexy, glamurosa e um grande negócio. Assim designava o movimento que, ao contrário do que ele pensava, durou. E que acabou por ser mais reconhecido através de nomes como Andy Warhol e Roy Lichtenstein.
“Nós temos os nossos ícones nacionais e as nossas celebridades pop. Mas nem Francis Bacon nem Lucian Freud ou Damien Hirst moldaram tanto a arte moderna da forma que Hamilton fez quando pôs um chupa-chupa com a palavra Pop na mão de um homem musculado”, escreveu o crítico de arte do jornal “ The Guardian”, Jonathan Jones, no obituário do artista plástico.
A causa de seu falecimento não foi divulgada. E o que realmente importa é que ele fez história artisticamente e deixou uma herança artística cheia de personalidade, vitalidade e diversidade.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

RIO PROG FESTIVAL

Nesta quinta (06/10) e nesta sexta (07/10) um sonho será realizado: finalmente se realizará o Rio Prog Festival, um sonho já antigo do produtor musical Claudio Fonzi. Nas palavras do próprio: "É com um prazer literalmente indescritível que venho comunicar que um muito antigo sonho está a poucos dias de se tornar uma incrível realidade!!! Será inaugurado o RIO PROG FESTIVAL, que chegou para ficar durante MUITO TEMPO! Dias 6 e 7 de outubro serão inesquecíveis, com 3 maravilhosas bandas da Nova Geração Sonora brasileira! E tudo acontecerá em uma das mais lindas e perfeitas casas de Rock do Rio de Janeiro e do Brasil, a Rio Rock & Blues, em pleno coração da Lapa. São 4 andares de som, luz, acomodações, bebidas e comestíveis de alta qualidade em meio a uma linda decoração repleta de fotos, guitarras e toda uma série de memorabilia ROCK."
Esta será a primeira edição de um festival que promete, que está fazendo muitos fãs desde tão especial subgenêro do rock criar enormes expectativas. E elas serão atendidas! A ideia é que o festival seja semestral e que cultue sempre bandas já consagradas no cenário musical e também que abra portas para novas bandas, como será o caso desta primeira edição.
O preço é de 40 reais antecipadamente e de 50 reais na hora. Aparentemente salgado, o preço é justo de acordo com a qualidade das bandas e com o fato de serem dois shows em cada dia, além de música mecânica nos intervalos com o melhor do progressivo, com seleção caprichosamente realizada pelo próprio Claudio Fonzi. Haverá também stand para venda de CDs de muitas bandas de Progressivo nacional.

As bandas que tocarão serão Anjo Gabriel, Massahara e Caravela Escarlate.
Anjo Gabriel está dando o que falar. Esta banda de Pernambuco, com suas músicas totalmente psicodélicas, predominantemente instrumentais (há algumas com vocal), belíssimas, tocará em ambos os dias, merecidamente. É o destaque atual do rock progressivo nacional. A banda formada em 2005 é a grande revelação deste ano, revelação esta possibilitada através da produção do primeiro LP da banda (2010), com produção muito caprichada tanto na qualidade de som quanto na arte da capa. LP também produzido na forma de CD, mas este com duas faixas a menos. Ambos, por sinal, já escassos em estoque. Merecendo relançamento. Quem ouve suas músicas se apaixona. A banda, no dia 06, apresentará sua obra "O Culto Secreto do Anjo Gabriel", que se consiste em seu LP. Já no dia 07 apresentarão inéditas, que constituirão seu novo lançamento fonográfico.
Caravarela Escarlate é do nosso querido Rio de Janeiro. Fundada já há bastante tempo, já passou por diversas formações e, se Deus quiser, a atual terá sido formada para ficar e se estabelecer. Com vocais que lembram O Terço e parte instrumental que lembra a banda Yes, essa banda de progressivo sinfônico abrirá o show do Anjo Gabriel no dia 06 e vai fazer bonito. Nas palavras do produtor do evento, Claudio Fonzi: "a mais nova e bela revelação do Progressivo carioca".
Massahara é uma banda de São Paulo que está crescendo e se destacando e sendo sensação do Hard Rock Progressivo nacional. Já participou de eventos como o Festival Psicodália, nas edições de 2009 e 2010 e do Rock na Vitrine, este ano, em São Paulo. Com sonoridade totalmente anos 70, seu primeiro álbum foi lançado este ano também pelo produtor Claudio Fonzi, através de seu selo independente, Som Interior Produções Artísticas. A banda tocará no dia 07 e promete abalar as estruturas da casa e de quem curte um bom Hard Rock com pitadas progressivas e psicodélicas.
Vale a pena conferir este festival tão bonito, de grande valor artístico e até histórico!
O QUE? RIO PROG FESTIVAL
Dia 06 de outubro (quinta):
Anjo Gabriel - apresentando sua aclamada obra "O Culto Secreto do Anjo Gabriel".
Caravela Escarlate - belo show de abertura.
Dia 07 de outubro (sexta):
Anjo Gabriel - apresentando inéditas.
Massahara - abalando as estruturas da casa.
ONDE? RIO ROCK & BLUES: Rua do Riachuelo, nº 20, Lapa - RJ
QUANTO? Ingressos: 50,00 (na data) e 40,00 (antecipados) a venda na RENAISSANCE DISCOS - Rua: Alcindo Guanabara, nº17, sala 1508, Cinelândia - RJ
TELs: (21) 2524-0216 e (24) 9218-2407
www.renaissancediscos.com / renaissance.claudio@gmail.com

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Joss Stone: Deliciosa de se escutar

Se alguém me perguntar quem eu considero a melhor cantora jovem de Soul e R&B no cenário musical atual, eu afirmarei sem dúvida nenhuma: Joss Stone.
Joscelyn Eve Stoker, como é o seu nome de batismo, nasceu em 1987, em Dover (Inglaterra) e diz ter crescido ouvindo diversos genêros musicais. Em uma entrevista à MTV News, Joss disse: "Viciei-me em música soul principalmente por causa dos vocais que exigia. Tem que se ter boa voz para cantar música soul e eu sempre gostei disso, desde pequena".
Seu primeiro álbum, "The Soul Sessions", lançado no segundo semestre de 2003, consistia-se em um álbum de covers de soul music pouco conhecidas de artistas como Wright, Aretha Franklin, Laura Lee e Bettye Swann. E ainda assim alcançou o top cinco da parada britânica de álbuns e o top quarenta da Billboard 200, que é a parada estadunidense. "Fell in Love with a Boy", uma regravação da música "Fell in Love with a Girl" do The White Stripes, alcançou o top vinte da parada de singles britânica. "Super Duper Love" também alcançou o top vinte na Inglaterra.
Após tanto sucesso com o seu primeiro álbum, Joss Stone lançou seu segundo álbum, "Mind, Body & Soul", lançado no segundo semestre de 2004 e composto de músicas originais. Estreou em primeiro lugar na parada de álbuns britânica, inclusive, quebrando o recorde de cantora mais jovem a chegar ao topo da parada britânica, lugar que antes pertencia à cantora Avril Lavigne. No entanto, não entrou no top dez da Billboard, ficando em 11° lugar. "You Had Me" foi seu primeiro sucesso a entrar no top dez do Reino Unido. "Right to Be Wrong" e "Spoiled" alcançaram o top quarenta e "Don't Cha Wanna Ride" o top vinte.
Participou em 2004 da regravação da música "Do They Know It's Christmas?", de 1984, escrita pelos organizadores da Band Aid Bob Geldorf e Midge Ure. Regravação esta realizada em conjunto com a Band Aid 20 em prol da região de Darfur, no extremo oeste do Sudão. Outros constituintes do grupo foram o vocalista do Coldplay, Chris Martin, e o vocalista do U2, Bono.
Em 2005, foi indicada a três Brit Awards, dos quais ganhou dois ("Artista Solo Feminina Britânica" e "Artista Britânica de Música Urbana"). Também já foi indicada a cinco Grammy Awards (incluindo "Artista Revelação"), dos quais ganhou um ("Melhor Performance de R&B por um Duo ou Grupo com Vocais" por "Family Affair" em 2007). Além de tudo isso, já fez umas pontas como atriz também.
Não é só o sucesso extremo desde o lançamento de seu primeiro álbum que demonstra facilmente o quão boa ela é no que faz. Ouvir uma música sua é o bastante para perceber o potencial dessa jovem cantora, com uma voz lindíssima e um forte carisma. Simples, entregue à música e ao poder que ela tem, ela canta e encanta a todos por onde quer que passe.
Joss Stone se apresentou no Brasil pela quarta vez no último dia 29, durante o Rock in Rio, no palco Sunset. Tendo sido a terceira ano passado na cidade de Itu, durante o festival SWU, a segunda durante uma turnê em 2009 e a primeira durante turnê em 2008.
A bela Joss Stone, dona de uma voz mais bela ainda, cativou a todos em seu show no Rock in Rio, sem discursos pré-escritos, cheia de espontaneidade e simplicidade. Conversou com a plateia, pediu que escolhesse músicas a serem cantadas e até pediu ajuda para que fosse cantada a música "Karma", justificando que às vezes esquece algumas palavras. Não foi falta de profissionalismo, foi simplicidade. Simplicidade esta que faz dela mais interessante ainda. Permitindo-se improvisos, sentindo-se à vontade no palco, chegou a brincar consigo mesma, pedindo, em um momento, que desligassem o telão porque não havia gostado de seu cabelo. Joss Stone, sem alisamento de cabelo, sem se utilizar de seu corpo para fazer performances sensuais, maravilha o público com seu Soul e com o seu sorriso. Deliciosa de se escutar. Digna de Palco Mundo, digna de muita admiração.
Joss Stone, que você venha ao Brasil novamente em 2013! E antes! E depois!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Da série “Vale a pena conferir”: MASP


Por Carlos Pinho

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o popular MASP, foi fundado em 1947 pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand, com a ajuda do crítico de arte e antiquário italiano Pietro Maria Bardi. Localizado na Avenida Paulista, o MASP é uma instituição sem fins lucrativos e possui a mais importante coleção de arte ocidental da América Latina. A sua coleção é considerada patrimônio histórico brasileiro desde 1969, quando foi tombada pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o atual IPHAN.

Manchete do Jornal do Brasil (07/11/1968) sobre a inauguração da nova sede do museu.

A sua sede atual, inaugurada em 1968 com a presença da rainha Elizabeth II, é uma das principais obras da arquitetura modernista no país. Seu famoso vão-livre, por muito tempo o maior do mundo, possui 74 metros de extensão e é a sensação entre os visitantes.

Chatô, o visionário

Assis Chateaubriand

Entre as décadas de 1940 e 1960, Assis Chateaubriand era um dos homens mais poderosos do país, controlando um império midiático, o conglomerado Diários Associados.

Pioneiro no ramo das comunicações no Brasil, Chatô, assim conhecido pelos íntimos, era, sobretudo, um homem empreendedor e um grande incentivador do crescimento e desenvolvimento do país em diversos aspectos, como culturais, econômicos e artísticos. Uma de suas principais iniciativas era de fundar um museu. Inicialmente, pensou em sediá-lo no Rio de Janeiro, mas escolheu São Paulo por ver mais possibilidades de arrecadar nesta cidade o capital necessário para a formação do acervo.

A sua maneira de negociar doações ao museu junto aos empresários era, no mínimo, curiosa. Em troca dos donativos, Chateaubriand cedia espaços publicitários em suas empresas (nas rádios, nos jornais, nas revistas e, posteriormente, na televisão). Além disso, o doador recebia o título de mecenas.

Pietro Maria Bardi

Apesar de ser apaixonado por obras de arte, Chatô pouco entendia desse universo e de seu mercado. Com isso, convidou Pietro Maria Bardi para o projeto. O italiano foi essencial na criação do museu, bem como na escolha das obras que seriam adquiridas.

Pietro Maria Bardi e a Diana Adormecida
Foto tirada por Juvenal Pereira em 1986.

Pietro pretendia ficar à frente do projeto por apenas um ano. No entanto, permaneceu no comando por quase meio século.

O MASP hoje

Atualmente, o Museu de Arte de São Paulo é presidido pelo advogado João da Cruz Vicente de Azevedo. A curadoria está a cargo do crítico de arte Teixeira Coelho.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dogcão não odeia o Peticuloso

Está certo que cada pessoa tem o seu gosto, mas eu estou para conhecer alguém que goste de ter diarréia. Aproveite o clima besteirol e conheça outras idiotices destes personagens idiotas, e perdoe a redundância. http://www.dogcaoesuaturma.blogspot.com/.

domingo, 25 de setembro de 2011

Detesto a Escola


Este poema é um pequeno resumo da minha vida escolar (que já acabou há 4 anos). Se quiserem ver mais vão no meu blog: http://www.oventonoroestetraznoticias.blogspot.com/

Quando o domingo se vai,
bate aquela agonia,
pois o primeiro tempo é geometria!

Lá vem a complicação,
porque três mulheres pedem atenção:
a mediatriz, a hipotenusa e a tangente.
Para enrolar ainda aparecem seus maridos:
os diametros, os catetos e os cálculos pendentes.

Na Biologia até enrolo,
meia dúzia de conceitos decoro.
Mas com a Aritmética é brabo.
Uso regra de três a doidado.

Química é a perdição.
Ai ai ai quanto cálculo com fração!
Em Física eu só colo
perdi as esperanças
de calcular a tração.

Mas não é toda matéria,
que me estimula a pensar nas férias.
Em Português e Redação eu mando benzão!
Descrição, narrativa e dissertação.
Passei até em concurso.
Como sou boa no discurso!

Inglês também não é problema.
Minha ultima prova
A professora elogiou
e a colega invejou,
se mordeu de raiva porque não colou.

Mas minha menina dos olhos,
é a História.
Minha grande colega de viagens
Uma musa notória.

Não preciso de cabine telefônica
como Bll e Ted.
As páginas do livro é que me pedem:
"Venha conosco heroína!
Muita aventura a espera.
Traga sua carabina que:
Com Odisseus enfrentarás as sereias!
Com os hereges causarás cismas nas igrejas!
Com os portugueses chegarás a El dourado!
Com piratas profanarás templos sagrados!
E com filósofos reencontrarás sua vida!"

Mas apesar dessa delícia,
já começo a segunda
pensando com malícia
como diminuir os dias úteis
e como aguentar conversas fúteis.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Morte


Bom hoje um vim trazer um pouquinho de melancolia (momentos emo)

Queria que minhas velhas cicatrizes não abrissem.
Porém ver-te causa-me agonia.
Relembro toda expectativa disfarçada,
a poesia vã cuja explicação nunca veio.

veio a veia rasgada,
a jorrar abundante o vermelho líquido
e congelar-me por sua ausência o interior.

Nada mais me agrada.
Minha vida é uma farça,
porque a loucura invalidou toda lógica
que há anos comecei a construir.

Oh irônico anjo, que poesias me cantou ao pé do ouvido!
Tua crueldade milenar
fez com que as promessas fossem impossíveis de concretizar.
e de saudades meu coração veio a palpitar.
e de desgosto fez-me querer abandonar
todo meu encanto de menina.

Os sonhos vieram a suicidar-se
outra pessoa nasceu
que ainda não cresceu,
fica a cambalear entre o passado e o presente,
sem saber porque está descontente.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um escorregar que pode levar ao alto


Segunda-feira eu fui a um samba na Pedra do Sal. O clima quente do Rio, a batucada tão brasileira e a energia que, não tem jeito, só o carioca tem. Positiva, alto astral e simplesmente linda. Mas não é do samba, dessa vez, que eu vou falar. E sim das crianças lindas brincando de escorregar na pedra que dá nome ao local. Escorregando de todos os jeitos: deitadas com a cabeça pra cima, com a cabeça pra baixo, enroscadas umas às outras, de todo modo, de modo qualquer a se divertir. Sem medo de se machucar, como quem sabe que qualquer corte ou ralação pode até ficar feio por uns dias, mas é temporário. Enquanto os risos e brincadeiras tão saudáveis e alegres marcam presença positiva na memória para toda a vida e refletem no futuro, na conduta dos futuros adultos, hoje crianças mais felizes por experimentarem um pouco da liberdade que muitos pais por superproteção exagerada não dão aos seus filhos. Sem se importar com o estado em que a roupa fica, suja de tudo um pouco. Meros pedaços de pano, grande estado de alma. E se sujar faz bem, não é mesmo? É isso que prega o comercial de sabão em pó, mas se sujar não faz bem porque o tal sabão deixará a roupa limpíssima, mas porque é capaz, em situações como essa, de deixar limpíssima não as roupas, mas a mente e o coração.
Parabéns aos pais destas crianças por não serem superprotecionistas, daquela maneira de que tantos são. Ainda mais atualmente, parece que a preocupação aumenta devido ao estresse diário causado pelo trabalho, pelos engarrafamentos e pelo exagerado número de coisas a se fazer, características, talvez, do que chamamos de cidade grande, coisa que hoje não é mais característica só das grandes capitais, mas de muitas mais cidades. O que inclui a violência, a insegurança e também, muitas vezes, a simples falta de árvores nas quais subir, de gramados bem vivos onde se correr descalço. Muitas vezes faltam lugares apropriados para se deixar as crianças serem simplesmente crianças, melhor dizendo, serem meio molecas mesmo.
Deixar as crianças correrem riscos saudáveis, riscos estes que a própria vida recomenda. Machucar o joelho, talvez até quebrar um braço, levar um tombo escorregando numa pedra, comer uma manga no pé. Não é só pela natureza, mas acima de tudo pelos pequenos machucados que acabam se tornando um nada diante das lembranças e da vitalidade que se ganha. Não se sente isso apenas jogando videogame. Nem se ganha o que estas brincadeiras singelas tantas vezes geram: equilíbrio. É o passado que semeia o futuro, é a infância que dá base à vida adulta. É a liberdade saudável e consciente que poderá fazer destas crianças adultos capazes de pesar suas escolhas. De pequenos machucados físicos e de pequena liberdade, tão grande aos olhos de uma criança que não a tem, pode-se vir a ter mais juízo. Pequenas atitudes e acontecimentos podem gerar grandes experiências. Detalhes podem fazer toda a diferença (e fazem!). Machucados fazem parte da vida, mas pequenos deles quando ainda criança podem evitar alguns grandes quando maior.

Pode parecer romântico, e acho que é mesmo, mas no fundo sabemos que é mesmo assim. A formação psicológica de uma pessoa começa desde o nascimento e gera consequências até o último dia.

E foi ouvindo o saculejar desse samba tão gostoso de se ouvir (sentir!), com meu coração batendo no ritmo da música a tocar, que eu escrevi mais esta crônica.

19/09/2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Grandes obras de arte

Aqui no blog você ficará sabendo das verdadeiras histórias por detrás das grandes obras de arte. Por exemplo, o belga René Magritte, pintou um momento traumático vivido por ele no quadro “O Filho do Homem”. Esta obra ficou famosa no filme "Thomas Crown - A Arte do Crime".


História: René jogava uma partida de futebol com os colegas do trabalho quando um adversário lhe acertou uma bolada no saco. Assim nasceu esta obra. Mas para dar ao quadro um ar de seriedade ele trocou o uniforme do time por uma roupa de trabalhador engomadinho, para dar um ar de surrealismo, René trocou a bola por uma maçã verde, para dar um ar imagético, o pintor substituiu o local da pancada, do saco para a cara e, por fim, ele substituiu o nome do quadro, que inicialmente se chamava “O Filho da Puta” para “O Filho do Homem”, pois quem o acertou era o filho do dono da empresa e, para manter o emprego, René transformou um doloroso momento em uma magnífica obra de arte mudando apenas o contexto da história.


Esse é o Dogcão desvendando os mistérios das grandes obras de arte.

OBS.: Em hipótese alguma leve a sério os textos de Rodrigo Shampoo neste blog. (www.dogcaoesuaturma.blogspot.com)

domingo, 18 de setembro de 2011

Gasto mais do que ganho!


Por Rufino Carmona
Você já ouviu aquela história de que não importa quanto uma pessoa ganhe, ela sempre gasta mais? Claro que não são todos que agem assim, mas, infelizmente, isso é mais comum do que imaginamos.

É evidente que quem recebe um salário mínimo por mês não consegue satisfazer todas as suas necessidades básicas. E então precisa complementar a renda de alguma outra forma.

Mas chega-se a um patamar salarial em que as necessidades básicas já estão satisfeitas, mas, mesmo assim, outros complementos salariais continuam sendo necessários, porque novas necessidades “não tão básicas assim” acabam se tornando básicas. Isso mesmo! Quem ganha R$ 1.000,00 gasta, pelo menos, R$ 1.200,00 por mês. Quem ganha R$ 5.000,00 gasta uns R$ 6.000,00 e quem ganha R$ 100.000,00 gasta por volta de R$ 120.000,00.

Talvez possamos pensar essa questão por diversos ângulos. Mas o primeiro que me vem à cabeça é o financeiro. Hoje em dia, fazer um orçamento tornou-se algo bastante simples. E é aquela velha história: você deve gastar sempre, no máximo, o que ganha mensalmente. E o ideal mesmo é gastar menos do que ganha e poupar o restante.

Mas talvez você esteja tentando essa façanha há muito tempo sem atingir seu objetivo. Então, certamente, deve haver algum outro jeito além do 2 mais 2 igual a 4. Gostaria de receber sugestões. Na semana que vem, pretendo sair desse trivial financeiro e tocar um pouco mais fundo nessa ferida.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O homem invisível está aqui!

Se você pensa que já viu de tudo, engana-se profundamente. Você ainda não viu o homem invisível! Quer ver mais idiotices? Então visite os sites www.dogcaoesuaturma.blogspot.com e www.rodrigoshampoo.jimdo.com.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um aspecto sobre o racismo.


Desde que passei a seguir a Jaredy do http://escritoracasual.blogspot.com/ fiquei na vontade de escrever algo sobre racismo, mas só agora lembrando do passado, à mesa com familiares, que resgatei um ponto importante.
Quando eu era pequena, morava com meus pais, meu irmão e meus avós. Com a exceção do meu avô a família era toda branca. Sendo crianças não questionávamos a cor dele, era da família e pronto. Era o pai da minha mãe, por mais que ela não o chamasse assim. Só ficamos sabendo que ele era o segundo marido da minha avó no início da adolescência. O importante porém, é que não o víamos como um negro. Ouvíamos falar na televisão da situação dos negros, da discriminação, e por mais que víssemos a semelhança com nosso avô, não associávamos uma coisa com a outra. Para nós o negro era o outro aos moldes de Tzvetan Todorov, aquele que é o nosso oposto e serve para ajudar a definir nossa identidade através da oposição, daquilo que não somos. Meu avô como estava próximo era branco, não pela nascença mas pelo amor que sentíamos por ele. Já perceberam o sentimento clânico que temos com nossa família e com aqueles que estão mais próximos de nós? Pois é, meu avô estava protegido por ele, mas apenas dentro da família.
Hoje sei que vemos o negro como o outro dentro da nossa própria sociedade porque o racismo foi naturalizado, a gente aprende a tê-lo, mesmo que o negro não more assim tão longe de nós, e não seja muitas vezes tão diferente. Ainda bem que nas escolas já se começa a introduzir estudos sobre as diversas etnias do país. Acredito que mudando essa Educação desde a infância aprenderemos a ser menos excludentes, deixando que a vida deles seja menos apreensiva, já que não terão mais o medo de sair na rua e ser insultado apenas por ter nascido do jeito que é.
O chato que assim como eu e meu irmão, as pessoas aprendem essa diferença na televisão. Por exemplo, a personagem principal das novelas é sempre branca e a maioria das empregadas negras, demorou anos até que mudassem esse quadro na novela Da cor do Pecado, ou mesmo o caso da Glória Maria como a primeira e a única negra no jornalismo da Globo, pelo menos das que aparecem nos programas.
Numa sociedade como a brasileira não há como ignorar a nossa herança negra, tanto na cultura quanto no nosso sangue, ou nos afetos. Nem nos áureos sonhos de D. Pedro I o Brasil poderia se tornar uma sociedade branca e européia, somos simplesmente tropicais e heterogêneos e devemos ter satisfação com isso, temos mais o que compartilhar uns com os outros em termos de vivências. Somos um povo muito rico, e por isso é necessário desaprender essa cultura ultrapassada construída no erro, e perpetuada por ele.
Sem falar que, a naturalização do racismo é uma das razões para crises de identidade e falta de aceitação. Meu avô passava talco no rosto para ficar mais parecido conosco (não quero nem imaginar o que ele ouviu pra sentir essa necessidade, deve ter sido algo bem cruel)e eu tinha uma amiguinha que adorava meu boneco que fazia xixi, tanto que a mãe comprou um igual pra ela, só que negro. Só esse detalhe que separava o meu do dela, no entanto bastou pra ela só querer o meu que era branco. Por que fazemos esse mal uns aos outros ? Totalmente desnecessário. Acho que não há sentimento pior que o ódio contra si mesmo, então não tolero uma sociedade que perpetua preconceitos tão repugnantes. E você já pensou nisso? Não espere o feriado do zumbi para pensar, pense agora e renove-se.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Uma pitada de samba e um bocado de histórias

Episódio de hoje: 
Os primeiros passos do Samba


Quadro de Heitor dos Prazeres
Por Rodrigo Shampoo

No final do século XIX, a modinha, o lundu e o maxixe eram os ritmos musicais nacionais predominantes no cenário carioca, juntamente com os ritmos estrangeiros como a valsa, a polca e a música erudita, muito apreciada pela elite. Com a abolição da escravatura, os negros livres se reuniam nos grandes centros urbanos para dançar e cantar em cultos religiosos de origem africana, preservando sua cultura adaptada à realidade brasileira. Normalmente, os terreiros onde aconteciam essas reuniões eram as casas das tias baianas. E a mais famosa delas foi a da Tia Ciata. Lá, se reuniam também alguns nomes da música brasileira ainda desconhecidos.

Tia Ciata e Tia Josefa

Por ser a capital do Brasil, o Rio de Janeiro atraiu migrantes de todas as partes do país, tornando-se um verdadeiro emaranhado de raças e culturas. O estado desenvolveu então uma música própria, que reunia influências de quase todas as regiões do país. Essa união de pessoas de diversas raças e culturas ocorria em diversas camadas da sociedade, “desde a Casagrande à Senzala”. Foi justamente essa junção de culturas regionais que trouxe os instrumentos das zonas rurais de Minas Gerais e do Rio de Janeiro e os tambores da Bahia para se unirem aos cultos religiosos de origem africana.

E foi assim que nasceu o samba, em um cenário controverso, pois os ritmos que faziam parte da sua construção, a modinha, o choro, a marcha, o maxixe, o jongo e o lundu, ao mesmo tempo em que eram tocados em grandes salões, em casa de políticos e de intelectuais, eram também renegados por boa parte da elite e perseguidos pela polícia. O samba passou realmente a ganhar força como música nacional com o movimento modernista iniciado por Mario de Andrade e Oswald de Andrade e defendido também por Gilberto Freyre, Graça Aranha, Sílvio Romero, Lima Barreto, Afonso Arinos, entre outros, que buscavam uma valorização da “coisa brasileira”. Os ritmos nacionais, a cultura negra, o mulato e o mestiço foram os principais beneficiados por esse movimento, que seria responsável por uma “reviravolta”, que deixou de lado o vanguardismo internacional para valorizar uma imagem de cultura nacional.


Ao longo da história, há vários relatos sobre encontros de intelectuais, fazendeiros, políticos, aristocratas, escritores e outros membros da elite com músicos das camadas mais populares. Essas reuniões foram fundamentais para o surgimento de ritmos genuinamente brasileiros, como o samba, e, mais tarde, para a transformação deste samba em símbolo da identidade nacional.

Os primeiros registros desses encontros começam no final do século XVIII, com a invenção da modinha. Segundo o historiador Hermano Vianna, “José Ramos Tinhorão, um dos mais importantes historiadores da música popular brasileira, descreve a modinha como um ritmo nacional inventado por mulatos das camadas populares de se tocar canções líricas portuguesas”. As modinhas normalmente abordavam temas amorosos e eram acompanhadas por instrumentos de corda como o violão ou o bandolim.


Após a independência do Brasil, a modinha passou a ser parte integrante da corte, mesmo ainda mal vista por boa parte da nobreza. Mesmo assim, abriu as portas para a entrada do lundu na corte de Dom Pedro I. Em meados do século XIX, a renovação da modinha teve participação de vários segmentos da sociedade brasileira. Como conta Gilberto Freyre: “A modinha foi um grande agente musical de unificação brasileira, cantada, como foi, no Segundo Reinado, por uns ao som do piano, no interior das casas nobres e burguesas, por outros, ao som do violão, ao sereno ou à porta até de palhoças”.

Catulo da Paixão Cearense

Catulo da Paixão Cearense foi um bom exemplo da unificação das classes populares com a elite. Teve papel fundamental na mediação das classes sociais. Foi durante abelle époque carioca, entre 1898 e 1914 – um período em que a elite tentava pôr fim ao Brasil antigo, um Brasil “africano”, endeusando o modelo de civilização parisiense – que Catulo da Paixão Cearense e o violonista João Pernambuco conquistaram a elite com músicas regionais. Suas modinhas faziam sucesso nas reuniões lítero-musicais e nos saraus nas casas de políticos e de intelectuais, e até mesmo no Palácio do Catete.

Ainda assim, com o sucesso alcançado pela música sertaneja e pela modinha, os ritmos europeus e norte-americanos dominavam os salões durante os carnavais. Apesar do domínio estrangeiro, o repertório da folia brasileira era bem variado, ía desde o lundu, o maxixe e o xote à valsa, ao foxtrote e à polca. Essa mistura de música estrangeira com alguns ritmos nacionais imperou por décadas nos carnavais até o samba se consolidar, em meados da década de 1930.